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domingo, 15 de maio de 2011

Gente diferenciada invade Higienópolis para exigir Metrô

Como é interessante como parte de nossa elite econômica é tacanha, preconceituosa e reacionária. Além, óbvio, de serem extremamente individualistas em seus valores morais, que diga-se de passagem, são ultrapassados. Mas uma coisa podemos concordar, não deixam de fazer bobagem sempre quando alguma medida governamental é anunciada para atender as necessidades dos mais pobres. Um exemplo disso é a polêmica em torno de se abrir ou não uma estação de metrô no bairro Higienópolis em SP. Bairro onde parte da granfinagem paulistana reside.

Acompanhe a matéria que Maira Kubik Mano fez para a agência de notícias Carta Maior e que reproduzo aqui no Pimentus.




Eram pouco mais de 14 horas deste sábado quando cerca de mil pessoas começaram a se concentrar em frente ao shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo. O motivo? Protestar contra a mudança da futura estação de Metrô da avenida Angélica para a avenida Pacaembu. A alteração dos planos na Linha 6 – laranja teria ocorrido após a Associação Defenda Higienópolis alegar que a obra não deveria ser feita ali porque aumentaria o "número de ocorrências indesejáveis" e a área se tornaria "um camelódromo". A reportagem é de Maíra Kubik Mano.

Maíra Kubík Mano - Especial para Carta Maior



– Eu não imaginava que as redes sociais pudessem mobilizar tanta gente.

– Eu fiquei um tempão na Praça Vilaboim e não tinha ninguém. Pensei que era lá. Ainda bem que quando cheguei aqui encontrei a multidão.

– Eu acho que tem pouca gente. Mais de 50 mil confirmaram pelo Facebook e não vieram. Tem pessoas que se escondem atrás do computador, fazem ativismo só online.

Divergências à parte, o churrasco da “gente diferenciada” estava cheio. Bem cheio. Eram pouco mais de 14h quando cerca de mil pessoas começaram a se concentrar em frente ao shopping Pátio Higienópolis. O motivo? Protestar contra a mudança da futura estação de Metrô da av. Angélica para a av. Pacaembu. A alteração dos planos na Linha 6 – laranja teria ocorrido após a Associação Defenda Higienópolis alegar que a obra não deveria ser feita ali porque aumentaria o "número de ocorrências indesejáveis" e a área se tornaria "um camelódromo".

A avenida Higienópolis foi fechada rapidamente pela multidão. Um policial tentava negociar com um homem que segurava uma tigela com farofa: “Precisamos saber o percurso de vocês, para interromper o trânsito”. “Eu não sou líder do movimento, não tem ninguém aqui para responder por isso”, diz ele, virando as costas para a autoridade.

“Sou representante da associação de moradores do bairro”, grita um jovem. Silêncio. Todos querem ouvir o que ele tem a dizer. “Me enviaram aqui para dialogar com vocês. Nós queremos o Metrô sim. Mas ele tem que ser condizente com o nível do bairro. Portanto, exigimos uma ligação direta com Alphaville, Morumbi e Veneza, na Itália”. Gargalhadas correm soltas.

Eliná Mendonça, vizinha do shopping, gosta da piada. “Só que essa questão é muito séria”, alerta. “Não é verdade que a gente aqui não quer isso. Não queremos ser vistos como elitista”. Ao seu lado está Myrna Kovyomdjian, também moradora do bairro. “Meu apartamento é na rua Ceará e eu quero o Metrô aqui”, diz. “Somos 55 mil pessoas em Higienópolis. Não podemos deixar que um abaixo-assinado com 3 mil nomes impeça o transporte público.” As duas senhoras lembram que, quando o shopping foi construído, também houve muita oposição. “Ninguém queria e agora todo mundo frequenta. Com o Metrô vai ser a mesma coisa”, completa Myrna.

A Associação Defenda Higienópolis? Nenhuma pessoa ali havia ouvido falar antes das denúncias. “Eu tenho um escritório ao lado do Pão de Açúcar [onde seria construída a futura estação, na Avenida Angélica], e não passou abaixo-assinado algum por lá”, afirma a consultora de recursos humanos Márcia Hasche, tomando um café dentro do shopping.

André Vasquez de Abreu não é habituê do bairro. Pelo contrário: mora em Itaquera. Mas decidiu ir ao protesto, mesmo tão longe de casa. “Eu trabalho como atendente de telemarketing na Praça da República e sempre pego o Metrô”, justifica. “E falaram que os diferenciados viriam de Metrô. Isso é para eles verem que nós viemos de qualquer jeito”, declara Vitório Felipe, também da Zona Leste, com um espetinho de queijo na mão e um sorriso no rosto.


Cartazes dão tom de brincadeira ao protesto. “Só ando de metrô em Paris, Nova York e Londres” foi um dos que fez mais sucesso. Alguns integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) queimam uma catraca e depois assam uns espetinhos nas chamas. A cena rende fotos e vídeos para todos os jornalistas presentes.

Finalmente em marcha, os manifestantes decidem subir a avenida Angélica até o local onde estava prevista a construção da estação. A bateria anima os gritos contra o governador Geraldo Alckmin e os moradores ditos “elitistas” da região. Uma churrasqueira é carregada para cima e para baixo, acesa. Em breve, todos se dispersariam no que terminou como um grande bloco de carnaval.

