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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Estadão jogou a toalha


Por Rodrigo Vianna

Primeiro, bateu o desespero na "Folha". E o sintoma (como diria Freud) foi o texto choroso de Fernando Barros e Silva a lamentar a pulverização de verbas publicitárais promovida pelo governo Lula. O jornal dos Frias segue a velha tradição: olha sempre, em primeiro lugar, para o bolso.

O "Estadão" é diferente. Olha sempre para a grande política, digamos assim. Mas nesse campo também parece haver motivos para desespero. O editorial do centenário jornal paulistano, nesta semana, é outro sintoma. O título já diz muito: "O aturdimento do PSDB".

A imprensa - como se sabe - não se conforma mais em simplesmente noticiar os fatos, a partir do ponto de vista da elite. Não. Ela subiu um degrau: passou a ser a formuladora das políticas e do discurso da elite.

Por isso, nada mais acertado do que o rótulo de "Partido da Imprensa" para caracterizar esse jornalismo decadente e choroso. Paulo Henrique Amorim acrescentou o "Golpista", e assim nasceu o genial PIG.

No editorial desta terça-feira, o PIG se manifesta. O "Estadão" lamenta que a oposição tenha "desperdiçado sua melhor oportunidade, no auge das denúncias do mensalão". Oportunidade do que? De derrubar o presidente? O "Estadão" ainda vive nos tempos da Revolução de 32! Chega a ser engraçado.

Ler editorial (ainda mais do "Estadão") é tarefa algo desgastante. Não quero fazer o leitor sofrer. Mas nesse caso vale o sacrifício, porque o texto é mais um sinal do fim de uma era.

O "Estadão" lamenta o aturdimento do PSDB. Mas é o PIG que está atordoado. As pesquisas que mostram a subida de Dilma parecem ter desorientado os formuladores da elite. Eles se apavoram fácil. Serra é mais frio. Dele, podemos esperar muito até o início do ano que vem; Roseana Sarney que o diga.

Leiam o editorial, que termina com uma frase demolidora (para as pretensões dos tucanos): "as pessoas reagem mais vivamente quando os políticos apelam antes para as suas emoções do que para o seu lado racional, o que não surpreenderá nenhum marqueteiro competente. Mas, para provocar emoções, é preciso ter o que emocione - e dessa matéria-prima o ninho tucano está vazio."


O aturdimento do PSDB (editorial publicado em 2/06/2009)


A reportagem no Estado de domingo - "Para voltar ao poder, PSDB aposta até na neurociência" - é um retrato desalentador da desorientação que os anos Lula infligiram à legenda oposicionista que em dias melhores se distinguia por reunir um patrimônio intelectual incomum para os padrões partidários nacionais. Com dois presidenciáveis de peso, o governador paulista José Serra e o seu colega mineiro Aécio Neves, mas desprovido de "discurso", o sinônimo corrente de mensagem, os tucanos também tateiam em busca de um caminho para chegar ao eleitorado que decidirá a sorte da sucessão de 2010 - os 58 milhões de brasileiros, ou 45% do total de votantes potenciais, que podem escolher tanto um candidato do PT como do PSDB, segundo as pesquisas.

Em português claro, os tucanos não sabem nem o que dizer nem como dizê-lo. De tal modo Lula conseguiu assumir a paternidade da política econômica e dos projetos sociais implantados sobretudo no segundo mandato do presidente Fernando Henrique que 67% dos entrevistados numa sondagem para este jornal, em 2007, apontavam o seu sucessor como o maior responsável pela estabilidade da economia. E vá um tucano dizer a qualquer dos 45 milhões de beneficiários do Bolsa-Família que o programa descende em linha direta do Bolsa-Escola do governo FHC e a reação variará entre a incredulidade e o escárnio. Melhor faria, como Serra e Aécio já afirmaram que farão, se elogiasse a benesse e prometesse ampliá-la.

Os tucanos tampouco ignoram que seria uma temeridade apresentar propostas de governo cuja sustentação os obrigue a contrastá-las criticamente com as práticas atuais, como é normal em política. É um paradoxo. Por um lado, não falta o que apontar - a enxundiosa, aparelhada e em geral incompetente máquina administrativa que, para citar o mais simbólico dos exemplos, foi incapaz de concluir nos dois últimos anos mais do que ínfimos 3% das obras previstas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Por outro lado, expor os fracassos da gestão Lula sem atacar o seu responsável primeiro exigiria malabarismos semânticos provavelmente fora do alcance dos mais talentosos marqueteiros.

Aprovado por 70% da população e reprovado por 6%, o presidente, em suma, se tornou um tabu. Tanto assim que Aécio Neves vive falando que a agenda eleitoral de 2010 só poderá ser o "pós-Lula", como se isso fosse possível quando o próprio presidente avisa que, a se confirmar a candidatura da ministra Dilma Rousseff, a campanha fará tudo para ressaltar a identidade entre eles. Lula chegou até a conceber um mote imaginário para isso: "Dilma é o terceiro mandato." De quebra, há o fato inegável de que, para uma parcela substancial do eleitorado, o mau desempenho administrativo é uma abstração irrelevante perto das melhoras concretas nas suas condições de vida. Na campanha de 2006, o PSDB martelou a questão. Perda de tempo, como se viu.

