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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Crise econômica atinge finanças e credibilidade da grande mídia






Após terem contribuído como artífices da legitimação da financeirização radical que ruiu como castelo de cartas a partir da crise do sistema hipotecário estadunidense, os grandes grupos comerciais de mídia agora sentem os efeitos do forte abalo em curso no modelo econômico neoliberal. Eles, que se notabilizaram pela defesa do modelo,vêm sofrendo os efeitos deste, em um fenômeno que vai da esfera econômica, com a crescente dificuldade de capitalização dos empreendimentos, à jornalística, com uma inédita perda de referência dos produtos e seus discursos.

Esta foi a avaliação realizada em coro quase uníssono pelos participantes do debate "A crise e a grande mídia", realizado nesta segunda-feira no 2º Fórum Mundial de Mídia Livre, evento que antecede o Fórum Social Mundial 2009, em Belém do Pará.

Segundo Igácio Ramonet, do jornal francês Le Monde Diplomatique, a grande mídia internacional desempenhava papel fundamental no neoliberalismo, constituindo uma aliança com o poder econômico quase como uma espécie de "duopólio". "Com a crise que estamos vivendo no campo econômico, o neoliberalismo como teoria se vê golpeado, em minha opinião à morte, e o poder midiático, curiosamente, está se debilitando ante nossos olhos", afirmou.

O jornalista francês citou casos de diversos veículos tradicionais que vêm, em razão de seus balanços financeiros negativos, sendo repassados a empresários que não são tradicionalmente do ramo. Um caso exemplar foi a venda do New York Times ao empresário mexicano Carlos Slim Helú. O próprio Le Monde é um dos tradicionais veículos da mídia impressa que passa por sérias dificuldades financeiras.

Ramonet credita esta situação à aposta feita pelos grandes grupos comerciais na imagem pintada de calmaria e prosperidade neoliberal. Acreditando nela, investiram grandes montantes em estratégias de aquisição de grupos de mídia menores seguindo as tendências concentradoras do setor. Quando o crédito se esvaiu do mercado, estes conglomerados viram suas dívidas se transformando em um beco sem saída, apelando para a venda de empreendimentos seculares a neófitos no negócio da mídia.

Pacoal Serrano, do site espanhol Rebelion.org, foi mais longe e defendeu que a crise da grande mídia vai para além da dimensão econômica, atingindo sua própria credibilidade e autoridade junto aos seus públicos leitores, telespectadores e ouvintes. "Há uma crise de mediação. O cidadão já percebe que o discurso da mídia não se coaduna com interesses dos meios de comunicação. O leitor não se fia mais no que dizem os meios de comunicação", sugeriu Serrano.

Por fim, ele vê uma crise de informação que atinge os pressupostos históricos do jornalismo liberal, especialmente o da objetividade jornalística. Com o estouro do sistema hipotecário, os meios simplesmente se viram sem condições de explicar o fenômeno. "A dinâmica dos meios os impede de aprofundar, colocar os elementos de contexto para entender o que acontece", disse.

Armadilha

Na opinião do professor da Universidade de São Paulo (USP) Bernardo Kucinski, é irônico que a grande mídia, uma das atingidas pela crise, atue fortemente para alimentá-la. “Um aspecto mais perverso foi que a grande imprensa passou a alimentar a própria crise, através de um comportamento catastrofista e alarmista que levou empresários a rever seus planos.”

O editor do Portal Vermelho, Altamiro Borges, creditou este comportamento quase suicida à necessidade de legitimar uma saída conservadora do poder econômico à crise. “Estamos vivendo um choque do terror. A mídia está criando clima de pânico para gerar ações como demissões nas montadoras. Da mesma forma como aproveitou o Katrina para expulsar a população, ela aproveita a crise hoje para pautar ajustes mais duros. E isso é um perigo”, alertou.

Contraponto

Frente a este quadro, todos os participantes do debate propuseram a constituição de uma alternativa que possa enfrentar de igual para igual a ação dos grandes grupos midiáticos. "Queremos estar de igual para igual com os grandes meios. Não queremos ser marginais. A liberdade de expressão será uma realidade quando deixarmos de ser marginais", defendeu Pascoal Serrano, do Rebelion.

Joaquim Constâncio, do escritório uruguaio da agência internacional IPS, destacou que, para galgar esta posição, é necessário garantir a profissionalização da equipe de uma iniciativa deste porte, bem como uma estrutura robusta. "Represento uma agência com mais de 40 anos de vida, em mais de 100 países, e digo que com toda estrutura enorme, somos uma gota de água na batalha dos grandes meios. É preciso muito mais do que isso, construir meios alternativos realmente potentes e estruturados com força para gerar conteúdos", ponderou.

Ele defendeu que, apesar das novas possibilidades advindas da internet, não é possível disputar hegemonia contra os grandes meios apenas por iniciativas pontuais ou individuais. Luiz Fernando Navarro, do jornal mexicano La Jornada, foi na mesma direção. “É grande o desafio de não fazer apologia do marginal. Precisamos ser capazes em converter algo alternativo em hegemônico.”


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

25 Anos do MST - 25 Years of the MST (João Pedro Stédile) PART 1

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página, logo abaixo.

Para seguir a seqüência do vídeo, basta clicar no vídeo, quando este terminar aqui. Assim você será direcionado à página do Youtube. Lá, iniciará o mesmo vídeo. Basta pará-lo e selecionar a sequência da entrevista no "box", à direita da página do Youtube. Assim sucessivamente até a última parte.

Marcha pela Paz abre Fórum Social Mundial 2009


O ponto de partida da caminhada foi a praça Pedro Teixeira (Escadinha) ao lado da Estação das Docas. Representando a vinda do FSM da Àfrica para a Amazônia, os povos indígenas da região foram recebidos pelos povos africanos e afrodescendentes e juntos compartilharam uma Ceia Sagrada. Dezenas de milhares de pessoas participaram da marcha. Segundo a polícia, cerca de 60 mil. Segundo organizadores, número de participantes foi bem maior, podendo chegar a quase 100 mil pessoas. Nem a chuva que caiu em meio à caminhada, tirou o ânimo dos participantes (Foto: Eduardo Seidl).