“Acho que o ato cumpriu seu papel”, avalia o promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes, responsável por pedir esclarecimentos sobre o caso à Secretaria de Transportes Metropolitanos. Morador de Higienópolis, ele foi acompanhar de perto o protesto. Em entrevista mais cedo, Lopes havia dito à Carta Maior que iria averiguar a fundo a questão. “Quero saber porque o governo mudou de ideia em relação a onde colocar a estação. É preciso descobrir se, de fato, um grupo de 3.500 pessoas que fez o abaixo-assinado pode decidir pelas 25 mil que usariam diariamente essa estação de Metrô”. O governo tem 30 dias para responder seu pedido. Caso o promotor não fique satisfeito com a argumentação, solicitará a realização de estudos técnicos.

Em nota divulgada no final da semana, o Metrô reafirmou que a decisão de mudar a estação foi técnica e que está estudando a melhor localização para atender à FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), à Avenida Angélica, à Praça Vilaboim e ao estádio do Pacaembu. Entre os argumentos do governo está a proximidade com a futura estação Mackenzie – 610 metros – o que impediria os trens de adquirirem alta velocidade na linha . “Vou avaliar as distâncias entre todas as estações de São Paulo. Aquela entre a Sé e a Liberdade, na linha Vermelha, é menor ainda do que essa. Por que foi construída então?”, indaga o promotor Lopes.

Pelas andanças no bairro, apenas uma moradora se disse contrária à estação. “Já tem metro aqui perto. Santa Cecília, Barra Funda. Agora vai ter no Mackenzie. O pessoal pode caminhar, não é tão longe”, afirma Bia, que não quis revelar o sobrenome. Um de seus temores é que o bairro se desvalorize.


“Essa é a maior bobagem”, sentencia a arquiteta e urbanista Ermínia Maricato. “O Metrô valoriza os imóveis. É um serviço que todo mundo deveria querer. Isso é típico do Brasil, de uma sociedade muito desigual e preconceituosa, que não consegue conviver com a pluralidade”.



O pessoal do churrasco diferenciado bem que tentou se misturar: a cada esquina, convidavam os moradores a descer dos prédios para provar a carne.



Fotos: Maíra Kubík Mano

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Rede Globo, você não vê o Brasil dos brasileiros ali


Já falamos a respeito do MSM (Movimento dos Sem Mídia) por aqui. É um movimento civil, apartidário e que foi criado por diveras pessoas, tendo a frente Eduardo Guimarães, um cidadão consciente e que está se tornando um estudioso do tema. Mas que tema? Vc deve estar se perguntando; Sobre a Democratização dos Meios de Comunicação. Muitas pessoas não sabem, mas os meios de comunicações eletrônicos, mais especificamente Rádio e TV, funcionam sob concessão do governo federal. Mas a legislação que rege o funcionamento deste setor é anacrônico. Muitas dessas concessões foram "surtidas", (pra não dizer uma palavra mais específica) durante a Ditadura Militar. Pois bem, algumas emissoras, em especial a Rede Globo de Televisão, foram beneficiadas economicamente e politicamente ao longo de todos esses anos, em que perdurou a Ditadura. Por seu apoio a esse movimento subversivo. Devido a este diferencial, em sua história, acabou se tornando algo nocivo a sociedade, já que goza de condições privilegiadas em relação à outras emissoras. Desta forma, muito dos assuntos que a emissora aborda, vem carregado de interesses (clique no título deste texto, logo acima da foto para saber mais), como acontece com outras também, mas por esses detalhes a emissora usa desse poder político para ingerir em assuntos que não deveria ser de sua competência.

O motivo de estar falando isso é que amanhã, o MSM estará participando de um movimento de protesto em frente a Rede Globo em SP. Veja a baixo as informações que busquei no blog do Paulo Henrique Amorim;


MSM VAI RELIZAR MANIFESTAÇÃO EM FRENTE À GLOBO

A ONG MSM (Movimento dos Sem Mídia) realiza no próximo sábado, dia 10, uma manifestação em frente à sede da Rede Globo de Televisão, em São Paulo. Os manifestantes devem se reunir às 10h na Av. Dr. Chucri Zaidan, 46, Vila Cordeiro.

Os integrantes do MSM escreveram um manifesto que deve ser lido durante o ato. O documento informa que a Globo não cumpre a Constituição “porque tenta impor suas opiniões políticas” durante a programação.

Ainda segundo o manifesto, “considerável parte de seus (da Globo) jornalistas, autores, atores, humoristas, comentaristas e, sobretudo, de seus dirigentes atuam de forma político-partidária, a fim de desmoralizarem a coalizão política eleita para governar o país até 31 de dezembro de 2010.”

De acordo com Eduardo Guimarães, presidente do MSM, os manifestantes tentarão entregar o documento à Rede Globo depois da leitura em frente à sede da emissora.

O MSM já realizou uma manifestação semelhante em frente à sede do jornal Folha de S. Paulo.


http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/464501-465000/464863/464863_1.html



Links relacionados ao texto;

http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano&edicao=1387
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http://edu.guim.blog.uol.com.br/