Mas Lula não teria conseguido sequestrar a política nacional e ditar os termos das disputas eleitorais se, depois de desperdiçar a sua melhor oportunidade, no auge das denúncias do mensalão, quando ele cogitou seriamente de desistir da reeleição, os tucanos não tivessem sido acometidos de uma catatonia desmoralizante. Agora, diante de um prato feito - os vexames em série proporcionados pelos políticos no Congresso e respaldados pela complacência cínica do presidente da República -, o máximo que os tucanos fizeram foi ecoar burocraticamente, e olhe lá, as denúncias da imprensa. Nenhuma palavra, por exemplo, contra o titular do Senado e aliado de Lula, José Sarney, que estarreceu a opinião pública ao dizer que não sabia que todo mês R$ 3.800 eram depositados na sua conta a título de um auxílio-moradia de resto injustificado.

No seu aturdimento - e à falta de espinha dorsal -, o PSDB encomenda pesquisas para descobrir o que o eleitor quer (!) e vai se abeberar nas teorias do neurocientista americano Drew Westen, cujos experimentos o levaram a concluir que as pessoas reagem mais vivamente quando os políticos apelam antes para as suas emoções do que para o seu lado racional, o que não surpreenderá nenhum marqueteiro competente. Mas, para provocar emoções, é preciso ter o que emocione - e dessa matéria-prima o ninho tucano está vazio.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Trabalhador organizado só no sindicato


Temos a dimensão da exploração sobre a classe trabalhadora quando temos a informação de quanto ela é atacada em seus direitos. Estou dizendo isso porque trabalho numa entidade sindical na qual luta para organizá-la e prepará-la não só para defender suas conquistas, mas avançar na luta. Somente através da organização é que os trabalhadores conquistaram diversos direitos. A luta individual não é interessante. Tem de ser coletiva. O trabalhador precisa sentir-se parte de algo maior. Gostaria de usar como exemplo a categoria dos Radialistas. Trabalhadores que trabalham em empresas de radiodifusão; Rádio, TV, produtoras de programas e comerciais tanto para emissoras de rádio ou televisão. Devido a sua organização no passado conquistaram diversos direitos, que vai da necessidade do registro profissional para exercer mais de 90 funções, a remuneração sobre o salário quando exerce mais de uma função dentro de um mesmo setor e outro contrato de trabalho e, consequentemente, outro salário por exercer mais de uma função em setores diferente. Sem falar na carga horária diferenciada, que varia, conforme a função de 6 horas até 8 horas. Os radialistas, através do sindicato travam lutas constante para manter estas conquistas que todo ano o patronal tenta retirar. A maneira mais insólita deles fazerem isso é não cumprir a Lei. Se os trabalhadores não denunciarem ao sindicato, como modificar estar situação? Esperar que o patrão coloque a mão na consciência?! Quem esperar isso, nem precisa ficar sentado, pode ir deitando na sepultura. E pior, vendo seus filhos perdendo estes direitos por inércia de sua parte.

Estar cientes de que todos os benefícios que temos hoje não vieram de graça. É se prontificar para a luta que o sindicato da categoria possa chamar. É digo com absoluta certeza que esta luta acontece todos os anos os anos durante a campanha salarial. Que no caso dos radialistas do Estado de São Paulo acontece no mês de maio e geralmente acaba se estendendo pelo mês de junho. Como está acontecendo este ano.

O refluxo da luta é um fenômeno que tem acopanhado a categoria há muitos anos e tem se intensificado. Quanto menos consciência de que estamos sendo vítimas da exploração, menor o interesse em fazer o enfrentamento contra os interesses do patrão. E isso só tende a resultar em mais exploração salarial, mais ataques em nossos direitos e sermos vítimas regulares de demissões por parte da empresa. A luta coletiva nos faz ser fortes. Ultrapassamos a dimensão individualista para alcançar um patamar evolutivo que infelizmente a maioria ainda não se deu conta que podemos ter. O primeiro passo neste sentido é estar sócio de sua entidade de classe. Acompanhar atentamente as discussões que a diretoria traz para a categoria. Seja em atos políticos ou através do informativo do sindicato. A entidade sindical é a casa do trabalhador. O seu espaço onde possa levar seus anseios e buscar respostas que, por muitas vezes, procuramos em outros lugares.

Se vc ainda não se sindicalizou ou não procurou saber sobre as lutas que o sindicato de sua categoria está fazendo, já está na hora. Se ao contrário de conduzir uma luta pelos interesses dos trabalhadores o sindicato está inerte, está na hora de vc, junto com outros companheiros apresentarem uma alternativa. Não ficarão sozinhos, podem acreditar.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Economistas dos EUA defendem resindicalização de trabalhadores


Um grupo de 40 importantes economistas dos Estados Unidos - incluindo, entre outros, Joseph Stiglitz, Jeffrey Sachs e James Galbraith - assinou uma declaração defendendo a importância de os trabalhadores voltarem a fazer parte de sindicatos para enfrentar a crise econômica. Só 7,5% dos trabalhadores do setor privado dos EUA estão neste momento representados por uma organização sindical. E, em todo ano de 2007, menos de 60 mil trabalhadores conseguiram ocupar uma posição sindical mediante eleições sancionadas pelo governo.


SinPermiso em Carta Maior


Ainda que seu colapso tenha dominado a cobertura recente dos notícias nos meios de comunicação, o setor financeiro não é o único segmento da economia estadunidense que atravessa graves dificuldades. As instituições que governam o mercado de trabalho também fracassaram, gerando a insólita e insana situação atual, em que a remuneração dos trabalhadores norte-americanos estancou, apesar do aumento de sua produtividade.

Com efeito, entre 2000 e 2007, a renda familiar média das pessoas em idade economicamente ativa caiu 2000 dólares, uma queda sem precedentes. Nesse período, praticamente todo o crescimento econômico do país foi parar nas mãos de um reduzido número de ricos estadunidenses. Uma das razões de peso que explicam esse passo, de uma prosperidade amplamente compartilhada a uma desigualdade crescente é a erosão da capacidade dos trabalhadores de se organizarem sindicalmente e de negociarem coletivamente.

