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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O demo Arruda será o vice de Serra?


Por Altamiro Borges

O único governador do DEM no país, José Roberto Arruda, está quase no cadafalso, pronto para a degola. Os 30 vídeos em mãos da Polícia Federal mostram o demo e os seus aliados colocando maços de dinheiro ilícito nos bolsos, nas meias e até na cueca. As imagens não deixam margem à dúvida. A corrupção é pesada e enterra o discurso dos oligarcas do ex-PFL, que se travestiam de paladinos da ética para evitar o total fiasco nas eleições majoritárias e proporcionais de 2010.


A cada pleito, o ex-PFL não engana mais ninguém. Em 1998, o partido dos coronéis elegeu 105 deputados federais. Em 2002, ele conseguiu emplacar 84 e, em 2006, caiu ainda mais, elegendo 65 parlamentares. Desmoralizado e enfraquecido, ele desidratou na atual legislatura e ficou com 55 cadeiras. Já no executivo, o desastre foi bem maior. Elegeu seis governadores em 1998; caiu para quatro em 2002; e só conseguiu emplacar um em 2006, José Roberto Arruda, um ex-tucano que renunciou a mandato de senador após o escândalo da violação do painel eletrônico, em 2001.

“Ambos trocaram elogios mútuos”

O encolhimento dos demos não deve preocupar apenas os coronéis deste partido. Afinal, o DEM é quase um apêndice do PSDB. Não tem vida própria e vegeta – ou definha. Com sua crise, que pode ser terminal, ele cria baita dor de cabeça para os tucanos, abalando o sonho dos neoliberais-conservadores de retorno ao poder na sucessão do próximo ano. Arruda estava flertando com o mineiro Aécio Neves, mas nunca escondeu seu desejo de ser vice do tucano paulista José Serra.

“Serra, do PSDB, e Arruda, do DEM, ensaiam aliança para 2010”, informou o sítio da Folha no ano passado. O artigo, agora ocultado pelos “colunistas” da mídia, informava que os dois haviam se reunido em Brasília para negociar a possível dobradinha. “Ambos trocaram elogios mútuos na presença dos líderes nacionais dos dois partidos”, relatava. O governador do Distrito Federal fez, na ocasião, rasgados elogios ao seu compadre paulista, garantindo que “copiava” várias projetos do grão-tucano – ainda não existiam as denúncias de roubo dos cofres públicos.

O socorro da revista Veja

Quando renunciou ao seu mandato para escapar da cassação, o então tucano José Roberto Arruda chorou copiosamente na tribuna do Senado. Agora, quem deve estar chorando são os demos, que ficaram sem discurso e podem encolher ainda mais no pleito de 2010; os tucanos, que assistem a tragédia dos seus fiéis aliados; José Serra, que despenca nas pesquisas e acompanha o enterro de um eventual candidato a vice; e a própria mídia hegemônica, que nunca escondeu a torcida por uma “imbatível” aliança tucano-demo. Haja lenço ou papel-higiênico para tantas lágrimas.

Talvez a revista Veja pudesse consolar os chorões do DEM e do PSDB. Em julho deste ano, ela já bajulou o governador do Distrito Federal – talvez como gratidão pela compra de assinaturas do panfletinho da Editora Abril – na entrevista intitulada “Ele deu a volta por cima”. Nela, Arruda aparecia como um estadista, como político ético, apesar de confessar que “sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição”. O escândalo atual cobra explicações de Arruda, de Serra, dos demos, dos tucanos e da mídia venal. Haja papel higiênico!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Financiamento público eleitoral, adote esta idéia