Redação - Carta Maior


BELÉM - Mais de 100 mil pessoas e 5680 organizações devem participar do Fórum Social Mundial 2009 que inicia oficialmente nesta terça-feira (27) em Belém do Pará. Até 1° de fevereiro, representantes de movimentos sociais, povos tradicionais, organizações não governamentais, sindicatos e grupos religiosos de mais de 150 países estarão reunidos para celebrar a 9ª edição do encontro altermundialista, que retorna ao Brasil. Na pauta das principais discussões está a crise econômica mundial, as mudanças climáticas e as alternativas aos modelos de desenvolvimento. O Conselho Internacional do FSM decidiu realizar o Fórum na região amazônica em reconhecimento ao papel estratégico da região para toda a humanidade.

A região é uma das últimas áreas do planeta ainda relativamente preservada, em um espaço geográfico de valor imensurável por sua biodiversidade e que agrega um conjunto amplo e diverso de movimentos sociais que lutam por uma Amazônia sustentável, solidária e democrática. O FSM ocorre nos campi da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e terá mais de 2400 atividades - entre plenárias, conferências, palestras, oficinas, eventos esportivos e culturais - propostas por organizações de todo mundo. A atividade inaugural do FSM será a marcha simbolizando o encontro dos participantes com a cidade que acolhe o evento.

O ponto de partida será na praça Pedro Teixeira (Escadinha) ao lado da Estação das Docas. Representando a vinda do FSM da Àfrica para a Amazônia, os povos indígenas da região serão recebidos pelos povos da africanos e afrodescendentes e juntos compartilharão uma Ceia Sagrada.

Segundo os organizadores do ato, a celebração representa as boas vindas dos habitantes da Amazônia aos africanos e a passagem do espírito do último FSM centralizado, em Nairobi, no Quênia, para a cidade de Belém, representando toda a Pan-Amazônia. Em seguida, os indígenas darão início à marcha que passará pelas avenidas Presidente Vargas, Nazaré e Almirante Barroso até a Praça do Operário no bairro de São Brás, onde uma programação cultural será promovida por dezenas de etnias indígenas que vieram participar do FSM 2009. A expectativa é de que mais de 100 mil pessoas participem desta caminhada pela paz



Links Relcacionados ao texto;


Site Oficial do Fórum Social Mundial de Belém
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Cobertura Jornalística do FSM por Carta Maior
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Sob a chuva da Amazônia, todos os povos reunidos
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Cem mil marcham para abrir o FSM 2009 em Belém
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Evo Morales vence referendo constitucional na Bolívia




"Vitória da nova Constituição significa refundação da Bolívia"


O presidente boliviano Evo Morales saudou a vitória no referendo sobre a nova Constituição boliviana como o fim do Estado colonial, do colonialismo interno e externo. "Hoje é a refundação da Bolívia", comemorou. Algumas das principais propostas aprovadas: tamanho máximo das propriedades rurais será de 5 mil hectares; povos indígenas passam a ter a propriedade dos recursos florestais e direitos sobre a terra e recursos hídricos; empresas estrangeiras serão obrigadas a reinvestir seus lucros na Bolívia.




O Sim ganhou o referendo sobre a nova Constituição da Bolívia com cerca de 60% dos votos. Nos quatro departamentos onde a oposição ao presidente Evo Morales detém o poder o "Não" ganhou. Na pergunta sobre o tamanho máximo de uma propriedade agrícola (10.000 ou 5.000 hectares), a opção 5.000 ganhou por 78%, tendo triunfado mesmo nos departamentos da chamda "meia lua" (reduto da oposição). O presidente Evo Morales declarou, no discurso que fez após ser conhecida a vitória: "Hoje é a refundação da Bolívia (...) é o fim do Estado colonial, termina o colonialismo interno e externo". O resultado do referendo, acrescentou, é "o fim da grande propriedade e dos grandes proprietários".

No referendo à Constituição os resultados foram os seguintes, segundo o jornal boliviano La Prensa:

Nos departamentos do Ocidente (La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosi) o "Sim" obteve 72% e o "Não" 28%. Nos quatro departamentos da "meia lua" (Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando) 63% dos votantes disseram "Não" e 38% "Sim". No departamento de Chuquisaca, 51% dos votantes apoiaram o "Sim" e 49% o "Não". De salientar que no departamento de La Paz, a capital, o "Sim" ganhou com 76%.

Além do referendo à Constituição, os bolivianos votaram também sobre o tamanho máximo que uma propriedade rural pode ter. O artigo 398 da nova Constituição proíbe o latifúndio e o referendo punha duas alternativas como limite máximo da propriedade rural: 10.000 ou 5.000 hectares.

A opção 5.000 venceu em todos os departamentos, mesmo nos da "meia lua", com uma percentagem de 78% no global do país, contra 22% para a opção 10.000 hectares.

Constituição amplia direitos dos povos indígenas

O novo texto amplia os direitos sociais e econômicos dos povos indígenas, num país em que 80% da população é formada por indígenas e mestiços que nunca se viram representados pelos governos de elite branca.

Mais de 80 dos 411 artigos da nova Constituição abordam a questão indígena no país mais pobre da América Latina. Pelo texto, os 36 "povos originários" passam a dispor de uma quota obrigatória em todos os níveis de eleição, a ter propriedade exclusiva dos recursos florestais e direitos sobre a terra e os recursos hídricos. Num dos pontos mais polêmicos, é estabelecida a equivalência entre a justiça tradicional indígena e a justiça ordinária do país, autorizando tribos a julgarem e punirem suspeitos de crimes segundo os seus costumes tradicionais, e não de acordo com os preceitos jurídicos herdados da colonização espanhola.

A nova Constituição prevê também uma representação indígena no Tribunal Constitucional e o direito à autodeterminação dos povos indígenas em terras comunitárias.

"Esta bela terra nos pertence: aimarás, quéchuas, guaranis, chiquitanos... Os direitos dos que nasceram nesta terra são reconhecidos na nova Constituição", disse Morales durante a campanha do referendo... "Esse processo de mudança não tem volta, a Bolívia não retornará ao neoliberalismo", acrescentou o presidente boliviano.

