domingo, 15 de janeiro de 2012
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
“Ley de Medios” da Argentina sugere roteiro para Brasil democratizar sua comunicação
Para Damian Loreti, da Universidade de Buenos Aires e integrante da comissão que elaborou a chamada “Ley de Medios”, receita de sucesso argentina contou com um bom projeto, mobilização da sociedade e vontade política. No Brasil, governo federal já recebeu sugestões da sociedade civil, que agora aguarda finalização do projeto e início das consultas públicas.
“É difícil dar alguma sugestão ao Brasil, mas a experiência argentina indica que projeto, mobilização e vontade política formam o caminho do sucesso”, respondeu ele, ao ser questionado sobre sua visão acerca da dificuldade de o debate avançar no Brasil. “Na Argentina, todo o processo também foi complicado, houve muita disputa e até hoje há discussões na Justiça, mas precisamos ter em conta que é dever do Estado promover a pluralidade da comunicação”, disse o professor, que esteve no Brasil semana passada para participar do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, em Foz do Iguaçu.
Há quinze dias, o ministro das Comunicações brasileiro, Paulo Bernardo, recebeu uma série de propostas sobre o marco regulatório da mídia, apresentadas pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Muitas das sugestões têm como base os debates da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, de 2009. O FNDC reclamava de falta de negociação por parte da administração Dilma. O governo, agora, precisa apresentar o projeto concluído e colocá-lo em consulta pública.
Segundo Damian Loreti, a lei argentino está baseada na criação de três tipos de controladores de serviços audiovisuais: os estatais, os privados com fim de lucro, e os privados sem fim de lucro. Enquanto os entes estatais ficam com uma freqüência de FM, AM e tevê aberta cada, os entes sem fim de lucro ficam com 33% do total, e os entes privados com fim de lucro com todo o restante. Há regras para evitar a concentração de sinais nas mãos de um mesmo grupo, e cotas de produção nacional para serem seguidas.
O projeto foi preparado com amplo debate público, explica o professor. No início, foram realizados durante seis meses debates em universidades argentinas, e 800 pessoas colaboraram. “Tínhamos uma regra de que cada um podia falar por sete minutos. No final, 161 modificações foram feitas no texto, que acabou apresentado ao Congresso em 2007”, recorda-se Loreti, lembrando que o DNA da “Ley de Medios” está na plataforma de 21 pontos criada em 2004 por movimentos sociais e acadêmicos que desejavam trazer mais pluralismo ao país após a grande crise econômica no início dos anos 2000.
Para Martín Becerra, diretor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Nacional de Quilmes, de Buenos Aires, além da lei audiovisual, as novas mídias sociais também colaboram para a democratização da comunicação na Argentina. “A pluralidade é muito grande na blogosfera, tanto de grupos a favor como contra o governo”, diz ele, que mantém o blogue mbecerra.blog.unq.edu.ar.
Apesar das “fraturas” da sociedade, que não permite que todos os argentinos tenham acesso à internet, Becerra vê no país um processo semelhante ao do início da década de oitenta, quando as rádios FMs se disseminaram. Ele alerta, porém, que a comunicação virtual sofre de um processo de “endogamia”, em que as opiniões são polarizadas e aqueles com visões parecidas se aproximam. “Ainda assim, há muito mais pluralidade na rede do que na mídia convencioal”, diz ele, que também esteve no Brasil para participar do 1º Encontro Mundial de Blogueiros.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Diálogo: Democratização da Comunicação, O desafio da democracia no século XXI
O processo, as deliberações, as conquistas e a situação atual da CONFECOM um ano depois.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Democratizar nossa mídia é uma luta de todos
Desde o início dos anos 90 o Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo encampou uma luta da sociedade brasileira que é a luta pela democratiação dos meios de comunicação. Uma luta que na verdade que deve ser de toda sociedade. E como uma entidade que faz parte dela, nada mais natural do que nossos sindicato se unir à essas diversas forças políticas, comprometidas com esse ideal, em querer que nossa mídia seja mais democrática.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Grandes empresas de comunicação querem atropelar conferência
Por Carta Maior
Como já se temia, as grandes empresas de comunicação estão tentando patrolar os representantes das pequenas empresas do setor no processo de eleição de delegados para a Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada de
Da Redação - Carta Maior
Como já se temia, as grandes empresas de comunicação estão tentando patrolar os representantes das pequenas empresas do setor no processo de eleição de delegados para a Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada de
Encerradas as inscrições nesta terça-feira, dia 17 de novembro, apurou-se que o Poder Público teve 118 inscrições, a sociedade civil, 509 inscritos e a sociedade civil empresarial, 437 inscrições. Destas 437 inscrições da sociedade civil empresarial, cerca de 60% é de representantes das grandes empresas. A esmagadora maioria destes é composta de empregados destas empresas que possivelmente serão “obrigados” a comparecer e votar naquilo que seus patrões determinarem. A Carta Maior está encaminhando providências junto ao Ministério Público do Trabalho, para a averiguação desses fatos.