A corrida eleitoral já começou. Não importa o lugar do Brasil, é "santinho", carro de som, muro pintado e cabos eleitorais afinados com o discurso do candidato. Não bastasse isso, devido a conveniência de quase todos, letrinhas de partidos que antes não se bicavam, agoram andam de braços dados. Grandes inimigos já alguns anos, PSDB e PT em diversos lugares se enamoram. Talvez pq o objetivo fale mais alto, mesmo que o discurso e a prática não sejam o mesmo. Ou é?!
O mais interessante dessa história é que as eleições municipais é um preâmbulo das eleições nacionais daqui há dois anos. Se o PT conseguir atingir seus objetivos e eleger as mais de 80 cidades, que acreditam ser importantes, sua direção acredita que o presidente Lula irá fazer seu sucessor. Estarão conquistando as bases para a pavimentação até o planalto novamente. Se não o fizer, seu principal adversário (PSDB) poderá chegar com força total. Contando também com o apoio tradicional da mídia corporativa. Que quando não está ocupada em impingir toda desgraça ao atual governo, se preocupa em esconder o rabinho de elefantes dos tucanos em diversas paragens.


O processo eleitoral brasileiro não me parece tão democrático assim. Como dizem alguns amigos marxistas, a democracia burguesa é uma espécie do "reino do faz de conta". Os candidatos remaqueiam os discursos manjados (corrupção, moralismo, hora de renovar, etc.) Mas se embrenham a procurar financiamento para suas candidaturas, justamente com quem sempre tirou proveito desse sistema. Os capitalistas. De empresários a latifundiários. Todos tem a seu dispor, da esquerda moderada aos direitistas tradicionais.
Com o pires nas mãos, rodeiam os corruptores a procura de recursos financeiros. No final, o discurso e a defesa de um sistema democrático, onde se busca mais isenção do homem público frente aos seus deveres perante a sociedade, são completamente esquecidos. Principalmente quando procurados pelos seus financiadores querendo, obviamente, sua parte no cunhão.


O financiamento público de campanhas eleitorais iria diminuir consideravelmente essa promíscuidade entre o candidato e seus finaciadores. Primeiro pq estes financiadores estariam proibidos de financiá-los. Segundo, devido a natureza dos recursos, não só a sociedade, mas os próprios adversários estariam se fiscalizando mutuamente. Tentando garantir que ninguém mais utilize aquilo que lhes foi deixado disponível para usar durante a campanha.
Acompanhem um pouco mais sobre este assunto nos links abaixo.


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terça-feira, 29 de julho de 2008

A corrupção no capitalismo


Lendo a matéria da Agência de Notícias Brasil de Fato, na qual disponibilizei um link, após o post "A Era FHC", observei que a opinião do socíólogo Francisco de Oliveira, citado na matéria, tem um fundo de razão. Segundo ele, a corrupção política faz parte da estrutura do capitalismo moderno. Principalmente dos países periféricos. Não que a corrupção seja exclusiva do capitalismo, mas é um coadjuvante importante para a sustentação deste. Com certeza, para que o capitalismo possa se desenvolver plenamente, precisa mais do que a competição no "livre mercado". Segundo Oliveira, não é possível classificar essa corrupção como "acidente de percurso" porque ela faz parte da estrutura montada para o desenvolvimento do capitalismo. Leia abaixo o trecho em que há estas afirmações e faça sua reflexão;



"...Estado “atuante”
O sociólogo Francisco de Oliveira acredita que a operação da PF e os seus desdobramentos revelam que a “utopia neoliberal do Estado mínimo” está longe de ser alcançada, já que o poder público tem um papel central na execução de operações irregulares. “O Estado tem um papel importante no capitalismo desde [
Getúlio] Vargas e ,com as privatizações, acabaram com toda discussão do discernimento entre público e privado. A partir de então, virou um 'melê' total. A gestão FHC abriu as portas para o capitalismo pirata. Na gestão Lula, houve uma manutenção, mas pode haver um recrudescimento, se forem realizadas novas privatizações”, considera.


Para ele, o grupo de Dantas não pode sequer ser denominado “máfia”, já que suas operações estão inseridas dentro da lógica que forjou o Estado brasileiro. “A corrupção é uma doença genética do capitalismo brasileiro. É uma composição do capitalismo formador da sociedade. Isso não é uma máfia, pois não é um acidente de percurso, nem uma 'escroqueria' tipicamente brasileira, a existência disso é estrutural no capitalismo periférico”, avalia o sociólogo. ..."


Alguns links interessantes a respeito para reflexão;

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