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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CPMF

Fodeu.

Pra entender toda a história;


A batalha e a guerra da CPMF

As grandes empresas, representadas pela FIESP, não
querem que 35 bilhões de reais de sua contribuição corram o risco de ir para
investimentos sociais, nem mesmo para seus apaniguados sob a forma de retorno ao
capital financeiro através dos títulos da dívida pública. É uma luta de classes
que ninguém confessa, mas todo mundo faz.


Fico pensando como devem ser as reuniões de pauta dos grandes jornalões
brasileiros. Antes se perguntava: o que vamos publicar? Agora se perguntam: o que não vamos publicar? Imagino que deva haver uma prioridade na agenda, assim estabelecida: 1) o que não podemos nem devemos publicar de jeito nenhum; 2) o que não publicaremos a não ser que seja muito vergonhoso; 3) o que não tem jeito, temos que publicar; 4) o que queremos publicar, contra o governo Lula e a esquerda, etc. E por aí vai. No caso em pauta, a votação da CPMF, é por aí.


Por exemplo, os jornalões não podem publicar o que a imprensa internacional alardeia, que Lula é recebido no mundo inteiro como o representante legítimo do 3° Mundo. Não é Chávez, não é Evo, é Lula. Não podem publicar que a descoberta das novas jazidas petrolíferas na costa brasileira é um acontecimento tão ímpar quanto os achados de Monteiro Lobato na década de 30. Não podem publicar que o país vai dando certo, apesar de seus problemas, aliás provocados pelas políticas e governos (inclusive os ditatoriais) que esses mesmos jornalões sempre
apoiaram.


Imagino as crises de gastrite e úlcera nestas redações ao se constatar que
não só Lula sobreviveu aos ataques do suposto mensalão, como sua popularidade continua em alta, e vai bem obrigado. Que o que garantiu a reeleição de Lula foram as políticas sociais do governo, que sem elas ele estava fora, e que com elas ele saltou por cima das campanhas para derrubá-lo na curva de 2006.


O mesmo acontece agora com relação à CPMF.


Não se pode noticiar que há uma batalha e uma guerra em torno da CPMF. Mais ou menos como se segue.


Os DEMos descobriram um campo de batalha. Eles são fortes no Senado. Pobres coitados nas alianças executivas com o PSDB, na Câmara Alta eles são fortes, e podem travar batalhas decisivas. Como são fracos nos executivos estaduais, podem rifar este caráter institucional da sua representação. Afinal, os senadores representam estados, por isso a representação numérica deles é igualitária, e Sergipe, constitucionalmente, tem tantos senadores quanto São Paulo. Mas os DEMos se sentem acima disso, rifam a sua representação institucional e constitucional e passam a agir em função de seus próprios interesses. Se sentem fortalecidos, porque nos estados e no plano federal, em termos executivos, são
acaudilhados pelo PSDB. Mas no Senado podem ensaiar uma disputa para 2010, quando dois cargos do Senado, por estado, estarão em jogo, em pé de igualdade com seus aliados/adversários do PSDB. O PSDB se vê forçado a tergiversar na questão. Seus governadores, inclusive o menino dos olhos José Serra, quer a verba do imposto. Mas as alianças com os DEMos tanto em S. Paulo como no Rio periclitam. O que fazer?


Bom, uma coisa que podem fazer é recomendar moderação a seus arautos na imprensa. Outra não tem sido a posição dos jornalões, pela primeira vez
surpresos numa crise que não sabem administrar completamente. Pior que isso, só na eleição de 2006, quando o povo atropelou-os na maior. Os editoriais do Estadão (4 e 7/12) e da Folha (3/12) sobre o assunto têm sido modelares na cautela. A Folha é conhecidamente serrista, e privar Serra da CPMF, inclusive pensando no futuro, é um problema. Já o Estadão foi mais claro, e disso logo trataremos. Os DEMos, como já se disse aqui, estão travando a batalha da CPMF: querem garantir seu espaço em 2010, que é no Legislativo, e no Senado, câmara alta cujo valor corporativo para si descobriram, rifando o caráter constitucional da sua representação. Acaudilham o PSDB, que se sente fraco para contrariá-los, pois precisa do seu apoio nas gestões estaduais que mantém, embora nelas precisem da CPMF.


Mas há uma guerra da CPMF, a velha guerra de classes. Isso, Estadão e FIESP representam. Vejam só. São 40 bilhões de reais num ano. A alíquota representa só 0,38% das transações com cheques e transferências bancárias. Graças a isso, as grandes empresas se vêm obrigadas a contratar profissionais caríssimos, especialistas em tributração, para driblar a CPMF. O editorial do Estadão foi claro: se for para garantir o superávit primário (para pagar a dívida pública, 80% dela em mãos de 15 mil clãs familiares), tudo bem quanro à arrecadação. Se for para “investimentos menos rentáveis”, leiam-se, os sociais, coisa que os jornalões não têm coragem de escrever, não.


Aí, nós estamos na guerra, isto é, na velha e querida luta de classes. 72%
da CPMF é paga por pessoas jurídicas, sobretudo as grandes empresas. 28% pelas pessoas físicas. Dentro dos 28%, 22% são da classe média.Ou seja, as grandes empresas, representadas nominalmente ou pela ação política da FIESP, não querem que 35 bilhões de reais de sua contribuição corram o risco de ir para investimentos sociais, nem mesmo para seus apaniguados sob a forma de retorno ao capital financeiro através dos títulos da dívida pública. É uma luta de classes que ninguém confessa, mas todo mundo faz.