Uma resposta natural dos trabalhadores, incapazes de melhorar sua situação econômica é se organizarem sindicalmente para negociar uma participação mais equitativa nos resultados da economia, e esse desejo está bem refletido nas pesquisas recentes. Milhões de trabalhadores – mais da metade dos que têm cargos executivos – disseram que desejam a presença de sindicatos em seu posto de trabalho. Contudo, só 7,5% dos trabalhadores do setor privado estão neste momento representados por uma organização sindical. E, em todo ano de 2007, menos de 60 000 trabalhadores conseguiram ocupar uma posição sindical mediante eleições sancionadas pelo governo. O que é que explica tamanho hiato?

O problema é que o processo eleitoral supervisionado pelo Comitê Nacional de Relações de Trabalho degenerou-se e se tornou hostil, com campanhas ferozes da classe patronal para evitar a sindicalização, às vezes ao ponto de incorrerem em flagrante violação da legislação trabalhista. Os simpatizantes dos sindicatos são rotineiramente ameaçados e mesmo demitidos, e têm poucos recursos efetivos para se defenderem legalmente. E, quando os trabalhadores conseguem superar essa pressão e votar pela presença dos sindicatos nos postos de trabalho, dada a resistência patronal, uma em cada três vezes não conseguem contratos.

Para remediar essa situação, o Congresso está debatendo a oportunidade da Lei de Liberdade de Eleição dos Empregados (EFCA, em sua sigla em inglês). Essa lei cumpriria três propósitos: em primeiro lugar, daria aos trabalhadores a oportunidade de usar um mecanismo de listas majoritárias – instituindo um procedimento simples para que os trabalhadores possam indicar, com uma mera assinatura, seu apoio à presença sindical no posto de trabalho -, ou de pôr em marcha eleições supervisionadas pelo Comitê Nacional de Relações Trabalhistas; em segundo lugar, triplicaria a punição dos empresários que demitissem sindicalistas ou violassem outras leis trabalhistas ; e, em terceiro lugar, criaria um processo capaz de garantir que se dê aos empregados recém sindicalizados uma oportunidade justa para obter um primeiro contrato, podendo recorrer a uma arbitragem depois de 120 dias de negociações infrutíferas.

A EFCA refletirá melhor os desejos dos trabalhadores do que a atual “guerra em torno da representação”. A lei também rebaixará os níveis de aridez e desconfiança que agora acompanham, amiúde, as eleições sindicais sob o atual sistema.

Uma maré crescente só levanta todos os botes quando o trabalho e a classe patronal negociam em condições de igualdade relativa. Nas últimas décadas, o grosso do poder de negociação tem estado do lado patronal. A recessão atual seguirá debilitando a capacidade dos trabalhadores de negociarem individualmente. Mais do que nunca, os trabalhadores precisam atuar coletivamente.

A EFCA não é uma panacéia, mas restauraria certo equilíbrio em nossos mercados de trabalho. Como economistas, acreditamos que é de vital importância avançar na reconstrução de nossa vida econômica e robustecer nossa democracia fortalecendo a voz do povo trabalhador nos postos de trabalho.

Assinam essa declaração: Henry J. Aaron, Brookings Institution; Katharine Abraham, Universidade do Maryland; Phillipe Aghtion, Instituto de Tecnologia de Massachusetts [MIT, na sua sigla em inglês]; Eileen Appelbaum, Universidade Rutgers; Kenneth Arrow, Universidade Stanford; Dean Baker, Centro para a Pesquisa em Economia e Política; Jagdish Bhagwati, Universidade Columbia; Rebecca Blank, Brookings Institution; Joseph, Universidade Rutgers; Alan S. Blinder, Universidade Princeton; William A . Darity, Universidade Duke; Brad DeLong, Universidade da Califórina/Berkeley; John DiNardo, Universidade de Michigan; Henry Farber, Universidade Princeton; Robert H. Frank, Universidade Cornell; Richard Freeman, Universidade Harvard; James K. Galbraith, Universidade do Texas; Robert J. Gordon, Universidade Noroeste; David Lee, Universidade Princeton; Frank Levy, MIT; Lisa Lynch, Universidade Brandeis; Ray Marshall, Universidade do Texas; Lawrence Mishel, Instituto de Política Econômica; Robert Pollin, Universidade do Massachusetts; William Rodgers, Universidade Rutgers; Dani Rodrik, Universidade Harvard; Jeffrey D. Sachs, Universidade Columbia; Robert M. Solow, MIT; William Spriggs, Universidade Howard; Joseph E. Stiglitz, Universidade Columbia; Peter Temin, MIT; Mark Thoma, Universidade do Oregon; Lester C. Thurow, MIT; Laura Tyson, Universidade da Califórnia/Berkeley; Paula B. Voos, Universidade Rutgers; David Weil, Universidade Boston; Edward Wolff, Universidade Nova York.

Tradução: Katarina Peixoto

sexta-feira, 29 de maio de 2009

CPI da Petrobras e a privataria de FHC


Por Altamiro Borges

Após a cochilada dos senadores da base aliada, que permitiu a instalação da CPI da Petrobras e presenteou a raivosa oposição demo-tucana com um palanque eleitoral, o presidente Lula parece que resolveu enfrentar a batalha de cabeça erguida, não se curvando ao sensacionalismo da mídia hegemônica. Com base nos critérios regimentais e na tradição do Senado, o governo indicou a maioria dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito e ainda escalou parlamentares mais afiados para a acirrada contenda. O senador João Pedro -PT-AM (foto acima), um dos cotados para presidir a CPI da Petrobras, já demonstrou que não está para brincadeiras com a oposição de direita.

