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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Keynes e Roosevelt: algumas lições para o presidente Obama


As políticas de gastos públicos que agora são propostas para o presidente Obama não são inspiradas no New Deal. Suas raízes estão no pensamento de Keynes e no grande laboratório de políticas macroeconômicas que foi a Segunda Guerra Mundial. Mas Roosevelt também tem lições importantes a dar a Obama, ainda que não na definição de políticas macroeconômicas. A análise é do economista Fernando J. Cardim de Carvalho.


Por Fernando J. Cardim de Carvalho* - Carta Maior


Poucos nomes tem sido lembrados com tanta freqüência nos últimos meses quanto os de Keynes e Franklin Delano Roosevelt. Na verdade, na maioria das vezes eles são lembrados juntos, como co-autores das políticas que marcaram o New Deal. Quase sempre, a referência a ambos se destina a dar suporte a algum plano ou estratégia de política econômica que se espera seja seguida pelo Presidente Obama, cuja posse ocorre neste 20 de janeiro.

A posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos seria um evento de importância histórica em qualquer circunstância. No limite, até mesmo a eleição de um Clarence Thomas poderia ser vista como a culminância do processo de conquista de direitos civis cujo grande salto foi dado nos anos 60 do século passado, sob a liderança do Dr. Martin Luther King. Mas a expectativa e as esperanças que cercam a posse do novo presidente americano dado o envolvimento do país em um guerra extrema (e justificadamente) impopular e a crise econômica - cuja profundidade se revela a cada dia para uma população cada vez mais atônita - tornam esse evento ainda mais significativo.

É exatamente a profundidade da crise que explica a ressurreição de Keynes e de Roosevelt depois de quase trinta anos de dominação do pensamento liberal em todo o mundo, inclusive no Brasil. Keynes e o New Deal simbolizam a rejeição ao neoliberalismo que levou ao desastre atual, cujos custos ainda devem crescer acentuadamente neste ano de 2009. No entanto, a relação que se faz, e as lições tiradas, são, muito frequentemente superficiais. Isso decorre de um certo desconhecimento tanto do que Keynes propôs quanto do que Roosevelt fez, especialmente nos primeiros oito anos de seu governo, até a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, após o ataque japonês a Pearl Harbor.

Na verdade, Keynes e Roosevelt, figuras gigantescas do século XX, têm muito o que ensinar ao Presidente Obama, mas as lições de um, não são exatamente as lições de outro. Conhecer a ambos é fundamental até porque o neoliberalismo não foi um desastre apenas porque conduziu à crise que estamos atravessando, mas também porque promoveu reformas sociais de extrema perversidade, que devem ser detidas ou revertidas.

Keynes foi calorosamente simpático ao ativismo de Roosevelt, ainda que não exatamente às políticas específicas implementadas, especialmente no primeiro New Deal. Roosevelt, corretamente, propôs que governos não são, nem podem ser, expectadores passivos de processos econômicos. Ao contrário, governos têm a obrigação de intervir para mitigar as dificuldades e o sofrimento causados por crises da forma mais eficiente possível. O reconhecimento dessa obrigação opôs Roosevelt não apenas a Hoover, por ele derrotado em 1932, mas também às políticas liberais que seriam adotadas a partir de Reagan, inclusive no período Clinton – este, como lembrou Paul Krugman, em muitos sentidos esteve não apenas à direita de Jimmy Carter, mas até mesmo à direita de Richard Nixon! Não há formulas nem receitas prontas, o trabalho do governo é experimental, tateante, que se aprende fazendo, cometendo erros e corrigindo os erros quando eles são detectados e tentando novamente.


Essa é a primeira e maior lição de Roosevelt, aplaudida entusiasticamente por Keynes. A passividade covarde apenas dá apoio ao conservadorismo e reforça os interesses daqueles que ou ganham com o status quo ou têm reservas para garantir sua sobrevivência mais que confortável nos períodos de dificuldade. O reconhecimento de que a principal política social de uma economia de mercado é a garantia do pleno emprego, e de que persegui-lo é a principal obrigação do Estado unia Keynes a Roosevelt.Mas o diagnóstico de Roosevelt sobre as causas da crise da década de 1930 era diverso do de Keynes. Enquanto Keynes apontava o colapso da demanda efetiva como causa da contração da economia (já que consumidores, temerosos do desemprego, não compram bens de consumo; investidores não investem porque, afinal, não há razão para aumentar a capacidade produtiva se não é possível ocupar sequer a existente; e exportadores não conseguem vender para o resto do mundo que também sofre a contração), Roosevelt julgou que a deflação de preços, especialmente os agrícolas – mas não apenas estes - era a causa imediata da contração. Preços muito baixos causavam prejuízos aos produtores e os impediam de pagar suas dívidas, levando-os à falência; e, com eles, o sistema bancário que lhes tinham estendido crédito. O primeiro New Deal não foi principalmente um programa de obras públicas, mas, principalmente um programa destinado a combater a deflação, ainda que ao risco de cartelização da produção.

