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terça-feira, 31 de março de 2009

Ataque contra Brizola: SNI e Globo, tudo a ver!


Acompanhamos, mais uma vez, as tentativas de nossa mídia burguesa em atacar algumas referências históricas que não fazem parte de seu saco ideológico, reacionário e conservador. Leonel Brizola foi assunto de primeira página no Jornal O Globo, pertencente a família Marinho. Essas informações consegui encontrar no blog de Rodrigo Vianna na qual reproduzo seu post, logo abaixo.





Por Rodrigo Vianna


Não chega a surpreender. Mas não pode passar sem registro o ataque covarde de "O Globo" a Leonel Brizola, na edição deste domingo (29 de março de 2009).

A manchete do jornal da família Marinho é: "SNI: Brizola e Cesar recebiam propina de empresas de ônibus".
O ex-governador já não está aqui pra se defender. Durante anos, como se sabe, ele travou uma batalha quixotesca contra o império dos Marinho. Era atacado, revidava, nunca se dobrou. Em 1994, o "Jornal Nacional" teve que publicar um direito de resposta histórico, lido por Cid Moreira - http://www.youtube.com/watch?v=F7x_8ZsOqvM. Quinze anos atrás, Brizola falava pela boca do locutor pago pela Globo. Agora, os filhotes de Roberto Marinho atacam o líder trabalhista já morto, usando pra isso arquivos do SNI. Faz todo sentido. A velha dobradinha está de volta: SNI e Globo, tudo a ver! Se eu fosse do PDT, pedia direito de resposta, só pra ver a primeira página de "O Globo" invadida pelo ex-governador, como se fosse um fantasma a assombrar os filhotes de Roberto Marinho. Durante toda a semana, o jornal carioca trouxe reportagens baseadas em documentos encontrados nos arquivos do SNI (o serviço de informações mantido pelo militares, durante a ditadura). Mas, os Marinho guardaram para domingo a paulada contra Brizola. Muito corajosos esses filhos do Roberto Marinho: atacam um morto na manchete... E, só pelo meio do texto, é que aparece a informação: "os relatórios não apresentam provas e não indicam ter originado investigações formais, mas são categóricos nas acusações". Hum... Mais adiante, uma frase típíca do jornalismo praticado sob os auspícios de Ratzinger - o agente das trevas do jornalismo global: "de 1982, quando foi eleito numa eleição marcada por suspeitas de fraudes, a 1986, quando passou o cargo ao desafeto Moreira Franco, Brizola foi citado em 1.460 dossiês do SNI". "Eleição marcada por suspeitas de fraudes", diz "O Globo". O jornal dá a entender que fraudes teriam favorecido Brizola na histórica vitória de 1982 (quando chegou ao governo do Rio numa campanha heróica, sem dinheiro, sem máquina partidária, feita no gogó e na raça). O que ocorreu foi o contrário. Tentaram garfar a vitória de Brizola na apuração, no famoso "Escândalo Proconsult".

A TV Globo, na época, foi acusada de divulgar os dados da apuração que favoreciam o candidato da casa, Moreira Franco, e não Brizola. O ex-governador usou os microfones da "Rádio JB" pra desmascarar a fraude.
"O Globo", claro, não conta nada disso na "reportagem" deste domingo. Paulo Henrique Amorim escreveu um livro sobre o caso. Segue a tentativa de reescrever a história do Brasil. Ratzinger- o agente das trevas do jornalismo global - já tentou provar que a cobertura da TV Globo, na campanha das dIretas, foi correta. He, he... Só rindo. Humildemente, aqui, faço minha parte. Relembro que Brizola era um democrata. Do outro lado, estavam a Globo e a ditadura. Brizola era um tipo raro, que ousou defender a democracia de armas na mão. Em 1961, quando os militares tentaram impedir a posse de João Goulart, Brizola se entricheirou no Palácio Piratini (sede do governo gaúcho), e organizou a "Cadeia da Legalidade" (rede de emissoras de rádio, pelas quais convocou a população a defender a ordem democrática, em discursos históricos). Os militares nunca perdoaram Brizola pela afronta. Por isso, o SNI tinha todo interesse em manchar sua biografia.
Tão preocupada em recuperar a memória do Brasil - de forma seletiva, evidentemente - a turma de Ratzinger e da família Marinho podia aproveitar o próximo dia primeiro de abril para republicar o histórico editorial de "O Globo", em defesa do golpe de 64. Não vão publicar? Então, deixa que a gente mostra aqui na internet - http://www.viomundo.com.br/contraponto/primeiro-de-abril-segundo-o-globo-nascia-um-paraiso-no-planeta/ Brizola tinha razão em chamar essa gente de "filhotes da ditadura" Filhotes que seguem fiéis à velha parceria: "Roberto Marinho e ditadura, tudo a ver".