Com a maioria assegurada no setor da sociedade civil empresarial, as grandes empresas querem agora aplicar a tese da votação pelo sistema binário (utilizada nos EUA, onde quem tem mais voto leva todos os delegados). Já os representantes das pequenas empresas defendem corretamente a obediência democrática da proporcionalidade. Ou seja, se as grandes empresas conseguiram 60% de inscritos e os pequenos empresários 40%, dos 84 delegad os que o setor empresarial deverá eleger, a relação será de 50 para 34.
Trata-se de um movimento que pretende passar um rolo compressor sobre os pequenos empresários da comunicação. Para isso, os representantes das grandes empresas, desrespeitando a decisão unânime da Comissão Organizadora da 1ª Conferencia Estadual de Comunicação, que aprovou por unanimidade o Regulamento da Conferência Estadual, apresentaram um recurso descabido à Comissão de Organização Nacional.
Esse regulamento prevê exatamente que a eleição dos delegados à Conferência Nacional, será feita obedecendo ao princípio da proporcionalidade, com o que os representantes das grandes empresas não concordam, em evidente afronta aos mais comezinhos princípios democráticos, bem como ofendendo a tradição brasileira, estabelecida na Constituição Federal, no Congresso Nacional, no Poder Judiciário, e inclusive nos encontros estudantis, desde os anos 60 e 70, de pe nosa lembrança.
Na verdade, as grandes empresas, representadas pelas companhias Telefônica, TIM e Oi, filiados à Telebrasil, em conjunto com o grupo Bandeirantes, estão querendo dar um golpe no processo de escolha de delegados, alijando os demais setores da sociedade civil empresarial. É importante lembrar que o objetivo da Conferência Nacional de Comunicação é atender aos interesses da população brasileira e não de um grupo de empresas, cujo objetivo principal é o lucro. Logo após o governo federal convocar a Conferência Nacional de Comunicação, seis das oito entidades empresariais (incluindo aí a Rede Globo e os grandes jornais do país) abandonaram a comissão organizadora do evento, demonstrando o pouco apreço que tem pela democracia. A saída dessas entidades, que desprezam a idéia da comunicação e da informação como direitos da população, não garante, porém, por si só, as profundas mudanças que o setor necessita. Somente com a a mpla participação de todos é que podemos mudar a atual situação da mídia no país.
Diante desse quadro, a Carta Maior repudia a tentativa das grandes empresas de comunicação de melar o processo da conferência com práticas autoritárias e excludentes. A primeira Conferência Nacional de Comunicação é uma conquista do povo brasileiro e não mais um produto a ser apropriado por estruturas monopolistas que se recusam a entender o significado da palavra democracia.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Confecom SP precisa dos empreendedores progressistas
A Conferência Estadual de Comunicação de São Paulo acontece no próximo fim de semana, dos dias 20 a 22 de novembro. A abertura no dia 20, sexta-feira, será na Quadra dos Bancários. Os eventos do sábado e domingo acontecerão na Assembléia Legislativa. A sociedade civil organizou uma série de etapas municipais e regionais e vai ocupar as suas 400 vagas neste evento.
No campo empresarial também há 400 vagas para a participação de delegados. Desses, 84 serão eleitos para ir à etapa nacional de Brasília que acontecerá de 14 a 17 de dezembro.
Um movimento que conta com a presença de cinco empresas/associações (Adjori/SP – Associação dos Jornais do Interior de São Paulo –, Agência Carta Maior, Cives, Revistas Fórum/Fórum de Mídia Livre e Revista Caros Amigos) garantiu diversidade à comissão organizadora da etapa paulista que não se fez representada apenas pelos grandes conglomerados do setor.