Keynes, como é amplamente conhecido, favorecia programas de gasto público, ainda que pudessem gerar déficits fiscais. Roosevelt defendia o orçamento equilibrado e déficits públicos acabaram emergindo por causa da contração da economia, que reduzia as receitas de impostos, mais do que por políticas destinadas a gerar déficits fiscais.

As políticas de gastos públicos que agora são propostas para o presidente Obama não são inspiradas, portanto, no New Deal. Suas raízes estão no pensamento de Keynes e no grande laboratório de políticas macroeconômicas que foi a Segunda Guerra. A guerra serviu para mostrar aos governantes que era necessário buscar, em tempos de paz, o equivalente da encomenda de armas e sustentação de exércitos para manter elevada a demanda agregada. A legitimidade da noção de “grande governo”, de políticas monetárias e fiscais ativas, foi estabelecida como herança conjunta do pensamento keynesiano e da experiência da guerra.

Mas Roosevelt também tem lições importantes a dar a Obama, ainda que não na definição de políticas macroeconômicas. Há, pelo menos, três grandes lições a tirar de sua experiência. A primeira, é a importância da liderança para a condução do processo político, especialmente em momentos críticos. Os Estados Unidos vivem um duplo momento crítico, em uma crise econômica de grandes proporções e em meio à guerra do Iraque. Brecht escreveu que é infeliz o país que necessita de heróis, mas liderança política não é opcional. Muitos têm se lembrado do famoso e impactante discurso inaugural de Roosevelt em 1933, em que afirmou que nada havia a temer senão o próprio medo. Naturalmente, liderança política não se resume à brilhante retórica, mas na ação sem hesitações para atacar os problemas enfrentados pela sociedade.

A segunda, e de longe a mais importante, lição de FDR foi a clara percepção de que a mera restauração do status quo, não podia ser a meta única de seu governo. Na verdade, a herança mais durável e importante de Roosevelt foi a reforma social que promoveu, com a criação da seguridade social e o reconhecimento de que a sociedade é responsável pelo bem estar de seus membros, o que materializaria na implementação de estruturas tributárias amplamente progressivas, onde os ricos pagariam muito mais, desproporcionalmente mais, que os pobres, etc.

Depois de anos de neoliberalismo, de redução de impostos para os ricos, de regressividade tributária, de corte de serviços sociais, e de liberalização financeira - que levaram, nos Estados Unidos como em outros países assolados pela mesma onda liberal, a um dramático crescimento da concentração de renda e de riqueza - combater a crise não é uma alternativa, mas um complemento às reformas sociais progressistas que se fazem necessárias neste momento. É uma ilusão pensar que, primeiro, combate-se a crise, depois reforma-se a sociedade. Essa dicotomia ('o que é necessário a longo prazo deve ser perseguido depois de se conseguir resultados de curto prazo') não existe na realidade. O custo da crise será alto, e é crucial que ele seja pago principalmente pelos beneficiários da onda reacionária dos últimos trinta anos.

Finalmente, a terceira lição é essencial. Foi com o Presidente Roosevelt que se criou a noção dos primeiros cem dias de governo.

Roosevelt começou a mandar projetos de mudança ao Congresso logo em seguida à sua posse. Nunca um presidente terá tanto poder quanto nos seus primeiros dias. Mais que nunca é clara a distinção entre quem foi vitorioso e quem foi derrotado; quais idéias que prevaleceram e quais foram rejeitadas; quais os interesses a serem privilegiados e quais os que serão penalizados. Ninguém teve tanta clareza, nem demonstrou de forma tão cabal a verdade dessa tese.