Em entrevista nesta quarta-feira (27), o senador amazonense defendeu que a comissão investigue também a gestão da empresa durante o reinado de FHC (1995-2002). “Acho que temos que ir ao passado. Temos que investigar os gestores do governo Fernando Henrique, o acidente da plataforma P-36 e outros acidentes gravíssimos que ocorreram na administração anterior”. Esta simples hipótese apavora os tucanos, que quase destruíram a Petrobras com o nítido objetivo de privatizar esta empresa estratégica para a soberania e o desenvolvimento do país. A investigação da “privataria” e o povo nas ruas são duas coisas que metem mais medo à dupla PSDB-DEM.

Tucanos quase destruíram a Petrobras

Caso a CPI resolva trilhar este caminho, o que teria um papel pedagógico na conscientização da sociedade sobre os estragos causados pelos neoliberais, ela poderia seguir o roteiro de denúncias elaborado pela Associação dos Engenheiros da Petrobras. Num texto disponibilizado no seu sítio, ela lista vários danos causados pelos tucanos à empresa. Abaixo, uma síntese do documento:

- 1993. Como ministro da Fazenda, FHC propôs um corte de 52% no orçamento da Petrobras. A medida, que inviabilizaria a empresa, foi abafada pelo estouro do escândalo dos “anões do orçamento”. Todavia, ela causou um atraso de cerca de seis meses na programação da Petrobras, que teve de mobilizar as suas melhores equipes para rever os projetos da empresa;

- 1994. Ainda como ministro da Fazenda, manipulou a estrutura de preços dos derivados. Nos seis meses que antecederam ao Plano Real, a Petrobras teve aumentos mensais na sua parcela dos combustíveis em valores 8%, bem abaixo da inflação. Já o cartel internacional das distribuidoras de derivados obteve aumentos de 32%, acima da inflação. Isto significou uma transferência anual de cerca de US$ 3 bilhões do faturamento da Petrobras para o cartel estrangeiro;

- 1995. Em fevereiro, já como presidente, FHC baixou o decreto 1403 que instituiu um órgão de inteligência, o SIAL, Serviço de Informação e Apoio Legislativo, com o objetivo de espionar os funcionários de estatais que fossem ao Congresso Nacional prestar esclarecimentos. Descobertos, eles seriam demitidos. Assim, os parlamentares ficaram reféns das manipulações de FHC e da mídia comprometida com o projeto de privatização da Petrobras.

Violência na greve e revisão constitucional

- 1995. FHC também deflagrou a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, que foi o pior contrato da história da Petrobras. O governo suspendeu quinze projetos de hidrelétricas em diversas fases para tornar o gasoduto irreversível. Este fato, mais tarde, causaria o “apagão” do setor elétrico. A medida beneficiou as multinacionais, comandadas pela Enron e Repsol, que na época eram donas das reservas de gás naquele país. Como a obra era economicamente inviável (taxa de retorno de 10% ao ano e custo financeiro de 12% ao ano), o governo determinou que a Petrobras assumisse a construção. Ela foi forçada a destinar recursos da Bacia de Campos, onde a taxa de retorno era de 80%, para investir nesse empreendimento, prejudicial ao país e lucrativo para as multinacionais.

- 1995. FHC rompeu o acordo salarial firmado com os petroleiros, provocando uma greve de 30 dias da categoria. Com o propósito de fragilizar o sindicalismo e a resistência às privatizações, o governo acionou tropas do Exercito, ocupou refinarias, demitiu lideranças e multou sindicatos. Também deixou as distribuidoras multinacionais de gás e combustíveis sonegarem os produtos, pondo a culpa da escassez nos petroleiros. No fim, elas levaram 28% de aumento, enquanto os petroleiros perderam até o reajuste de 13% já pactuado e assinado. Durante a greve, “uma viatura da TV Globo foi apreendida nas proximidades de uma refinaria com explosivos. Provavelmente, pretendendo uma ação de sabotagem que objetivava incriminar os petroleiros”.

- 1995. FHC comandou a revisão constitucional que efetivou graves alterações no setor, como a mudança do conceito de empresa nacional, que permitiu a invasão das multinacionais na área de minérios; a quebra do monopólico da navegação de cabotagem, que permitiu o transporte de riquezas sem qualquer controle; o fim do monopólio do gás canalizado, entregando a distribuição às empresas estrangeiras; e a quebra do monopólio estatal do petróleo, uma das mais graves medidas desnacionalizantes e privatizantes do governo FHC.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ameaçado de morte, pescador é executado seis horas após protesto



O pescador que havia denunciado ameaças de morte foi espancado e executado com cinco tiros, no rosto e na nuca. Há forte indícios de que morte esteja ligada a protestos e denúncias contra empresa GDK

O pescador que havia denunciado ameaças de morte foi espancado e executado com cinco tiros, no rosto e na nuca. Há forte indícios de que morte esteja ligada a protestos e denúncias contra empresa GDK



por Michelle Amaral da Silva
pela Agência Brasil de Fato


Leandro Uchoas,

de Magé (RJ)


Às 10h30 desse domingo, foi enterrado o pescador assassinado na madrugada de sexta-feira, em Magé-RJ, sob clima de forte emoção e presença maciça de moradores e representantes de movimentos sociais. O crime que surpreendeu e chocou a cidade aconteceu em condições misteriosas. Paulo César Santos, de 45 anos, foi morto apenas seis horas depois da interdição das obras da empresa GDK, que ocorreu por denúncias da Associação dos Homens do Mar (Ahomar) da qual Paulo era tesoureiro.