Agora acontece o momento mais importante desta articulação. Até segunda-feira (16) às 23h59 se encontram abertas as inscrições na página eletrônica da Assembléia Legislativa. E para que este debate do campo progressista empresarial tenha maior representatividade é fundamental que um número grande de empreendedores não vinculados às coorporações midiáticas se inscrevam.
Não há restrição por empresa. Ou seja, se várias pessoas da sua organização quiserem participar dos debates podem se inscrever a partir de um mesmo CNPJ e CNAE.
O segmento empresarial foi divido em 10 blocos: 1) Teles; 2) jornais e periódicos; 3) revistas e magazines, 4) geradoras de conteúdo para ambiente web; 5) TVs abertas e por assinatura; 6) empresas de radiodifusão; 7) agências de comunicação; 8) assessorias de imprensa e editoras; 9) plataformas de comunicação (gráficas, provedores de internet etc); 10) produtores de conteúdo para veículos de comunicação.
Muitas pessoas hoje têm empresas para poder sobreviver à lógica imposta pela ganância dos grandes do setor. E esta talvez seja a primeira oportunidade que temos para dialogar tanto com o setor público, como com o grande empresariado a respeito das nossas reivindicações e necessidades.
Divulgue entre seus amigos empresários esta convocação. É preciso garantir o maior número possível de empreendedores progressistas na etapa estadual paulista. A comunicação que queremos também passa pelo fortalecimento de iniciativas empreendedoras do campo progressista.
Se tiver alguma dúvida, entre em contato pelo email: rovai@revistaforum.com.br
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Incentivar as rádios comunitárias

Por Altamiro Borges
A radiodifusão comunitária é recente no país e já demonstrou o seu enorme potencial na luta pela democratização das comunicações. Ela dá voz a quem não tem voz. Permite que as comunidades “excluídas” expressem seus anseios e reivindicações, divulguem suas criações culturais, prestem serviços à população. Essa experiência no Brasil surgiu no início dos anos 1980, ainda na fase sombria da ditadura militar, e só foi reconhecida legalmente em 1998. Na Bolívia, as rádios comunitárias nasceram na década de 1950 no bojo das greves dos mineiros; já no Chile, elas contribuíram para as vitórias da Unidade Popular, a coalizão socialista de Salvador Allende.
Temendo a sua concorrência, a radiodifusão comunitária é alvo da fúria da mídia hegemônica. Já os governos, sob pressão dos empresários, investem para criminalizá-la. O governo Lula foi até mais realista do que o rei, batendo recordes de perseguição. Segundo a Associação Brasileira das Rádios Comunitárias (Abraço), de 2002 a 2007, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Polícia Federal fecharam mais de 15 mil rádios comunitárias.
No mesmo período, “também foram abertos mais de 20 mil processos e cerca de 5 mil militantes foram condenados judicialmente por tentar exercer o direito de livre expressão”, alerta a Abraço. O atual ministro das Comunicações, Hélio Costa, dono da rádio Sucesso FM, de Barbacena (MG), vetou todos os projetos de avanço neste setor e recrudesceu o fechamento das emissoras.
Burocracia e fisiologismo
Além da repressão, tudo é feito para inviabilizar a legalização da radiodifusão comunitária. A burocracia é infernal, com inúmeros obstáculos administrativos. Estudo feito pelo Sistema de Controle de Radiodifusão, em novembro de 2006, apontou a existência de 13.595 pedidos de rádios comunitárias acumulados no Ministério das Comunicações – três vezes mais do que os 4.400 verificados no início de 2003. José Sóter, dirigente da Abraço, critica os burocratas do ministério, “subservientes à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e aos interesses dos monopólios da comunicação, e a falta de gente que esteja comprometida com a efetivação do serviço de radiodifusão comunitária como política pública de comunicação”.
Estudo recente, no qual foram pesquisadas 2.205 rádios comunitárias autorizadas pelo Ministério das Comunicações (80,44% do total das legalizadas), ainda aponta para outro grave perigo: o de que estas concessões sejam utilizadas como moeda de barganha, servindo a políticos fisiológicos e credos religiosos. A pesquisa indica que “a maioria das rádios comunitárias funciona no país de forma ‘irregular’ porque não se logrou ser devidamente autorizada; e, entre a minoria autorizada, mais da metade opera de forma ilegal. Entre as 2.205 rádios pesquisadas, foi possível identificar vínculos políticos em 1.106 – ou 50,2% delas... Há, também, um número considerável de rádios com vínculos religiosos: 120 delas, ou 5,4% do total”. Este deformação revelaria a existência de um “coronelismo eletrônico de novo tipo, envolvendo as outorgas de rádios comunitárias”.