Outras medidas importantes votadas no referendo foram: o cultivo da coca passa a ter proteção estatal, "como patrimônio cultural, recurso natural renovável e factor de coesão social": e a ampliação do controleo do Estado sobre a economia que vai exigir às empresas estrangeiras que reinvistam os seus lucros na Bolívia.


sábado, 24 de janeiro de 2009

Os donos da democracia, PARTE 1

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página, logo abaixo.

Dizem que nossos hermanos tem dificuldade em entender nosso português, mas por incrível que pareça, conseguimos entender grande parte do que nos dizem. O documentário acima retrata um pouco, pra não dizer muito, as diversas formas que algumas pessoas enxergam uma democracia ou o q ue fazer com ela, quando seus interesses estão acima do povo.

Para seguir a seqüência do vídeo, basta clicar no vídeo, quando este terminar aqui. Assim voce será direcionado à página do Youtube. Lá, iniciará o mesmo vídeo, basta pará-lo e selecionar a sequência da entrevista no "box", à direita da página do Youtube. Assim sucessivamente até a última parte.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Operação Serra 2010 em curso.



Para alguns não foi surpresa a demissão do jornalista e economista Luís Nassif da TV Cultura. Não bastasse a suspensão de todo conteúdo do blog de Paulo Henrique Amorim no ano passado (Amorim por pouco não perdeu todo o conteúdo de seu blog), os aliados do governador José Serra estão com suas unhas afiadas. Com posturas questionáveis, a conduta política de integrantes do PSDB e de aliados envolvidos em operações obscuras, se movem em direção ao Planalto com sede de poder.
A demissão de Nassif é apenas o começo de uma situação já vivida em 2006, quando alguns profissionais foram demitidos de empresas de comunicação, garantindo assim uma cobertura jornalística mais morna dos governos tucanos e aliados.

Com preocupação acompanhamos o modus operandi dos empresários de comunicação de nosso país; blindando o governador de São Paulo e aos desmandos de sua administração, bem como ao desastre que foi o período em que seu partido, o PSDB, esteve no poder. Resta-nos apenas optar por uma cobertura mais independênte e menos condescendente aos interesses dos tucanos. Quem sabe assim, não teremos a oportunidade de viver uma queda no stabilshment econômico e social como numa montanha russa. De altos e baixos, proporcionando incertezas de um futuro mais indepedente e menos atrelado aos interesses privados.


O texto de Altamiro Borges, abaixo, nos revela em detalhes esta operação dos políticos tucanos e a mídia corporativa envolvida até a medula com seu projeto de poder, já para 2010.




É bom ficar esperto. Está em curso uma ardilosa orquestração na mídia de blindagem do tucano José Serra, governador de São Paulo e candidato do bloco neoliberal-conservador à sucessão do presidente Lula em 2010. A mais nova vítima da “operação-Serra” é o jornalista Luis Nassif, que teve seu contrato de trabalho suspenso na semana passada pela TV Cultura, emissora controlada pelo governo de São Paulo. Numa entrevista exclusiva à jornalista Priscila Lobregatte, do Portal Vermelho, Nassif não vacilou em fazer o alerta: “2010 já começou, este é o ponto”.

O abrupto rompimento do seu contrato não teve qualquer explicação. E nem podia. Afinal, por suas posições críticas e independentes, ele é um dos mais respeitados colunista da mídia, já tendo recebido vários prêmios. No último prêmio Comunique-se, ele foi um dos três jornalistas da TV Cultura indicados para a categoria televisão. O motivo, então, não foi profissional. Nassif insinua que sua demissão se deve à proximidade da sucessão presidencial. “A maluquice das eleições de 2006 voltou antecipadamente”, afirma, referindo-se à brutal manipulação no pleito passado.

Silenciando as opiniões críticas

Ele lembra que recentemente criticou a publicidade da Sabesp, empresa paulista de água. “Como pode uma empresa com atuação estadual patrocinar eventos de televisão no Brasil inteiro?”. Este e outros comentários críticos, atestando que a campanha presidencial de Serra é ostensiva e usa recursos públicos, devem ter irritado o truculento governador. Para Nassif, há indícios de que a ordem para sua demissão veio de cima. “O Paulo Markun [presidente da Fundação Anchieta, a mantenedora da TV Cultura] não tomaria sozinho essa decisão... Se em dezembro ele acertava ampliar minha participação, é evidente que a mudança de orientação se deve a outros fatos”.

A suspensão do contrato de Nassif é um fato grave. Mostra a total falta de independência de uma emissora que deveria ser pública e que hoje serve abertamente ao projeto presidencial de Serra. Mas não é um fato isolado. Além de manietar a TV Cultura, o governador tucano conta hoje com o apoio ostensivo da maioria das emissoras privadas e dos jornalões e revistas do país, fechando o cerco midiático para sua campanha. Está em curso uma operação de limpeza nas redações para aplainar a sua decolagem eleitoral, evitando críticas a sua administração e bajulando o tucano.

Demissão na CBN e clima de medo

Em outubro passado, a Rede Globo demitiu o jornalista Sidney Rezende da rádio CBN. Segundo Rodrigo Viana, que deixou a emissora por discordar das suas manipulações na sucessão de 2006, “Sidney era tido por colegas e ouvintes como jornalista que exercia a sua independência... Na sua demissão se percebem os preparativos para a cobertura das eleições de 2010. O ‘moto-serra’ dos tucanos vai passar sobre várias cabeças do jornalismo global. Na CBN, conheço um outro âncora (não darei nome porque ele me pediu sigilo) que teve a sua cabeça pedida pelo governador”.

Após estranhar outro facão recente, de Luiz Carlos Braga da sucursal de Brasília, Rodrigo afirma que o clima na Rede Globo “lembra muito a operação-2006. Há dois anos, às vésperas da eleição presidencial, ela se livrou do comentarista Franklin Martins porque este não fechava com a linha oficial de ‘sentar a pancada’ em Lula e dar uma ‘mãozinha’ aos tucanos. Depois, foram limados outros jornalistas que se indispuseram com a emissora na cobertura das eleições (entre eles, eu, Luiz Carlos Azenha, Carlos Dornelles e o editor de política Marco Aurélio Mello)”.