segunda-feira, 30 de março de 2009

Eleição do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo

Encerrado o processo eleitoral no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, nós, membros da Chapa 2, “Enfrentar a Crise, Sindicato é Pra Lutar!”, agradecemos a todos/as aqueles/as que confiaram na nossa disposição de luta e nosso Programa e apostaram na proposta de renovação do Sindicato. Não conseguimos vencer, mas reafirmamos nesta campanha a grande vitalidade da Oposição e o respaldo que continua a merecer na maioria das grandes redações.

Nesta eleição, 1.168 jornalistas tiveram seus votos validados.

A Chapa 2 recebeu 515 votos, 44% dos votos válidos. A Chapa 1, da situação, recebeu 653 votos, 56%.

Sample ImageApesar da derrota, a Chapa 2 foi a mais votada na capital: somadas as urnas 1 (sede) e 2 a 6 (volantes), recebemos 303 votos, mais do que os 283 votos recebidos pela Chapa 1.

É um resultado histórico, que indica a existência de uma crescente insatisfação dos/as jornalistas com a apatia e o abandono que vitimam nosso Sindicato. Insatisfação que não se manifesta apenas nas redações, mas também é encontrada entre assessores/as de imprensa e colegas aposentados/as.

Nas regionais, bem como na urna de votos por correspondência, fomos derrotados. Mas vencemos em Bauru (34 x 19) e obtivemos resultados importantes em Piracicaba (14 x 15), Sorocaba (17 x 20) e Santos (43 x 78).

Continuaremos batalhando para fortalecer nosso Sindicato e dar-lhe um perfil combativo, capaz de defender a categoria da ganância dos patrões e de torná-lo um protagonista atuante na sociedade brasileira, em especial na luta pela democratização das mídias. Para tanto, a sindicalização de milhares de jornalistas é um passo indispensável.

Como temos feito ao longo dos últimos anos, procuraremos, com a ajuda da categoria, fiscalizar a diretoria eleita e exigir que cumpra seus compromissos de campanha, além de prestar os esclarecimentos necessários quanto a denúncias recentes que ainda não foram respondidas satisfatoriamente.

A todos os que nos apoiaram, reiteramos nosso muito obrigado!
Chapa 2, “Enfrentar a Crise, Sindicato é Pra Lutar!”


Sindicato é Pra Lutar (site oficial)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Che, o filme (parte 1)


Finalmente chegou. Em cartaz o filme que tantos esperavam. "Che, o argentino" estréia hoje em todo o Brasil. Se ainda não chegou em sua cidade, aguarde. Se desconfiar que não será exibido, exija ou procure um cinema mais próximo que irá fazer a exibição. Sugiro também não se aventurar em assistir o filme atraavés de um DVD pirata. Vc perderá a oportunidade de sentir toda a dimensão que o personagem passa através do cinema. Apesar de tentarem passar, de fato, sua condição humana, o espectador, que conhece a história deste revolucionário, tenderá a se emocionar pela grandiosidade do personagem. Está ali diversos detalhes que em algum momento tivemos a oportunidade de conhecer. Talvez eu não seja a pessoa mais indicada para fazer uma crítica do filme, principalmente porque ainda não o vi, apenas acompanhei diversas críticas e entrevistas, mas posso lhe garantir que o esmero com que foi produzido garantirá a oportunidade de aprender um pouco mais sobre esse grande revolucionário que tanto nossa humanidade precisa ter dentro de nós.

O filme está dividido em duas partes, sendo que apenas a primeira está sendo lançada no Brasil e a segunda não tem data prevista.