Ainda não há provas claras da relação entre o assassinato e a interdição da obra. Entretanto, os indícios são incontáveis. Os pescadores da Ahomar vinham relatando ameaças de morte e atentados há meses. Denunciando violações de leis ambientais e trabalhistas, organizaram uma manifestação de 38 dias no mar, dificultando a continuidade das obras da GDK – que junto à Oceânica toca o projeto GLP da Petrobrás, uma das intervenções do PAC na Baía da Guanabara. A manifestação só parou após violenta ação repressiva do Grupo Aéreo Marítimo (GAM) e o Batalhão local (intervenção considerada arbitrária e ilegal pela juíza da Vara Cível de Magé, Suzana Cypriano).


O assassinato de Paulo ocorreu em condições estranhas. Às 11h30 da sexta-feira, três homens brancos entraram na casa do pescador, e o retiraram. Sua esposa e filhos permaneceram no interior, ouvindo as agressões e gritos. O pescador levou pancadas durante meia hora. A esposa alegou que só ouviu dos invasores perguntas sobre documentos, e sobre o presidente da Ahomar, Alexandre Anderson. Paulo foi assassinado com cinco tiros, sendo três no rosto e dois na nuca. Os matadores fugiram, da casa, levando alguns papéis. Estavam em um golf branco, com a placa vedada. Paulo estava afastado do movimento da Ahomar por questões de saúde.


Segundo Alexandre Anderson, o pescador estava muito tenso nos últimos tempos, e teria lhe pedido de forma muito enfática, na segunda-feira que antecedeu o crime, para que fosse embora de Magé. Alexandre já foi ameaçado de morte inúmeras vezes, e sofreu um sério atentado no último 1° de maio.


O projeto tem inviabilizado a atividade de pesca artesanal, e impactado seriamente o meio-ambiente da região, onde vivem cerca de 3 mil pescadores. A interdição da obra ocorreu por volta das 17h40 da sexta-feira, numa auditoria conjunta das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e da Fazenda, e o Conselho Municipal de Meio-ambiente. Foram encontradas, pelo menos, 42 irregularidades no projeto, inclusive no processo de licenciamento do projeto.


Segundo os pescadores, a Petrobrás não se reuniu em nenhum momento para negociar alternativas. Na próxima quarta-feira, está previsto um ato de protesto em frente à empresa, no Centro do Rio. Também se planeja para junho uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Fora as supostas violações ambientais, trabalhistas, e ao patrimônio histórico local, a Ahomar acusa a empresa de boicotar participantes e familiares de manifestantes dos empregos na empresa. A pesca teria sido reduzida em até 70% na região.

terça-feira, 26 de maio de 2009

A batalha da mídia na América Latina

A "Batalha da Mídia" reúne ensaios que discutem o papel da comunicação na luta pela hegemonia política e cultural na sociedade contemporânea. Dênis de Moraes revela, entre outras coisas, como a ação do Estado, em vários países da América Latina, tem sido reorientada para tentar reverter uma das piores heranças do neoliberalismo: a concentração dos setores de informação e entretenimento nas mãos de um reduzido número de corporações nacionais e transnacionais.

A "Batalha da Mídia" (Editora Pão e Rosas, 272 páginas, R$ 42,00), de Dênis de Moraes, reúne ensaios que discutem o papel da comunicação na luta pela hegemonia política e cultural na sociedade contemporânea. Além de analisar a influência da mídia na propagação dos valores do mercado e do consumismo, o autor analisa experiências que se propõem a democratizar os processos comunicacionais, seja através de políticas públicas inovadoras ou de formas colaborativas e participativas de difusão na Internet.

O lançamento do livro ocorrerá no dia 18 de junho, quinta-feira, a partir das 19h, na Blooks Livraria (Unibanco Arteplex), Praia de Botafogo, 316 – Botafogo (Tel: 21 2559-8776).

O livro é composto por quatro ensaios: "Imaginário social, hegemonia cultural e comunicação"; "Cultura tecnológica, inovação e mercantilização"; "Governos progressistas e políticas de comunicação na América Latina"; "Ativismo em rede: comunicação virtual e contra-hegemonia".

No principal ensaio, Dênis de Moraes revela como a ação do Estado, em vários países da América Latina, tem sido reorientada para tentar reverter uma das piores heranças do neoliberal ismo: a concentração dos setores de informação e entretenimento nas mãos de um reduzido número de corporações nacionais e transnacionais. Conforme aponta o autor, as novas políticas de comunicação de governos progressistas da região buscam viabilizar legislações antimonopólicas, apoiar meios alternativos e comunitários e estimular a produção audiovisual independente.

Este amplo painel também avalia resistências e desafios postos aos governos que se dispõem a promover a diversidade e o pluralismo. Entre os países analisados estão Brasil, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicáragua, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile.

Como ressalta Virginia Fontes no prefácio, "A Batalha da Mídia" tem uma importância singular nestes tempos de crise global, na medida em que aponta o quanto ainda precisamos avançar, em termos de alternativas contra-hegemônicas, "para um mundo no qual a informação, a comunicação e a cultura estejam plenamente socializados", ao mesmo tempo em que evidencia conquistas acumuladas nos últimos anos pelos setores populares no campo da comunicação, sobretudo na América Latina.