A generosidade da mídia privada

Rodrigo Viana, que há muito tempo trabalha em veículos privados, garante que presidenciável tucano conta com o total apoio dos barões da mídia. Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da TV Globo – também apelidado por quem o conhece bem de Ratzinger ou “senhor das trevas” –, não permite que saia uma linha sobre o atual governador paulista sem o seu aval prévio. A mesma rigorosa orientação é imposta pela famíglia Frias, que mantém sólidas e sinistras relações com o tucano-mor desde os tempos em que este foi editorialista da Folha de S.Paulo.

Este conluio explica a generosidade da mídia hegemônica até nos casos mais chocantes – como na “guerra das polícias” no ano passado, quando ela simplesmente isentou o governador paulista de qualquer culpa, ou na desastrosa operação policial do seqüestro e morte de Eloá Pimentel, em Santo André. Ainda segundo Rodrigo Viana, que conhece os bastidores da mídia, “a ordem era proteger o governador. Conversei com três colegas que trabalham na TV Globo de São Paulo e que pedem anonimato. A orientação aos editores era botar no ar trechos imensos da entrevista chapa-branca com o Serra”, na qual ele culpou as centrais sindicais pela greve na Polícia Civil.

Coberturas parciais e manipuladas

A “operação-Serra” também fica patente na forma como a mídia trata as obras do governo Lula, sempre tão vigilante, e na total omissão diante dos descalabros da administração paulista. Na semana passada, Folha e Estadão fizeram rasgados elogios às obras do Rodoanel, sem publicar uma crítica ao seu monumental atraso e altos custos. Já as TVs nada falaram sobre a interrupção da concessão das rodovias Ayrton Senna e Marechal Rondon devido às falcatruas nas licitações, ou da suspensão, pelo TCE, das obras na Marginal do Tietê porque o edital estava irregular.

Também é impressionante a bondade da mídia venal diante das graves denúncias do Ministério Público, que investiga quatro contratos no valor de R$ 1 bilhão da Siemens com o governo paulista para construção de três linhas do Metrô. Há suspeitas de superfaturamento e de que a multinacional alemã teria subornado políticos do PSDB. As apurações começaram no rastro de outro inquérito, o que investiga a multinacional francesa Alstom, que teria dado propina para obter contratos com estatais paulistas nos últimos 14 anos de reinado tucano em São Paulo.

Censura chega ao ciberespaço

Sem trabalho na TV Cultura, Luiz Nassif afirma que agora se dedicará ao seu blog, apostando na internet como arma de democratização da informação. Mas também neste campo a fúria de Serra já se faz sentir. Recentemente, a Justiça mandou tirar do ar o blog “Flit paralisante”, postado pelo delegado da polícia civil Roberto Conde Guerra. O delegado é famoso por suas críticas à política de segurança do tucanato, sendo fonte alternativa de jornalistas. Durante a greve da categoria, ele usou seu blog para convocar protestos e teve 130 mil acessos. Agora, foi censurado pelo “moto-serra”. A mídia, que sempre ataca o “autoritarismo” do governo Lula, não alardeou esta censura.

A demissão de Nassif até agora não indignou os jornalistas – alguns que tiveram papel de relevo na luta contra a ditadura e que hoje parecem dóceis serviçais das empresas, preocupados apenas com suas carreiras. Também não houve reação das entidades da categoria – o que é lamentável. Paulo Henrique Amorin, outra vítima de perseguição dos “amigos de Serra” quando foi retirado do ar, sem aviso prévio, do Portal IG, protestou solitariamente. “A TV Cultura de Serrágio (vem do pedágio mais alto do Brasil) não agüentava a independência de Nassif”, escreveu no seu blog.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Keynes e Roosevelt: algumas lições para o presidente Obama


As políticas de gastos públicos que agora são propostas para o presidente Obama não são inspiradas no New Deal. Suas raízes estão no pensamento de Keynes e no grande laboratório de políticas macroeconômicas que foi a Segunda Guerra Mundial. Mas Roosevelt também tem lições importantes a dar a Obama, ainda que não na definição de políticas macroeconômicas. A análise é do economista Fernando J. Cardim de Carvalho.


Por Fernando J. Cardim de Carvalho* - Carta Maior


Poucos nomes tem sido lembrados com tanta freqüência nos últimos meses quanto os de Keynes e Franklin Delano Roosevelt. Na verdade, na maioria das vezes eles são lembrados juntos, como co-autores das políticas que marcaram o New Deal. Quase sempre, a referência a ambos se destina a dar suporte a algum plano ou estratégia de política econômica que se espera seja seguida pelo Presidente Obama, cuja posse ocorre neste 20 de janeiro.

A posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos seria um evento de importância histórica em qualquer circunstância. No limite, até mesmo a eleição de um Clarence Thomas poderia ser vista como a culminância do processo de conquista de direitos civis cujo grande salto foi dado nos anos 60 do século passado, sob a liderança do Dr. Martin Luther King. Mas a expectativa e as esperanças que cercam a posse do novo presidente americano dado o envolvimento do país em um guerra extrema (e justificadamente) impopular e a crise econômica - cuja profundidade se revela a cada dia para uma população cada vez mais atônita - tornam esse evento ainda mais significativo.

É exatamente a profundidade da crise que explica a ressurreição de Keynes e de Roosevelt depois de quase trinta anos de dominação do pensamento liberal em todo o mundo, inclusive no Brasil. Keynes e o New Deal simbolizam a rejeição ao neoliberalismo que levou ao desastre atual, cujos custos ainda devem crescer acentuadamente neste ano de 2009. No entanto, a relação que se faz, e as lições tiradas, são, muito frequentemente superficiais. Isso decorre de um certo desconhecimento tanto do que Keynes propôs quanto do que Roosevelt fez, especialmente nos primeiros oito anos de seu governo, até a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, após o ataque japonês a Pearl Harbor.

Na verdade, Keynes e Roosevelt, figuras gigantescas do século XX, têm muito o que ensinar ao Presidente Obama, mas as lições de um, não são exatamente as lições de outro. Conhecer a ambos é fundamental até porque o neoliberalismo não foi um desastre apenas porque conduziu à crise que estamos atravessando, mas também porque promoveu reformas sociais de extrema perversidade, que devem ser detidas ou revertidas.