Sem mais firulas, acompanhe abaixo algumas críticas do filme, o site oficial e também o trailer. Sugiro que ao assistir o trailer, espere carregar. Há diversos pela net. Então se esbaldem, pois vale a pena assistir cada segundo do filme.


"Che", um filme de 4 horas está a altura de Guevara
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Página oficial do filme
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Steven Soderbergh defende "che", filme de mais de 4 horas.


Acompanhe os demais posts, logo abaixo com a apresentação do trailer do filme, que foi disponibilizado no Youtube e também a entrevista coletiva dos atores.

Che, o filme. (Parte 2)

Para assistir melhor o trailer do filme "Che", desligue a estação musical do blog, a esquerda da página logo abaixo.

Se quiser assistir o trailer do filme na página oficial, que é diferente deste, basta clicar no link "Página oficial do filme", que se encontra no post anterior a este.

Che, o filme (parte 3) Entrevista coletiva do filme

Para assistir melhor esta entrevista, desligue a estação musical do blog, a esquerda da página logo abaixo.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Banco do Sul terá capital de 10 bilhões de dólares


Argentina, Brasil e Venezuela injetarão 2 bilhões de dólares cada na entidade latinoamericana, sendo que os 4 bilhões restantes serão completados por Bolívia, Equador, Uruguai e Paraguai (Foto: Solenidade de Assinatura da Fundação do Banco do Sul na Argentina)

da Redação Agência Brasil de Fato (Com Telesur e ABN)

O Banco do Sul terá um capital inicial de 10 bilhões de dólares que poderá elevar-se no futuro com a incorporação de novos sócios, segundo decidiram, nesta segunda-feira(23), os ministros de Economia dos países associados, em reunião realizada em Caracas, Venezuela. Participaram da reunião representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Trata-se da “criação de um banco que vai ter um capital de 10 bilhões de dólares, e que pode aumentar no futuro, para financiar tipos de projetos para o desenvolvimento de nossos países”, disse o ministro venezuelano para Economia e Finanças, Alí Rodríguez.

Rodríguez qualificou o encontro como excepcional e apontou que nele foram resolvidos pontos que estavam pendentes para se avançar à materialização deste significativo instrumento financeiro.

O ministro venezuelano explicou que os sete países que participaram da criação do Banco do Sul concordaram plenamente que a América Latina é chamada a desenvolver um papel cada vez mais importante no concerto das nações, e para isto os governantes das mesmas consideram indispensável avançar plenamente nos processos de integração regional.

Um encontro similar em 25 de abril de 2008 em Montevideo havia decidido que a entidade teria “um capital autorizado do equivalente a 20 bilhões de dólares, com um capital registrado de 7 bilhões de dólares”. O acordado nesta segunda-feira(23) implica, desta forma, no aumento de 3 bilhões de dólares no capital inicial.

Os ministros ratificaram o pacto em Montevideo, sendo que as economias maiores – Argentina, Brasil e Venezuela – injetarão cada uma com 2 bilhões de dólares, segundo o governo venezuelano.

“Bolívia, Equador, Uruguai e Paraguai contribuirão, de maneira escalonada, com somas que estarão ao redor de 100 milhões de dólares por país, até que em conjunto completem os 4 bilhões de dólares restantes”, disse um comunicado.

“Dentro dos processos de integração ressaltam a união energética, na qual se tem avançado, a integração física, que implica a construção de ferrovias, estradas e facilidades portuárias e aeroportuárias que sirvam como novas linhas de conexão entre os nossos países, além de um ponto de suma importância como o é a integração financeira”, disse o ministro.

Rodríguez anunciou que os ministros terão uma nova reunião técnica e ministerial em Buenos Aires, Argentina, no começo de maio, e imediatamente após se convocará uma cúpula presidencial em Caracas “para deixar definitivamente instalado o Banco do Sul”.

O ministro venezuelano acrescentou que o Banco do Sul também aumentará o aparato produtivo dos países membros, fortalecendo aos setores público e privado.