Líderes políticos que partiram para o ataque desde o momento de sua posse conseguiram muito mais do que aqueles que perderam tempo buscando consensos impossíveis ou apoios ilusórios. Quando se tenta obter o apoio dos derrotados, perde-se tempo e capital político junto aos eleitores. Isto assanha os adversários e leva à erosão da liderança. O presidente Mitterrand, em seu primeiro mandato, aprendeu as lições de Roosevelt e promoveu várias reformas, algumas das quais sobreviveram aos períodos de coabitação ou aos governos de direita. Em outros países, a busca de apoio político tornou muitas lideranças reféns de grupos conservadores que muitas vezes acabou por paralisá-las.

Os cantos de sereia e as pressões pela diluição das propostas e das promessas de mudança da campanha eleitoral - justificadas como requisito para alargar seu apoio no Congresso e superar partidarismos - são talvez o maior risco a ser enfrentado imediatamente pelo Presidente Obama. Reporta a imprensa que nos últimos dias Obama tem se dedicado particularmente ao estudo da experiência do Presidente Roosevelt. Torçamos para que o novo presidente se deixe guiar pela experiência do maior dos presidentes americanos do século passado.(*) Fernando Cardim é economista, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


(*) Fernando Cardim é economista, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ainda Obama





A vitória de Obama é espantosa.
. A vitória de Obama é espantosa. . Foi preciso o neoliberalismo de Ronald Reagan-Margaret Thatcher-Pinochet-Fernando Henrique Cardoso ser enterrado na mesma vala em que se depositou o Muro de Berlim.
. Foi preciso que os Estados Unidos perdessem duas guerras – a do Iraque e a do Afeganistão.
. Foi preciso haver um presidente Bush, o mais impopular dos presidentes americanos, que explorou o medo como expediente eleitoral e construiu a coalizão mais reacionária da recente historia política americana.
. Foi preciso fazer a mais profunda intervenção estatal na economia americana para salvar Wall Street.
. Só assim, numa situação-limite, à beira do precipício, a sociedade americana foi capaz de eleger um negro, de esquerda, Presidente dos Estados Unidos.
. De forma esmagadora.
. Obama ganhou nos Estados Unidos inteiro: ele não é apenas um presidente da costa Leste (Nova York) e da costa Oeste (Califórnia).
. Ele É um presidente de todos os americanos.
. Em Nova York, onde foi a festa?
. No Harlem!
. A mensagem de inclusão política e social de Obama derrotou os Republicanos, e também o Establishment democrata, controlado pelo casal Clinton.
. Obama tem dois modelos à frente dele: Franklin Roosevelt e Jimmy Carter.
. Roosevelt assumiu em 1932, com a economia americana em frangalhos e se tornou um dos maiores presidentes americanos.
. Jimmy Carter sucedeu Richard Nixon, 1000 vezes mais inteligente que George Bush, e, mesmo assim, deposto depois do escândalo de Watergate.
. Carter assumiu como se fosse a vassoura que ia limpar Washington.
. Fez um governo medíocre e se tornou melhor ex-presidente do que Presidente, o que o Fernando Henrique Cardoso nem isso conseguiu ser: melhor fora do que dentro.
. Obama vai mostrar logo cedo se é Roosevelt ou Carter.
. Ao assumir no ponto mais profundo da Crise de 29, Roosevelt fechou os bancos por três dias – para ver quem comprava quem – e lançou um agressivo programa de intervenção estatal na economia, uma espécie de PAC + Bolsa Família, multiplicado por 100 – os “Cem Dias”
. Neste momento em que escrevo, 1H30 da manha, Obama vai ter maioria no Senado.
. Não será como o Presidente Lula, que não tem maioria no Senado, é repudiado pelo PiG, e tem que cortejar esse conjunto de mercadores reunidos no PMDB
. Obama tem o PiG ao lado dele (por enquanto ...).
. Pode, portanto, governar, imprimir a marca na Historia.
. Se tem maioria no Senado, pode mudar a inclinação do Supremo Tribunal Federal.
. Os brasileiros começam a se dar conta de que uma das – se não A mais importante – funções do Presidente da Republica é compor o Supremo.
. Num Supremo que, no momento, é presidido pelo Supremo Presidente, o empresário Gilmar Mendes, que, na verdade, reproduz no Supremo as crenças e os interesses econômicos (leia-se Daniel Dantas) de seus patronos – Fernando Henrique Cardoso e Nelson Jobim -, nesse Supremo, o Presidente Lula, por exemplo, teve a chance histórica de escolher 6 ministros em onze e construiu um dos Supremos mais conservadores da Historia da República.
. É bom lembrar que Carlos Alberto Direito não foi para o Supremo por decisão de Garrastazu Médici e seu Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, mas por Lula e Jobim.
. Obama vai poder refazer a construção conservadora de Bush no Supremo americano.
. No Brasil, só nos resta rezar ...
. Uma palavra final sobre as pesquisas de opinião pública.
. As pesquisas do IBOPE e do Datafolha e a forma como o PiG as analisa são um dos instrumentos do PiG para manipular a opinião publica.
. O simples fato de só haver duas instituições de pesquisa de opinião pública eleitoral - nos Estados Unidos houve mais de 700 !!! nessa campanha - já é uma demonstração da parcialidade do processo – do partido a que as pesquisas servem.
. SÓ, SÓ, SÓ no Brasil se leva pesquisa tão a sério.
. Como SÓ, SÓ, SÓ no Brasil se dá tanta importância à corrida de Fórmula 1 !!!
. É a mesma coisa: como manipular a opinião pública para tomar uma grana.
. As pesquisas e o PiG beneficiam o candidato conservador.
. A F-1 dá uma grana à Globo.
. As pesquisas de opinião pública erraram nos Estados Unidos: não previram a vitória de goleada do Obama.
. Especialmente a vitória ampla e indiscutível, tão cedo, no Colégio Eleitoral.
. Como no primeiro turno de São Paulo: o IBOPE e o Datafolha disseram que a Marta ia ganhar e não ganhou.
. As pesquisas são o que são: um flagrante.
. Duas horas da manhã: OBAMA É O NOVO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS !!!
. Eu Vi!
. Ninguém imaginou que a essa hora, duas horas da manha em Brasília, um negro pudesse ser considerado presidente dos Estados Unidos, tão cedo.
. Eu gostaria de estar no Grant Park, em Chicago, à beiro do lago Michigan onde já corri como pseudo maratonista.
. E re-encontrar Jesse Jackson, em prantos, ele que foi um dos pioneiros dessa batalha dos negros americanos, na geração pós-Martin Luther King Jr.
. E estar ali na multidão e dizer: EU VI!
. Ou entoar aquele canto de inspiração bíblica: Yes! We can!
. Obama não será um Lula.
. Obama não vai se eleger pela esquerda e governar pela direita.
. A proposta de Obama é outra: ele é presidente de TODOS os americanos!
. Hoje, no mundo inteiro, todos votaram em Obama!
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O link abaixo nos leva ao vídeoclip da música criada por Will.I.Am, do the Black Eyed Peas, que foi feita a partir de um discurso do presidente eleito dos EUA Barak Obama.