Keynes foi calorosamente simpático ao ativismo de Roosevelt, ainda que não exatamente às políticas específicas implementadas, especialmente no primeiro New Deal. Roosevelt, corretamente, propôs que governos não são, nem podem ser, expectadores passivos de processos econômicos. Ao contrário, governos têm a obrigação de intervir para mitigar as dificuldades e o sofrimento causados por crises da forma mais eficiente possível. O reconhecimento dessa obrigação opôs Roosevelt não apenas a Hoover, por ele derrotado em 1932, mas também às políticas liberais que seriam adotadas a partir de Reagan, inclusive no período Clinton – este, como lembrou Paul Krugman, em muitos sentidos esteve não apenas à direita de Jimmy Carter, mas até mesmo à direita de Richard Nixon! Não há formulas nem receitas prontas, o trabalho do governo é experimental, tateante, que se aprende fazendo, cometendo erros e corrigindo os erros quando eles são detectados e tentando novamente.


Essa é a primeira e maior lição de Roosevelt, aplaudida entusiasticamente por Keynes. A passividade covarde apenas dá apoio ao conservadorismo e reforça os interesses daqueles que ou ganham com o status quo ou têm reservas para garantir sua sobrevivência mais que confortável nos períodos de dificuldade. O reconhecimento de que a principal política social de uma economia de mercado é a garantia do pleno emprego, e de que persegui-lo é a principal obrigação do Estado unia Keynes a Roosevelt.Mas o diagnóstico de Roosevelt sobre as causas da crise da década de 1930 era diverso do de Keynes. Enquanto Keynes apontava o colapso da demanda efetiva como causa da contração da economia (já que consumidores, temerosos do desemprego, não compram bens de consumo; investidores não investem porque, afinal, não há razão para aumentar a capacidade produtiva se não é possível ocupar sequer a existente; e exportadores não conseguem vender para o resto do mundo que também sofre a contração), Roosevelt julgou que a deflação de preços, especialmente os agrícolas – mas não apenas estes - era a causa imediata da contração. Preços muito baixos causavam prejuízos aos produtores e os impediam de pagar suas dívidas, levando-os à falência; e, com eles, o sistema bancário que lhes tinham estendido crédito. O primeiro New Deal não foi principalmente um programa de obras públicas, mas, principalmente um programa destinado a combater a deflação, ainda que ao risco de cartelização da produção.

Keynes, como é amplamente conhecido, favorecia programas de gasto público, ainda que pudessem gerar déficits fiscais. Roosevelt defendia o orçamento equilibrado e déficits públicos acabaram emergindo por causa da contração da economia, que reduzia as receitas de impostos, mais do que por políticas destinadas a gerar déficits fiscais.

As políticas de gastos públicos que agora são propostas para o presidente Obama não são inspiradas, portanto, no New Deal. Suas raízes estão no pensamento de Keynes e no grande laboratório de políticas macroeconômicas que foi a Segunda Guerra. A guerra serviu para mostrar aos governantes que era necessário buscar, em tempos de paz, o equivalente da encomenda de armas e sustentação de exércitos para manter elevada a demanda agregada. A legitimidade da noção de “grande governo”, de políticas monetárias e fiscais ativas, foi estabelecida como herança conjunta do pensamento keynesiano e da experiência da guerra.

Mas Roosevelt também tem lições importantes a dar a Obama, ainda que não na definição de políticas macroeconômicas. Há, pelo menos, três grandes lições a tirar de sua experiência. A primeira, é a importância da liderança para a condução do processo político, especialmente em momentos críticos. Os Estados Unidos vivem um duplo momento crítico, em uma crise econômica de grandes proporções e em meio à guerra do Iraque. Brecht escreveu que é infeliz o país que necessita de heróis, mas liderança política não é opcional. Muitos têm se lembrado do famoso e impactante discurso inaugural de Roosevelt em 1933, em que afirmou que nada havia a temer senão o próprio medo. Naturalmente, liderança política não se resume à brilhante retórica, mas na ação sem hesitações para atacar os problemas enfrentados pela sociedade.

A segunda, e de longe a mais importante, lição de FDR foi a clara percepção de que a mera restauração do status quo, não podia ser a meta única de seu governo. Na verdade, a herança mais durável e importante de Roosevelt foi a reforma social que promoveu, com a criação da seguridade social e o reconhecimento de que a sociedade é responsável pelo bem estar de seus membros, o que materializaria na implementação de estruturas tributárias amplamente progressivas, onde os ricos pagariam muito mais, desproporcionalmente mais, que os pobres, etc.

Depois de anos de neoliberalismo, de redução de impostos para os ricos, de regressividade tributária, de corte de serviços sociais, e de liberalização financeira - que levaram, nos Estados Unidos como em outros países assolados pela mesma onda liberal, a um dramático crescimento da concentração de renda e de riqueza - combater a crise não é uma alternativa, mas um complemento às reformas sociais progressistas que se fazem necessárias neste momento. É uma ilusão pensar que, primeiro, combate-se a crise, depois reforma-se a sociedade. Essa dicotomia ('o que é necessário a longo prazo deve ser perseguido depois de se conseguir resultados de curto prazo') não existe na realidade. O custo da crise será alto, e é crucial que ele seja pago principalmente pelos beneficiários da onda reacionária dos últimos trinta anos.

Finalmente, a terceira lição é essencial. Foi com o Presidente Roosevelt que se criou a noção dos primeiros cem dias de governo.

Roosevelt começou a mandar projetos de mudança ao Congresso logo em seguida à sua posse. Nunca um presidente terá tanto poder quanto nos seus primeiros dias. Mais que nunca é clara a distinção entre quem foi vitorioso e quem foi derrotado; quais idéias que prevaleceram e quais foram rejeitadas; quais os interesses a serem privilegiados e quais os que serão penalizados. Ninguém teve tanta clareza, nem demonstrou de forma tão cabal a verdade dessa tese.

Líderes políticos que partiram para o ataque desde o momento de sua posse conseguiram muito mais do que aqueles que perderam tempo buscando consensos impossíveis ou apoios ilusórios. Quando se tenta obter o apoio dos derrotados, perde-se tempo e capital político junto aos eleitores. Isto assanha os adversários e leva à erosão da liderança. O presidente Mitterrand, em seu primeiro mandato, aprendeu as lições de Roosevelt e promoveu várias reformas, algumas das quais sobreviveram aos períodos de coabitação ou aos governos de direita. Em outros países, a busca de apoio político tornou muitas lideranças reféns de grupos conservadores que muitas vezes acabou por paralisá-las.