Sobre o autor


DÊNIS DE MORAES nasceu no Rio de Janeiro em 1954. É doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-doutor pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO), sediado em Buenos Aires, Argentina. É professor associado do Departamento de Estudos Culturais e Mídia e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Autor e organizador de diversos livros, entre os quais Cultura mediática y poder mundial (Norma, 2006), Sociedade midiatizada (Mauad, 2006), Combates e utopias: os intelectuais num mundo em crise (Record, 2004), Por uma outra comunicação: mídia, mundialização cultural e poder (Record, 2003), O concreto e o virtual: mídia, cultura e tecnologia (DP&A, 2001), O planeta mídia: tendências da comunicação na era global (Letra Livre, 1998), Vianinha, cúmplice da paixão (Record, 2000), O velho Graça: uma biograf ia de Graciliano Ramos (José Olympio, 1992) e
O rebelde do traço: a vida de Henfil (José Olympio, 1996).


domingo, 24 de maio de 2009

Marx, as crises e a "desregulação financeira"


A causa das crises econômicas, do ponto de vista marxista, é sempre o excesso de acumulação de capital, que, a partir de determinado momento, não encontra condições de se realizar. Ao permitir a queima de capital, as crises liberam espaço para a continuidade do processo de acumulação. Há quase três décadas, porém, o capitalismo vem sendo comandado pelo lado financeiro, e isso introduziu mudanças significativas na forma de operar do sistema. O artigo é da economista Leda Paulani, o terceiro da série "Marxismo e Século XXI", organizada pela Carta Maior, com curadoria de Chico de Oliveira.

Leda Paulani*

No terceiro texto da Série ‘Marxismo e Século XXI” - seminário virtual organizado por Carta Maior, com curadoria do sociólogo Chico de Oliveira - a economista Leda Paulani aborda a conceituação das crises cíclicas do capitalismo. Ela explica que Marx enxerga nas crises uma característica definidora do capitalismo, o modo pelo qual o sistema funciona, não o modo pelo qual ele falha. A causa das crises, do ponto de vista marxista, é sempre o excesso de acumulação de capital, que, a partir de determinado momento, não encontra condições de se realizar. Ao permitir a queima de capital, as crises liberam espaço para a continuidade do processo de acumulação. Há quase três décadas, porém, o capitalismo vem sendo comandado pelo lado financeiro, e isso introduziu mudanças significativas na forma de operar do sistema. Leia o artigo de Leda Paulani.

Em artigo de seu clássico livro The Wordly Philosophers, Robert Heilbroner afirma que, conforme Marx, as crises servem para renovar a capacidade de expansão do sistema, sendo assim o modo pelo qual ele funciona, não o modo pelo qual ele falha. Não há forma mais concisa para expressar o que pensava o profeta mouro desses fenômenos.

Bem ao contrário do que postula a economia convencional, para a qual o estado normal da economia capitalista é a harmonia e o equilíbrio, sendo as crises momentos incomuns, rapidamente corrigidos se o mercado for deixado em paz, Marx enxerga nesses eventos a característica definidora do capitalismo. Vendo-o como um sistema complexo e dinâmico, movido a contradições, esses episódios são, para ele, tão naturais quanto necessários.

Na visão de Marx, a crise é o momento em que as contradições se materializam e exigem solução, sob pena de se comprometer a viabilidade do sistema. A causa das crises é sempre o excesso de acumulação de capital, que, a partir de determinado momento, não encontra condições de se realizar. Ao permitir a queima de capital, as crises liberam o espaço para a continuidade do processo de acumulação.

Tanto nos momentos de aceleração e auge quanto nos de desaceleração e crise, o lado produtivo e o lado financeiro operam combinadamente, cabendo ao último um papel multiplicador, pois ele tende a inflar a economia nos momentos de crescimento, tornando mais profundos, por conseqüência, os momentos de crise. Mas o pressuposto aí é que o lado produtivo comande o processo (o que não significa que ele possa por isso ficar imune ao trabalho amplificador que o lado financeiro produz).

Há quase três décadas, porém, o capitalismo vem sendo comandado pelo lado financeiro, e isso introduziu mudanças significativas na forma de operar do sistema. A riqueza financeira, constituída em boa parte por aquilo que Marx denominou capital fictício, cresce exponencialmente, enquanto o crescimento da renda real (PIB) e, por conseguinte, da riqueza real, dá-se de modo muito mais lento.

Com isso, o sistema fica estruturalmente frágil, dado que o caráter rentista da propriedade do capital se choca com o desenvolvimento vagaroso da produção de valor excedente. As pressões que se exercem sobre o setor produtivo são por isso enormes, justificando toda sorte de barbarismos e retrocessos na relação capital-trabalho. Ademais, o sistema fica muito mais exposto às crises provocadas pelos movimentos dos estoques de riqueza (ativos), que caracterizam o lado financeiro do sistema.

Dos anos 1980 para cá, o capitalismo já experimentou pelo menos cinco grandes crises, contando a maior delas, esta que ora presenciamos. Todas essas conturbações foram provocadas pela intensa mobilidade do capital financeiro planeta afora, com a recorrente formação e estouro de bolhas de ativos. A forma de “resolver” essas crises tem jogado para frente, de forma magnificada, o mesmo problema, pois busca salvar a riqueza financeira da fogueira que ela mesma provoca.

(*) Leda Paulani é professora titular do Departamento de Economia da FEA/USP

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Pesquisa apresenta nome de Dilma já entre os primeiros



Em tempos de tentativas de criar a "CPI da privatizaçao da Petrobrax" o Partido dos Trabalhadores encomendou pesquisa à Vox Populi na qual, surpreendentemente, apresenta o nome de Dilma entre os primeiros nomes de presidenciáveis em diversos cenários. Acompenhem abaixo a pesquisa apresentada no blog do Rovai.