O Banco do Sul foi fundado no final de 2007 em acordo assinado por Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, com o objetivo de aprofundar a identidade sulamericana economicamente e impulsionar o músculo produtivo da região para conseguir a total independência do modelo imperialista.

domingo, 22 de março de 2009

Carta aberta aos jornalistas do Brasil


O vídeo postado aqui no Pimentus denominado "O programa "censurado" no último post deste blog, deu o que falar. Quando este vídeo, transmitido pela TV Câmara chegou ao conhecimento do "censor de nossa república" Gilmar Mendes, o mesmo se encarregou de tentar sensurar. A noítica busquei no blog "Vi o Mundo" do jornalisa Luiz Carlos Azenha. Na foto acima Leandro Fortes, jornalista que participou do programa (para assisti-lo basta ir ao post anterior a este e seguir as instruções).

Veja a história através de um dos jornalistas que participou do programa:



Por Leandro Fortes



No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.


Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.


Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.


Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?


Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.


Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.


Leandro Fortes Jornalista


Brasília, 19 de março de 2009


Clique aqui para ir ao site da Carta Capital, que diz: "Gilmar Mendes, o censor".


Clique aqui para ver, na TV Viomundo, o programa que Gilmar Mendes não quer que você veja.


terça-feira, 17 de março de 2009

Os factóides criados pela Revista Veja

Está lembrado a respeito de toda aquela sana midiática criada e mantida pela mídia a respeito das escutas telefônicas na Operação Satiagraha da Polícia Federal? Pois bem, aqui dois jornalistas dão declarações a respeito deste factóide criado pela Revista Veja com o intuito de desqualificar a operação da Polícia Federal e ajudar a livrar o criminoso banqueiro Daniel Dantas de sua responsabilidade. Que diga-se de passagem, o criminoso e seus séquitos articulam, com o restante da mídia comprada, impingir no Delegado Protógenes, a culpabilidade por dirigir um esquema de investigação supostamente ilegal. Que ilegal até agora provado foi a culpa do banqueiro. Que já foi Julgado e condenado.

A entrevista não é atual, mas vale como registro histórico.
Para seguir a seqüência da entrevista, basta clicar no vídeo, quando este terminar aqui. Assim você será direcionado à página do Youtube. Lá, iniciará o mesmo vídeo, basta pará-lo e selecionar a sequência da entrevista no "box", à direita da página. E assim sucessivamente até terminar a entrevista.

Está divida em apenas três blocos.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ela está chegando


Parecia coisa distante. Só no noticiário e sempre pela boca da oposição política ao atual governo. Muitas vezes amplificada pela nossa mídia golpista, oportunista. Os marxistas já a estudavam, com certo deleito, não por causa de algum prazer mórbido, mas por refletir o que Marx e Engels já dizia no século retrasado; crise da superprodução é cíclica no capitalismo. Só faltava decidir se era soft landing ou hard landing.


No último sábado, participei de uma palestra que abordava justamente sobre esta tão temida crise. Que alguns querem dizer que é apenas uma "marolinha", já outros que é um tufão.


A palestra, que teve o tema "Crise Econômica Capitalista sob a óptica do Marxismo", revelou, entre outras coisas, a necessidade dos trabalhadores organizados estarem preparados para apresentarem uma alternativa a este modelo de sistema de exploração e injustiça social. Quem participou saiu de lá querendo mais. Quem não foi, fica sabendo agora o que perdeu.



Para ler um pouco mais sobre esta crise, clique nos links abaixo;



A crise mundial capitalista não é uma “marolinha”

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A “marolinha” chegou. Feliz 2009, lutadores socialistas!

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Os economistas e a Crise

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sábado, 14 de março de 2009

A fome nossa de cada dia



Por Ricardo Alvarez *

Desconsiderar a fome como questão central no Brasil implica na confissão de dois pecados imperdoáveis: abandonar ao relento do mercado quem sofre deste mal inconcebível em pleno século da tecnologia, e ignorar toda uma produção científica na busca de soluções para nossos problemas neste campo.

Aqueles que enveredam pela reflexão sobre o Brasil, buscando compreender a gênese e a estrutura de seus impasses atuais, deparam-se, necessariamente, com o apartheid social permanente destes mais de 500 anos de formação territorial. A recusa em reconhecer e, sobretudo agir para superar os dilemas produzidos pela grande concentração de renda, terra e poder têm marcado a história nacional com irritante persistência. A fome, em meio à recordes de colheita, é talvez um dos mais sintomáticos.