Os cantos de sereia e as pressões pela diluição das propostas e das promessas de mudança da campanha eleitoral - justificadas como requisito para alargar seu apoio no Congresso e superar partidarismos - são talvez o maior risco a ser enfrentado imediatamente pelo Presidente Obama. Reporta a imprensa que nos últimos dias Obama tem se dedicado particularmente ao estudo da experiência do Presidente Roosevelt. Torçamos para que o novo presidente se deixe guiar pela experiência do maior dos presidentes americanos do século passado.(*) Fernando Cardim é economista, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


(*) Fernando Cardim é economista, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um histórico do MST

O MST faz aniversário e como qualquer organização de classe de trabalhadores é combatida pelo capital. Seja ele na forma da violência ou através de idéias. Nesse contexto, muitas vezes, retratado convenientemente por nossa mídia corrompida, leva muitos a não conhecer, de fato, o que é o MST, porque ele existe e para onde ele quer ir. O texto abaixo contribui substancialmente para isso.

O vídeo também, logo abaixo do texto, com João Pedro Stédile, talvez um de seus quadros mais expoente, finaliza o post com respostas, questionadas por jornalistas que, por muitas vezes, com o único intúito de tentar empurrá-lo para alguma incoerência, fragorosamente não conseguem atingir seus objetivos. Stédile é claro, direto e não falta com a verdade.
O vídeo tem apenas uma parte, a sequência pode ser continuada clicando no próprio vídeo após assisti-lo. Em seguida, procure na página do youtube a segunda parte, no box ao lado direito do vídeo e assim, sucessivamente.
Para assistir melhor o vídeo, desligue a estação musical do lado esquerda desta página.

Depois de 500 anos de lutas do povo brasileiro e 25 anos de existência do MST, a Reforma Agrária não foi realizada no Brasil. Os latifundiários, agora em parceria com as empresas transnacionais e com o mercado financeiro – formando a classe dominante no campo - usam o controle do Estado para impedir o cumprimento da lei e manter a concentração da terra. O MST defende um programa de desenvolvimento para o Brasil, que priorize a solução dos problemas do povo, por meio da distribuição da terra, criação de empregos, geração de renda, acesso a educação e saúde e produção e fornecimento de alimentos.

25 anos de luta no campo e na cidade



O Brasil vivia uma conjuntura de duras lutas pela abertura política, pelo fim da ditadura e de mobilizações operárias nas cidades. Como parte desse contexto, entre 20 e 22 de janeiro de 1984, foi realizado o 1º Encontro Nacional dos Sem Terra, em Cascavel, no Paraná. Ou seja, o Movimento não tem um dia de fundação, mas essa reunião marca o ponto de partida da sua construção.

A atividade reuniu 80 trabalhadores rurais que ajudavam a organizar ocupações de terra em 12 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Bahia, Pará, Goiás, Rondônia, Acre e Roraima, além de representantes da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária), da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e da Pastoral Operária de São Paulo.


Os participantes concluíram que a ocupação de terra era uma ferramenta fundamental e legítima das trabalhadoras e trabalhadores rurais em luta pela democratização da terra. A partir desse encontro, os trabalhadores rurais saíram com a tarefa de construir um movimento orgânico, a nível nacional. Os objetivos foram definidos: a luta pela terra, a luta pela Reforma Agrária e um novo modelo agrícola, e a luta por transformações na estrutura da sociedade brasileira e um projeto de desenvolvimento nacional com justiça social.


Em 1985, em meio ao clima da campanha "Diretas Já", o MST realizou seu 1º Congresso Nacional, em Curitiba, no Paraná, cuja palavra de ordem era: "Ocupação é a única solução". Neste mesmo ano, o governo de José Sarney aprovou o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), que tinha por objetivo dar aplicação rápida ao Estatuto da Terra e viabilizar a Reforma Agrária até o fim do mandato do presidente, assentando 1,4 milhão de famílias.


A proposta de Reforma Agrária ficou apenas no papel. O governo Sarney, pressionado pelos interesses do latifúndio, ao final de um mandato de cinco anos, assentou menos de 90 mil famílias sem-terra. Ou seja, apenas 6% das metas estabelecidas no PNRA foi cumprida por aquele governo. Com a articulação para a Assembléia Constituinte, os ruralistas se organizam na criação da União Democrática Ruralista (UDR) e atuam em três frentes: o braço armado - incentivando a violência no campo -, a bancada ruralista no parlamento e a mídia como aliada.


Embora os ruralistas tenham imposto emendas na Constituição de 1988, que significaram um retrocesso em relação ao Estatuto da Terra, os movimentos sociais tiveram uma importante conquista. Os artigos 184 e 186 fazem referência à função social da terra e determinam que, quando ela for violada, a terra seja desapropriada para fins de Reforma Agrária. Esse foi também um período em que o MST reafirmou sua autonomia, definiu seus símbolos, bandeira e hino. Assim, foram se estruturando os diversos setores dentro do Movimento.


Anos 90


A eleição de Fernando Collor de Mello para a presidência da República, em 1989, representou um retrocesso na luta pela terra. Ele era declaradamente contra a Reforma Agrária e tinha ruralistas como seus aliados de governo. Foram tempos de repressão contra os Sem Terra, despejos violentos, assassinatos e prisões arbitrárias. Em 1990, ocorreu o II Congresso do MST, em Brasília, que continuou debatendo a organização interna, as ocupações e, principalmente, a expansão do Movimento em nível nacional. A palavra de ordem era: "Ocupar, resistir, produzir".


Em 1994, Fernando Henrique Cardoso vence as eleições com um projeto de governo neoliberal, principalmente para o campo. É o momento em que se prioriza novamente a agroexportação. Ou seja, em vez de incentivar a produção de alimentos, a política agrícola está voltada para atender aos interesses do mercado internacional e gerar os dólares necessários para pagar os juros da dívida pública.


O MST realizou seu 3º Congresso Nacional, em Brasília, em 1995, quando reafirmou que a luta no campo pela Reforma Agrária é fundamental, mas nunca terá uma vitória efetiva se não for disputada na cidade. Por isso, a palavra de ordem foi "Reforma Agrária, uma luta de todos".