Dilma já lidera e chega a 25% em cenário com Aécio

A Pesquisa encomendada pelo PT à Vox Populi, com margem de erro de 2,2% e queu ouviu 2 mil pessoas entre 2 e 7 de maio, traz resultados bastante alentadores para a candidatura da ministra Dilma Roussef. Veja os números:

Sentimento sobre o Brasil
- 67% estão satisfeitos ou muito satisfeitos, igual a maio de 2008;
- 27% estão insatisfeitos; 5% muito insatisfeitos
- Para 60%, Brasil melhorou nos últimos anos
- Para 14%, piorou
- Para 56%, vai melhorar nos próximos 2 anos
- Para 13%, vai piorar

Preferência partidária
- PT tem 29% da preferência partidária; alta de 4 pontos em relação a 2008 e de 10 pontos sobre 2004.
- PMDB tem 8%; PSDB tem 7%; e DEM tem 1%
- Eleitores sem preferência: 49%, queda de 15 pontos em relação a 2004 (64%)

Rejeição Partidária
- PT tem 8% de rejeição, estável em relação a 2008
- PMDB tem 5%; PSDB tem 5%; e DEM tem 3%
- 67% não rejeitam nenhum partido, queda de 2 pontos em relação a 2008 (69%)

Imagem partidária
- Primeiro partido que vem à cabeça: PT, 35%; PMDB, 24%; PSDB, 14%.

Avaliação do PT
- 59% têm muita ou alguma simpatia pelo PT, aumento de 12 pontos sobre 2008
- 81% acham o PT forte ou muito forte, aumento de 5 pontos em relação a 2008
- 65% consideram positiva a atuação do PT na política, aumento de 5 pontos sobre 2008
- Para 70%, o PT ajuda o Brasil a crescer, aumento de 5 pontos sobre 2008

Opiniões sobre o PT
- É dinâmico e trabalhador: 75%, contra 69% em 2008
- É moderno, com idéias novas: 75%, contra 69% em 2008
- Deve ter candidato próprio à Presidência: 68%, contra 67% em 2008

Governo Lula (Desempenho do presidente)
- Avaliação positiva: 87% (ótimo, bom e regular positivo), contra 84% em 2008
- Avaliação negativa: 13% (ruim, péssimo e regular negativo), contra 15% em 2008

Melhores ações do governo
- Programas sociais, 36%; política econômica, 19%; Educação, 8%; Habitação, 7%

Eleições (partido do próximo presidente)
- Para 34%, próximo presidente deve ser do PT

Projeto de país
- Para 73%, próximo presidente deve continuar com todas ou com a maioria das atuais políticas, contra 68% em 2008.

Candidato apoiado por Lula
- 23% votam com certeza no candidato apoiado por Lula
- 41% pode votar, dependendo do candidato
- 10% não votam
- 22% não levam isso em consideração

INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE, 1º turno, estimulada

Cenário 1
Ciro, 23%; Dilma, 21%; Aécio, 18%; Heloísa, 10%; Branco/Nulo/NS, 18%

Cenário 2
Serra, 36%; Dilma, 19%; Ciro, 17%; Heloísa, 8%; Branco/Nulo/NS, 19%
Comparativo: Em relação a maio de 2008, Dilma subiu 10 pontos; Serra caiu 10 pontos; e Ciro caiu 6 pontos.

Cenário 3
Dilma, 25%; Aécio, 20%; Heloísa, 16%; Brancos/Nulos/NS, 40%

Cenário 4
Serra, 43%; Dilma, 22%; Heloísa, 11%; Branco/Nulo/NS, 24%

Cenário 5
Serra, 48%; Dilma, 25%; Branco/Nulo/NS, 37%

Rejeição
Heloísa Helena, 17%; Aécio, 13%; Serra, 12%; Dilma, 11%; Ciro, 9%.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Já nas bancas a Revista Forum. Não percam!

Não deixe de ler a Revista Forum deste mês de Maio. Com mais uma entrevista bombástica e matérias sobre assuntos atuais a Revista Forum vem se consolidando como uma publicação independente e alternativa à mídia corporativa.

Nossa contribuição, no sentido de garantir a permanência deste veículo, nos brindando com excelentes reportagens e entrevistas esclarescedoras, vai muito mais além do que adquirir ela nas bancas. Temos de divulgá-la.

Se vc ainda não a conhece, conheça o site ou passe hoje em uma banca para adquirir a sua. Você não irá se arrepender.

Na edição 74 da revista Fórum você confere uma entrevista do delegado que comandou a Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz. Ele comenta as dificuldades da investigação que levou à prisão Daniel dantas e também analisa a gênese do processo que consolidou o poder do banqueiro: as privatizações.
O delegado, hoje afastado da Polícia Federal, também responde às críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que o chamou de “amalucado” em um programa de televisão. “O que FHC externa hoje consolida todo o seu passado duvidoso e comprometido com valores que não os meus.” Ele também criticou o papel da mídia após a prisão de Dantas e vaticinou: “há muitos editoriais manipulados. Só se podem ver fatos assim na imprensa nazista”.

Confira também: Onde estão os intelectuais? - os pensadores da atualidade se dividem em múltiplos papéis e são hoje bem menos participantes nas discussões dos rumos do país do que outrora. Saiba o porquê disso nesta edição.
A ecologia servindo de desculpa para a exclusão – como o discurso ambiental dissociado da questão social e da realidade dos moradores de favelas cariocas tem servido para culpabilizar os pobres pelos males da Cidada Maravilhosa.
Mais do que um perfil na internet – consultores políticos e comandantes da campanha de Barack Obama discutem quais os principais legados da vitória do democrata e como as campanhas da América Latina devem se posicionar no cenário atual.
A Barca, uma aventura brasileira – veja como um grupo paulista percorre o Brasil registrando e recriando as mais diversas manifestações culturais do país.