Os riscos do padrão digital
Para complicar ainda mais o quadro, o setor passa por um processo de mutação tecnológica para sua digitalização. O Ministério das Comunicações, dominado pelos barões da mídia, já anunciou que prefere o padrão digital dos EUA, o IBOC. Várias rádios foram autorizadas a realizar testes com o novo padrão, criando um fato consumado – sem qualquer consulta à sociedade. Além de ser propriedade de uma única empresa, que cobrará elevados royalties, essa tecnologia ocupa o espectro de forma predatória, fechando espaços para as transmissões. Ele inclusive avança sobre fatias de freqüências ocupadas pelo sistema analógico. Ao encarecer os equipamentos e restringir as transmissões, esse padrão de digitalização poderá asfixiar a radiodifusão comunitária no país.
Ao invés de ser criminalizada, a radiodifusão comunitária deveria ser incentivada pelos poderes públicos. Diante do golpismo da ditadura midiática, ela é uma arma contra-hegemônica decisiva na defesa da democracia. O Estado deveria baratear seus equipamentos e promover oficinas para capacitar os radiodifusores. Mudanças na legislação deveriam garantir o aumento do número de freqüências das emissoras e ampliar o limite da área e o potencial de seu alcance – hoje restrito a um quilometro. A urgente criação de um sistema brasileiro de rádio digital serviria para evitar a monopolização do setor. Além disso, o poder público deveria garantir os meios de sustentação financeira destes veículos, investindo na construção de conteúdos de qualidade e plurais, e criar barreiras para coibir sua apropriação por setores fisiológicos e para garantir o seu caráter laico.
Propostas concretas para o setor
Para agilizar a legalização das rádios, a Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) propõe medidas simples, como a descentralização dos processos de concessão, redução dos prazos de tramitação e zoneamento da radiofreqüência para definir o canal e a potência para cada localidade. Já a Associação Mundial das Rádios Comunitárias (Amarc) propõe mudanças urgentes no marco regulatório.
Entre outros pontos, propõe que “as comunidades organizadas e entidades sem fins lucrativos tenham direito a usar a tecnologia de radiodifusão disponível, tanto analógica como digital”; que “os meios comunitários tenham assegurada sua sustentabilidade econômica, independência e desenvolvimento”, por meio de patrocínios e publicidade oficial; e a criação “de fundos públicos para assegurar o seu desenvolvimento” e de “políticas públicas que desonerem ou reduzam o pagamento de taxas e impostos, incluindo o uso de espectros”.
sábado, 25 de julho de 2009
Conferência de Comunicação corre perigo?

Por Altamiro Borges
Num primeiro momento, os donos da mídia se aproveitaram do corte no orçamento da Confecom - de R$ 8,2 milhões para R$ 1,6 milhão – para alegar dificuldades operacionais. O representante do Ministério das Comunicações, o assessor jurídico Marcelo Bechara, chegou a antecipar que o contingenciamento da verba “inviabiliza a conferência”, o que deve ter agradado os empresários. Como o recurso foi reposto por decisão do presidente Lula, que enviou projeto-lei ao Congresso, os empresários voltaram à carga para impor o temário e os critérios de participação no evento.
Visão excludente dos barões da mídia
Quanto ao temário, os barões da mídia, teleguiados pela Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert), defendem que a Confecom discuta exclusivamente o futuro da “era digital”. Eles rejeitam qualquer debate sobre monopolização do setor, desrespeito aos preceitos constitucionais sobre produção regional e diversidade informativa, inexistência de normas sobre o controle social, entre outros itens decisivos para a efetiva democratização das comunicações. Numa jogada inteligente, que parte do risco real de invasão estrangeira na produção de conteúdo, a Abert também se fantasia de nacionalista para exigir medidas de proteção à cultura nacional.
Já no que se refere aos critérios de participação, os empresários exigem uma composição que não representa a sociedade brasileira. Eles reivindicam uma reserva de 40% das vagas dos delegados e defendem uma conferência bastante restritiva, com apenas 300 participantes. No início, eles até propuseram 1/3 dos delegados, o que já gerou forte reação. “Será que os donos dos veículos de comunicação e das empresas de telefonia e internet representam 1/3 da população brasileira? Se isso fosse verdade, poderíamos comemorar a quebra da concentração de propriedade que marca a mídia no país, já que contaríamos com 60 milhões de operadores diferentes”, ironizaram Jonas Valente e Carolina Ribeiro, integrantes do Intervozes.