Já em 1997, o Movimento organizou a histórica "Marcha Nacional Por Emprego, Justiça e Reforma Agrária" com destino a Brasília, com data de chegada em 17 abril, um ano após o massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 Sem Terra foram brutamente assassinados pela polícia no Pará. Em agosto de 2000, o MST realiza seu 4º Congresso Nacional, em Brasília, cuja palavra de ordem foi "Por um Brasil sem latifúndio".


Durante os oito anos de governo FHC, o Brasil sofreu com o aprofundamento do modelo econômico neoliberal, que provocou graves danos para quem vive no meio rural, fazendo crescer a pobreza, a desigualdade, o êxodo, a falta de trabalho e de terra.


A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, representou um momento de expectativa, com o avanço do povo brasileiro e uma derrota da classe dominante. No entanto, essa vitória eleitoral não foi suficiente para gerar mudanças significativas na estrutura fundiária, no modelo agrícola e no modelo econômico.


Os integrantes do MST acreditam que as mudanças sociais e econômicas dependem, antes de qualquer coisa, das lutas sociais e da organização dos trabalhadores. Com isso, será possível a construção de um modelo de agricultura que priorize a produção de alimentos, a distribuição de renda e a construção de um projeto popular de desenvolvimento nacional.


Atualmente, o MST está organizado em 24 estados, onde há 130 mil famílias acampadas e 370 mil famílias assentadas. Hoje, completando 25 anos de existência, o Movimento continua a luta pela Reforma Agrária, organizando os pobres do campo. Também segue a luta pela construção de um projeto popular para o Brasil, baseado na justiça social e na dignidade humana, princípios definidos lá em 1984.


Antecedentes


O MST é fruto da história da concentração fundiária que marca o Brasil desde 1500. Por conta disso, aconteceram diversas formas de resistência como os Quilombos, Canudos, as Ligas Camponesas, as lutas de Trombas e Formoso, entre muitas outras. Em 1961, com a renúncia do então presidente Jânio Quadros, João Goulart - o Jango - assumiu o cargo com a proposta de mobilizar as massas trabalhadoras em torno das reformas de base, que alterariam as relações econômicas e sociais no país. Vivia-se um clima de efervescência, principalmente sobre a Reforma Agrária.


Com o golpe militar de 1964, as lutas populares sofrem violenta repressão. Nesse mesmo ano, o presidente marechal Castelo Branco decretou a primeira Lei de Reforma Agrária no Brasil: o Estatuto da Terra. Elaborado com uma visão progressista com a proposta de mexer na estrutura fundiária, ele jamais foi implantado e se configurou como um instrumento estratégico para controlar as lutas sociais e desarticular os conflitos por terra.


As poucas desapropriações serviram apenas para diminuir os conflitos ou realizar projetos de colonização, principalmente na região amazônica. De 1965 a 1981, foram realizadas oito desapropriações em média, por ano, apesar de terem ocorrido pelo menos 70 conflitos por terra anualmente.


Nos anos da ditadura, apesar das organizações que representavam as trabalhadoras e trabalhadores rurais serem perseguidas, a luta pela terra continuou crescendo. Foi quando começaram a ser organizadas as primeiras ocupações de terra, não como um movimento organizado, mas sob influência principal da ala progressista da Igreja Católica, que resistia à ditadura.


Foi esse o contexto que levou ao surgimento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975, que contribuiu na reorganização das lutas camponesas, deixando de lado o viés messiânico, propondo para o camponês se organizar para resolver seus problemas. Além disso, a CPT teve vocação ecumênica, aglutinando várias igrejas. Por isso, o MST surgiu do trabalho pastoral das igrejas católica e luterana.


Reforma agrária e desenvolvimento


Todos os países considerados desenvolvidos atualmente fizeram reforma agrária. Em geral, por iniciativa das classes dominantes industriais, que perceberam que a distribuição de terras garantia renda aos camponeses pobres, que poderiam se transformar em consumidores de seus produtos. As primeiras reformas agrárias aconteceram nos Estados Unidos, a partir de 1862, e depois em toda a Europa ocidental, até a 1ª Guerra Mundial. No período entre guerras, foram realizadas reformas agrárias em todos os países da Europa oriental. Depois da 2ª Guerra Mundial, Coréia, Japão e as Filipinas também passaram por processos de democratização do acesso a terra.


A reforma agrária distribuiu terra, renda e trabalho, o que formou um mercado nacional nesses países, criando condições para o salto do desenvolvimento. No final do século 19, a economia dos Estados Unidos era do mesmo tamanho que a do Brasil. Em 50 anos, depois da reforma agrária, houve um salto na indústria, qualidade de vida e poder de compra do povo.


Depois de 500 anos de lutas do povo brasileiro e 25 anos de existência do MST, a Reforma Agrária não foi realizada no Brasil. Os latifundiários, agora em parceria com as empresas transnacionais e com o mercado financeiro – formando a classe dominante no campo - usam o controle do Estado para impedir o cumprimento da lei e manter a concentração da terra. O MST defende um programa de desenvolvimento para o Brasil, que priorize a solução dos problemas do povo, por meio da distribuição da terra, criação de empregos, geração de renda, acesso a educação e saúde e produção e fornecimento de alimentos.





Links relacionados ao texto;





25 anos de MST


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Agência de Notícias Brasil de Fato


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Site do MST


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domingo, 18 de janeiro de 2009

Blog do Protógenes diz que delegado foi vítima de atentado

Não sabemos concretamente sobre a veracidade desta informação. Estamos apenas reproduzindo as informações do blog do próprio Protógenes, porque acreditamos que isso é muito sério. Fiquem atento para maiores informações na net. Caso algum leitor descubra algo a respeito, nos informe o mais breve possível, ok?!

Pra informar; busquei esta informação no blog Vi o Mundo do jornalista Luís Carlos Azenha postado no dia 17 deste mês.