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

E lá vão eles



No Estado americano de Ohio, o 1º round vai para o democrata Barack Obama. O processo de escolha do partido democrata nos Estados Unidos é uma espécie de indicador de quem tem chances reais de chegar a Casa Branca. Isso não quer dizer que já tem a eleição garantida. Obama tem centrado seu discurso na mudança. Afirmado que irá retirar as tropas americanas do Iraque e voltar sua preocupação contra a pobreza no país, o sistema de saúde e a política ambiental, onde seu país tem sido um estorvo no avanço nesta luta. Seus opositores dentro de seu partido também tem chances. A grande surpresa foi a ex-primeira dama e atual senadora Hillary Clinton que ficou em terceiro lugar nestas primárias. Isso se deve, certamente por mostrar posições dúbias a grandes temas, como a invasão do Iraque, que votou a favor e agora se posiciona contra. Seu discurso centrado na experiência, começou a ser abandonado, mas acredito tarde demais. Os eleitores jovens americanos querem mudança, como o mundo inteiro quer, pena que eles poderiam ter pensado nisso antes de reeleger o famigerado Bush.


Links relacionados ao texto;

http://br.youtube.com/watch?v=GgJAPGw9oHw&eurl=http://www.viomundo.com.br/
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http://www.viomundo.com.br/opiniao/obama-vence-em-estado-de-brancos-e-conquista-57-dos-votos-dos-jovens/
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http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2196532-EI10863,00.html
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