Enquanto uma parte das elites dirigentes está preocupada com frivolidades e o governo com o assistencialismo eleitoral, o povo da base da pirâmide vai se virando como pode. É preciso ser criativo, solidário e dotado de uma profunda resignação em aceitar o que já não serve ao restante da sociedade, para aproveitar as oportunidades que aparecem esporadicamente para as grandes hordas de excluídos, situação muito bem retratada numa charge do cartunista Angeli sobre o desemprego, onde uma pessoa com um megafone na mão anunciava uma profissão e seus ajudantes puxavam de um buraco uma única pessoa em meio a uma multidão disponível e de braços levantados.

Apesar da insistente cantilena da ideologia do sucesso individual, todos sabem que no capitalismo a pobreza pode ser esporádica para alguns, mas é permanente para a classe. E são justamente estes alguns que são usados como exemplo para mostrar que o sistema permite mobilidade social, ignorando a classe que não sai do lugar. Justificar a imobilidade da maioria com a mobilidade de pouquíssimos é, certamente, uma forma de contar a história e de fugir às raízes do dilema.

O baiano Milton Santos, um dos brilhantes geógrafos que estudaram nossa sociedade, alertou para o fato de que no período atual a fome passou a ser um dado generalizado e permanente no mundo. Mas dizia que os pobres, por conhecerem a experiência da escassez e o convívio permanente com ela, buscavam alternativas apoiadas na solidariedade para driblar as dificuldades cotidianas. Destas alternativas emergia um ‘circuito inferior da economia’, assim como uma cultura popular de massa em oposição a uma cultura midiática, que precisavam ser devidamente estudados, pois eles contêm a potencialidade da transformação.

A histórica ausência do Estado e das políticas públicas sociais, associado à restrita participação popular na tomada de decisões, aprofunda o abismo entre os de cima e os de baixo, gerando a indesejável colocação para o Brasil de um dos campeões na má distribuição de renda neste planeta. A combinação dionísica da exclusão promovida pelo mercado e a constituição de um Estado edificado para ser correia de transmissão dos interesses das elites nacionais.

Para as elites dirigentes, que se negam a enfrentar a barbárie cotidiana resultante desta babel brasilis, resta distribuir teses infundadas para não distribuir parte do bolo. Assim, proclamam que os crimes decorrem de uma maldade de berço de alguns predestinados, em geral pobres e negros. Se há fome é porque eles têm muitos filhos, necessário então reduzir a natalidade. Também não é possível produzir alimentos para tanta gente, portanto alguns terão que sofrer privação. O desemprego é responsabilidade direta dos preguiçosos e vagabundos que nesta condição estão pela falta de iniciativa e qualificação.

Esta mesma elite tacanha, que controla canais de TV, rádios e jornais, detém 75% da renda nacional, frequenta ‘bunkers’ como a Daslu (sobejamente sonegadora), percorre a metrópole paulista de helicóptero, visita ‘os paraísos da natureza’ desde que contenham exclusividade proporcionada por hotéis de alto luxo, e decreta, do alto de sua sabedoria provinciana, que os pobres gostam mesmo de pobreza.

Porém se estas teses vêm sendo repetidas ao longo do tempo, também são refutadas na mesma intensidade. Outro geógrafo que escancarou nossas vísceras sociais contaminadas e atacou o escândalo da fome em meadas décadas do século XX, foi o pernambucano Josué de Castro. Esclarecia que a fome não era um problema de ordem natural, como então majoritariamente se pensava, mas um contratempo humano. Dizia: "Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens".

Suas idéias circulavam apoiadas neste pressuposto: “A apropriação injusta e ilegal da generosidade e abundância dos recursos da natureza, é, segundo Josué, responsável pelo subdesenvolvimento, gerador de miséria e a fome. A paz dependeria, fundamentalmente, do desarmamento aliado a um equilíbrio econômico do mundo, a partir de uma distribuição da riqueza visando o verdadeiro desenvolvimento a ser buscado, o humano.”, de acordo com o site que leva seu nome.