E muito mais. Acesse aqui a edição de maio da revista Fórum

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Até onde vai o oportunismo político de Carlos Hernandes?


Até que ponto chega o oportunismo político?

Em Araçatuba, interior de São Paulo, como provavelmente em outras cidades, o PT passa a ser objeto de interesses que beiram a esquisofrenia. Para nós, né?! Sei que o partido está mudando, infelizmente cada vez mais se distanciando de seus princípios e compromisso com a classe trabalhadora.

Com o crescimento do PT, inexoravelmente este foi perdendo sua identidade por admitir entre seus quadros pessoas que não pensam como seus fundadores e sua militância. Que não tem compromisso com princípios históricos que motivaram nossos companheiros do passado a construir um importante instrumento de luta dos trabalhadores.

Algumas pessoas, em alguns momentos, acabam sendo usadas para o enfrentamento entre as correntes internas do partido e não tendo nenhuma participação na organização e militância partidária. Sendo muitas vezes requisitadas apenas para votar em determinada chapa para composiçao do diretório, quando não tentam tirar proveito do partido para seus interesses políticos pessoais - O que não deveria acontecer, óbvio.- Em Araçatuba há um caso peculiar, Carlos Hernandes (foto acima), se ajeita sutilmente para ser o mais novo filiado do PT. É dono de diversas emissoras de rádio no Estado de São Paulo. Algumas em seu nome outras em nome de parentes. Não foge do figurino típico de quem quer esconder alguma coisa. Hernandes Vice prefeito, eleito pelo PDT com Cido Sério, atual prefeito de Araçatuba e também membro do Partido dos Trabalhadores.

Certamente como compromisso pessoal de Cido Sério, Hernandes deve ter exigido que o prefeito eleito se esmerasse em planificar o terreno para ter os apoios necessários e assim pudesse ser candidato a Deputado Estadual, (advinhem) pelo PT. Issó só ocorreria caso se fechasse a coligação partidária, o que foi feito. Já que tinha um nome muito requisitado, durante o período que antecedeu as eleições, para fazer coligação com quem quisesse.

Hernandes além de ser dono de diversas emissoras de rádio era apresentador de um programa de TV. Em seu programa, fazia caridade com a bondade alheia. A produção do programa localizava personagens em situações de necessidade, financeira, física ou de saúde e fazia uma matéria jornalística com elas. Dessa maneira se sensibilizava a população, então aí aparecia "o bom samaritano" para pedir as doações que atendessem os casos. As doações iam desde cadeiras de rodas, muletas, remédios a brinquedos e bolos de aniversários. Com isso a imagem de "bom moço" foi se estabelecendo na cidade e oportunamente usada no momento certo. Agora, com uma imagem consolidada, eleito vice prefeito da cidade de Araçatuba, tenta vôos mais altos. Mas com patrocínio de quem nunca fez parte de sua roda de interesses. Até porque em outras situações o PT o combatia por tabela. Pelo comportamento típico de quem luta contra a democratização dos meios de comunicação, ora patrocinando a ABERT (Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV), conhecidíssima por sua campanha contra as emissoras de rádio comunitária e que se posicionam pela democratização dos meios de comunicação. Na verdade ela patrocina tudo quanto é coisa que possa manter privilégios e interesses de seus associados.

Ao admitir um membro com esse histórico, o PT tende errar duas vezes, não só pelo fato deste dono de rádio não ter nenhum compromisso com o partido, mas também trazer junto tudo o que representa o seu histórico político. No passado foi acusado pelo então candidato a vereador pelo PT e hoje Secretário de Cultura de Araçatuba Hélio Consolaro, de ter sido funcionário fantasma da SABESP. Vivia paparicando quem ocupasse o poder na prefeitura de Araçatuba. Para se ter uma idéia, sempre teve cargos indicados quando vereador da cidade por dois mandatos. Quando Secretário de Esportes do município foi acusado por um vereador aliado e grande amigo de longa data, Sidnei Giron, de não ir trabalhar em sua pasta. Disse que este preferia ficar cuidando de suas emissoras de rádio do que efetivamente trabalhar pra onde foi indicado. Coisa que parece ser de seu feitio, pois com esse histórico da acusação de ter sido funcionário fantasma da SABESP...

E olhem que nem entrei no mérito de discutir aqui os descumprimentos da legislação trabalhista com seus funcionários. Já estamos tratando disso em outra esfera (Ministério do Trabalho e possivelmente Ministério Público do Trabalho).

Estar ciente do que esse nome pode implicar para a desconfiguração do PT local é que poderá barrar os interesses, não só da parte dele, de vir para o partido, como da parte de integrantes do próprio partido em trazê-lo para o PT. Seja por compromisso assumido ou por oportunismo político. Que é o que tem parecido de Ricardo Berzoini, Deputado Federal que passou pela cidade com essa conversa torta entre os petistas locais. Logo bem ele, que deveria saber que essa discussão deve ser resolvida localmente.

Resta-nos agora, nesse momento, conscientizar os filiados não só do objetivo da filiação deste dono de rádio, como da tragédia partidária que pode ocorrer com um partido que passou seus mais de 28 anos lutando por princípio e coerência política e que infelizmente caminha para cada vez mais longe se assumir posturas como essa.