Uma coisa nisso tudo nos surpreende: os defensores do governo no Congresso, no Senado, nos partidos, foram incapazes de produzir um discurso coerente sobre a CPMF. Um sinal: lá atrás, se opuseram a ela porque era “dinheiro para o FHC”, não por uma visão estratégica do tributarismo brasileiro. As esquerdas não têm proposta para a reforma tributária, essa é a verdade verdadeira. Tudo fica na dependência das ações de Lula darem certo. Tomara que dêem. 40 bilhões de reais nas mãos do primeiro governo distributivista de renda desde Vargas não é de jogar fora.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

CPMF nelles (II)



O tema, da disputa a respeito da CPMF, é recorrente pq o governo não conseguiu resolver esta questão com os Demos. Como essa turma toda é fisiológica, estou me surpreendendo com o posicionamento deles. Incoerentes, claro. Já que foram um dos articuladores da criação do imposto e, quando no governo, ferozes defensores do mesmo. Esses tranqueiras realmente não valem nada.

Os empresários, maiores beneficiários desta não renovação, esperneiam contra seus parlamentares, financiados pelo seu capital, que irão votar pela renovação. Mas com certeza, em outros temas relevantes também, esses mesmos parlamentares continuaram a legislar para eles. Por hora os parlamentares irão se sentir intimidados por essa elite reacionária travestida de "modernos empreendedores" que seguem a lógica do mercado.

Para saber como anda esta disputa clique no título deste texto.

O texto abaixo, do Eduardo Guimarães, é muito interessante e reflete parte dessas incoerências. Típicas dos políticos de direita, mas que também não deixa imune os da esquerda, com suas exceções, claro.


Demagogia anti-CPMF
A resistência da oposição no Senado em aprovar a CPMF pode vir a se mostrar mero jogo de cena. Os governadores tucanos não querem nem ouvir falar em perder a parte dos Estados na receita do imposto. Aliás, como o PSDB acredita que já elegeu José Serra presidente da República, é bem possível que na hora agá os tucanos votem com o governo.
Esse teatro todo só está sendo levado a sério pelo PFL. Lula disse a maior das verdades quando acusou o partido de lutar contra o imposto do cheque porque não tem perspectiva de chegar ao poder. Já o PSDB, esse, em parte, poderá trair os que querem realmente acabar com a CPMF.
Aliás, todos sabemos como o Senado anda contrariando os desejos da mídia. Vejam só o caso Renan: foi absolvido duas vezes.
Não aprovar a prorrogação da CPMF seria danoso ao país. É um imposto que não pesa no bolso de ninguém e que quem paga é só quem tem como pagar. Serve para o governo ter como fiscalizar movimentações financeiras atípicas. É um imposto socialmente justo e acabar com ele é sabotagem contra o governo. É para dificultar a situação do país a fim de as pessoas ficarem descontentes com o governo na próxima eleição.
Cortes de gastos públicos são sempre bons, mas extinguir impostos é assunto delicado em qualquer parte. Quando vejo políticos que estão na oposição votarem matérias dessa importância com os olhos postos na próxima eleição, apenas, percebo como ainda estamos longe de civilizar o Brasil. Certos golpes baixos não são mais aplicados entre os adversários políticos nos países mais desenvolvidos.
Mas o impressionante mesmo é que até agora não vi ser usada a palavra demagogia para descrever o comportamento da oposição. Nem a prima pobre dessa palavra, a palavra populismo, mais em moda.

http://edu.guim.blog.uol.com.br/

terça-feira, 9 de outubro de 2007

CPMF nelles!!!!


Vocês devem estar achando que estou delirando. Mas não é verdade. Estou dentro de minhas "normais" faculdades mentais. (apesar de alguns quererem discutir o que é normal no meu caso, né?! heheheh) Pois bem, a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) veio para substituir o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF). Foi criado no governo Itamar Franco e persiste até hoje.
Acredito que é um imposto justo, pois cobra muito de quem movimenta muito dinheiro e pouco de quem movimenta pouco. Na verdade o percentual é o mesmo, a diferença recai mesmo naqueles que movimenta mais o dinheiro no banco. Se olharmos a lógica de uma sociedade capitalista; quem mais produz, menos ganha dessa produção. E quem menos produz, só administra o capital, acaba ficando com muito. Uma injustiça tremenda. Por isso acabam tendo de contribuir mais neste caso. Uma beleza. Numa sociedade hipócrita e incoerente tem de ser assim mesmo; quanto mais se tira dos bacanas e volta se o dinheiro para os pobres, melhor para todos.
Originalmente o imposto foi destinado de maneira integral ao Fundo Nacional de Saúde, para financiamento das ações e serviços de saúde, é agora destinada também ao Fundo de Combate à Pobreza. Por isso sugiro que não engrossem a fila dos oportunistas que querem acabar com este imposto que, além de dar esse sentido robinhoodiano ao imposto, fiscaliza os famosos caixa dois de empresas e empresários pilantras e de bandidos, que tentam lavar dinheiro proveniente de qualquer transação ilícita (seja de drogas, corrupção ou contravenções) já que toda operação financeira é "filtrada" para recolhimento do imposto. Não dá para sonegar. Ou seja; é o único imposto que não dá para sonegar e ainda por cima mostra os "rabinhos de elefantes" que sempre tem por aí. Não é a toa que a FIESP e a nossa elite reacionária faz essa campanha demagógica pra cima da gente. Querem a todo custo vender seu peixe. Que eles continuem pagando esse imposto sim. Nosso país agradece.

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Links relacionados ao texto;

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