Hoje ainda contabilizamos dados assustadores neste sentido. De acordo com o Action Aid:

• O Brasil é o 9º país com maior número de pessoas com fome no mundo, com 8% de sua população consumindo alimentos em qualidade e quantidade insuficientes;
• Cerca de 21% da população vive com menos de 2 dólares por dia;
• 45% das crianças com menos de 5 anos sofrem de anemia crônica por falta de ferro na alimentação;
• 50 mil crianças nascem todos os anos com algum tipo de comprometimento mental devido à falta de iodo na alimentação;

Nosso PIB cresceu bastante desde a época de Josué de Castro e muita coisa mudou: já mandamos um astronauta circular nas alturas, ganhamos várias copas do mundo, nosso país se urbanizou, se modernizou, se industrializou e conseguimos a autosuficiência no petróleo. Mas a fome persiste.

Mesmo com o Programa Fome Zero (substituído em importância pelo PAC) os avanços foram tímidos, pois se limitou a uma política assistencialista de distribuição de alimentos, sem tocar nas raízes do problema. Busque na memória e você vai lembrar que quando estas críticas eram feitas ao Programa, rapidamente o governo se encarregava de retrucar dizendo que “a pessoa que tem fome não pode esperar discussão, debate e ideologia, era preciso agir”. É verdade, barriga vazia se combate com comida, já dizia o grande filósofo nacional, mas e hoje? Como ficam os famintos? O Programa fez água justamente porque a crítica tem fundamento.

O Brasil precisa de uma política agressiva de redistribuição de renda que não se resuma a distribuir benefícios. É preciso estar acompanhada necessariamente de outras medidas, como por exemplo, uma política de segurança alimentar apoiada na produção de víveres básicos do consumo popular. Os dados mais recentes mostram que ocupamos 3,0 milhões de hectares com a lavoura de arroz e 4,3 milhões com feijão. Parece um mundo de terras, mas se compararmos com os 851 milhões de hectares que formam este colosso chamado Brasil veremos que as cifras são raquíticas. Em outras palavras, apenas 0,85 do território nacional está ocupado com o cereal e a leguminosa. Um aumento de simples 20% na área plantada e na produção significaria passar dos 7,3 para 8,7 milhões de hectares como forte impacto na alimentação do povo brasileiro.

Obviamente o aumento da produção levaria a queda de preços, ruim para o produtor, bom para os consumidores, mas é justamente ai que entraria o governo com uma política de ampliação da produção de alimentos, garantindo preços mínimos, forçando a ocupação da terra, combatendo o latifúndio, gerando empregos no campo e atacando a fome. Ação muito mais eficiente, com míseros 20% de acréscimo na área plantada, do que o assistencialismo alimentar.

Os latifundiários, por exemplo, ocupam hoje mais de 20 milhões de hectares com soja quando no início dos anos 90 o número beirava os 11,5 milhões. A cana-de-açúcar foi de 4,2 para 6,5 no mesmo período. Arroz e feijão sofreram redução da área plantada. Hoje o brasileiro consome mais massas do que a interessante combinação do arroz com feijão, de grande valor nutritivo.

Não faltam terras, faltam políticas de distribuição delas. Não faltam empregos, falta vontade de enfrentar a terra improdutiva. Não falta comida, falta direcionar a produção para o atendimento das necessidades básicas de nossa população.

Houve um tempo em que um pensador britânico chamado Thomas Malthus fez muito sucesso quando escreveu (na virada do século XVIII para o XIX) que o mundo não suportaria a população vindoura, pois a nossa capacidade de produzir alimentos não acompanharia a correspondente geração de bocas. Embora ainda haja muitos neomalthusianos espalhados por ai, acreditando piamente em suas teses e defendendo a redução da natalidade como a única saída para o combate à fome, basta um pequeno esforço de raciocínio para desmoronar esta retórica infundada.

As evidências derrubaram o mito do excesso de gente e com ele todo o pensamento de Malthus. Mas a fome continua em pé.

* Ricardo Alvarez
Geógrafo, é professor e editor do Blog Controvérsia