Comunicamos ao povo brasileiro e aos internautas que no dia 15 de janeiro de 2009, por volta das 15:00hs, o Delegado Protógenes foi vítima de um possível atentado quando dirigia um automóvel deslocando-se do bairro Jardim Botânico-RJ com destino a cidade de Niterói-RJ, ato contíuno ainda no JB o radiador de água quente explodiu causando uma nuvem de fumaça muito grande e explosão do painel do veículo. Resultado: sofreu queimaduras de primeiro grau nos pés e lesões pelo corpo. Por medida de segurança ele se deslocou no dia 16 de janeiro do corrente ano, com destino a São Paulo, a fim de se encontrar com seus familiares, bem como buscar atendimento médico seguro. No momento está descansando em casa para se recuperar do trauma. Agradecemos o apoio inicial dos fraternos amigos Silvia Calmon ( psicanalista) e Helton , os populares que lhe socorreram, os padrinhos Jose Zelman e Nelia Maria Zelman, a madrinha Guimar, bem como a diligente atenção especial dispensada pelo estimado Agente de Polícia Federal De Lucca, lotado no Aeroporto Santos Dumont. A nossa resposta a este fato buscamos conforto na mensagem do Professor Agenor Miranda Rocha, que é a seguinte:


CIRENEU

” EU CARREGO, NOS OMBROS, O PESO DOS MUNDOS !
SIM, DOS MUNDOS, QUE OS OUTROS ENTREGAM A MIM:
MUITAS DORES, ANGUSTIAS, SOFRERES PROFUNDOS,
PESAM MENOS SE ENCONTRAM UM ABRIGO POR FIM.
CIRENEU PELA VIDA, EU CAMINHO CONTENTE,
POR FAZER DE MINHA ALMA UM APOIO SEGURO:
QUANDO POSSO, EM SOCORRO DE ALGUEM, LEALMENTE,
TORNO LEVE O PESADO E SUAVE O QUE É DURO.
SE ME PEDEM CONSELHOS, OS DESORIENTADOS
A VIVÊNCIA QUE TENHO ME AJUDA A SOLVER
OS PROBLEMAS TRAZIDOS, OS MAIS COMPLICADOS,
MESMO QUE, PARA ISTO, EU, TAMBÉM, VÁ SOFRER.
SE É DIREITO MISTER MINERAR MUITAS DORES,
PARA ISTO É QUE, UM DIA, EU TORNEI-ME DOUTOR:
POIS O MESMO JESUS, O SENHOR DOS SENHORES,
É EXEMPLO QUE EU SIGO, COM TODO FERVOR.
NÂO QUERO JAMAIS RECOMPENSA AO QUE FAÇO
E SE EM MUITA OCASIÃO, EU RECEBO MAL PAGA,
OUTRAS VEZES, ME DÃO GRATO BEIJO, UM ABRAÇO
OU SINCERA CARICIA DE MÃO QUE ME AFAGA.
E, POR FIM, VOU VIVENDO CONFORME DESEJO,
PENHORADO AO MEU DEUS E COM MUITO PRAZER,
NO FINAL DESTA VIDA, DIZER EU ALMEJO:
TERMINADA A TAREFA, CUMPRIR MEU DEVER.

( Agenor Miranda Rocha)

Recomendação aos incautos: Não pratiquem nada contra Protógenes, não adianta os individuos do mal virem contra um cidadão de bem, vão ter que praticar atentados em mais de duzentos milhões de brasileiros indignados e façam bem feito, para não ocorrer da forma como aconteceu com ele no dia 15 de Janeiro do corrente ano. Desejo ao Daniel Dantas e comparsas SAÚDE e PAZ, que a verdade se revelará.

www.protogenespq@gmail.com
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sábado, 17 de janeiro de 2009

REPÓRTER DA GLOBO NO ORIENTE MÉDIO SERVIU O EXÉRCITO DE ISRAEL


Já algum tempo circula pela blogosfera um escândalo envolvendo uma jornalista a serviço do Jornal O Globo e para o Globo News no Oriente Médio.

Renata Malkes contratada pelo jornal O Globo e fazendo matérias para a Globo News tem mostrado o "seu lado" da história que vem ocorrendo na Faixa de Gaza para os assinantes desses respectivos meios de comunicação. A denúncia foi revelada no blog Cloaca News que, de blog em blog, vem ecoando essa "novidade" de um grupo empresarial de comunicação, tão acostumados a fazer um tipo de jornalismo que não é novidade pra muita gente.

Acompanhe abaixo o texto com mais detalhes;

Correspondente da Globonews e do jornal O Globo não esconde seu desprezo pelos palestinos e diz que árabes são "burros" e "mentirosos"

Antes de ser a titular do blog "O outro lado da Terra Santa (o Oriente Médio que você nunca viu)", abrigado na versão online do jornal O Globo, a carioca Renata Malkes manteve um outro blog, chamado "Balagan", que - ela mesma esclarece - significa "bagunça". Se você clicar aqui, verá que ela abandonou o blog, retirando de circulação todo o conteúdo postado. Mas, graças a uma engenhoca chamada Wayback Machine, todas as barbaridades que a jornalista escreveu de 2002 a 2007 ficaram arquivadas, para a sorte dos céticos (clique aqui para comprovar).


Não queremos fazer a caveira de ninguém, mas os pobres leitores de O Globo e os que levam a Globonews a sério deveriam ter o direito de saber quem é a repórter escalada por eles para trazer as notícias e as análises daquela parte do mundo.


Aqui, Renata Malkes exulta por ter seu blog reconhecido pelo jornal israelense Yediot Aharonot como um "warblog", ou seja, de divulgação da propaganda sionista.


Aqui, ela ataca os palestinos, ridiculariza os árabes e, de quebra, esculhamba a virilidade dos brasileiros.


Aqui, Renatinha destila baba sobre o MST, pelo apoio dos sem-terra à causa palestina.


Aqui, diz que os árabes são mentirosos.Aqui, sobrou para a Venezuela; segundo ela, são "amigos dos brimos".


E aqui, cara leitora, caro leitor, você verá Renata Malkes exultante por realizar seu sonho de ser aceita no Exército de Israel. Não sabemos se a jornalista da Globo participou de alguma missão militar. Mas, a julgar pelo perfil da moça, não temos dúvidas do que ela seria capaz de fazer com um fuzil Galil na mão.


Você seria capaz de imaginar pessoa mais isenta para mostrar "o Oriente Médio como você nunca viu"?


Links relacionados ao texto;

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