Governo rejeitará as chantagens?
Na reunião desta quarta-feira, sem a presença das oito entidades empresariais, o governo não se mostrou disposto a aceitar a chantagem dos barões da mídia na definição do regimento. Deixou implícito que realizará a Confecom mesmo com o boicote das corporações midiáticas. Também rejeitou qualquer limitação ao temário do evento e demonstrou simpatias com uma nova proposta de composição: 20% do poder público, 50% do setor de comunicação (na qual se daria a disputa aberta na eleição dos delegados entre os empresários e os meios alternativos) e 30% dos usuários da comunicação. Uma última rodada para fechar o regimento está agendada para 28 de julho.
Apesar da disposição manifesta de negociar com os empresários, não será nada fácil garantir sua participação na Confecom. Todas as reuniões da comissão organizadora têm sido tensas e longas, com os barões da mídia fazendo chantagens e ameaças. Evandro Guimarães, dirigente da Abert e funcionário da TV Globo, é o mais inflexível nas negociações. Da parte dos movimentos sociais, não se tolera qualquer recuo que descaracterize o objetivo do evento de apontar políticas públicas para democratizar os meios de comunicação. A batalha, como se previa, tem caráter estratégico.
Aumentar a pressão da sociedade
Segundo reportagem do TeleTime, agência especializada no setor, os barões da mídia temem que o evento reduza o seu descomunal poder econômico e político. “A Confecom deverá sair sem a presença dos empresários do setor. Essa posição, ainda tratada com reserva, mas confirmada informalmente por setores empresariais, parece ser o ponto final de uma série de acontecimentos cada vez mais complexos que cercam a organização dos trabalhos. Em essência, as empresas perceberam que, se continuarem a apoiar a organização da Confecom, endossarão um evento que será, inevitavelmente, de caráter crítico aos seus interesses”.
Nos próximos dias, a batalha de bastidores se acirrará. O lobby dos barões da mídia é poderoso. Conta com expressiva bancada no parlamento, atemoriza os mais vacilantes com o seu poder de manipular a “opinião pública” e tem seus agentes no Planalto. É preciso ver até onde o governo Lula está disposto a comprar a briga com este nefasto setor. Daí a urgência de reforçar a pressão social. Fóruns massivos, como o encontro paulista pela democratização da comunicação, em 1º de agosto, no Sindicato dos Engenheiros, ganham ainda maior relevância. A convocação da 1ª Confecom foi uma vitória dos movimentos sociais; não podemos deixá-la escapar pelos dedos.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Renato Rovai: Conferência de Comunicação precisa ter muito peso político
Da redação Adital
Editor da revista Fórum e mestrando em Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), o jornalista Renato Rovai foi um dos palestrantes do "Seminário Boas Ideias em Comunicação - Experiências e Sustentabilidade das Mídias Independentes", realizado de 2 a 4 de abril em Fortaleza (CE).
Aos comunicadores populares que participaram do evento, ele falou sobre as expectativas em torno da Conferência Nacional de Comunicação. Nesta entrevista, Rovai aprofunda mais o tema, falando acerca das discussões que caminham até a construção da Conferência.
Adital - Como você está participando nas discussões para a construção da Conferência Nacional de Comunicação?
Renato Rovai - Na verdade, a gente vem participando dessas discussões há alguns bons anos. Isso é bandeira de luta e está na pauta das reivindicações dos movimentos sociais muito antes do Governo Lula, por exemplo. A gente já vem trabalhando na necessidade de se fazer um grande debate nacional e discutir o marco das comunicações na dinâmica das relações entre Estado, sociedade e empresariado nacional desse segmento.
Agora a grande novidade é que o governo se dispôs a convocar essa conferência. Não publicou o edital, mas já anunciou uma data, que é 2 e 3 de dezembro. E aí é evidente que esse debate está se espalhando também por estados e por municípios.
Acho que a gente, até com base nas reflexões que foram feitas aqui (no seminário) tem que estar motivado para essa conferência, tem que colocar peso político nela, tem que tentar trabalhar a organização, mas não pode achar que ela é um fim em si própria. Inclusive pelos aspectos que foram colocados em relação à Conferência da Bahia (participantes criticaram a metodologia e a falta de transparência no encaminhamento das propostas da conferência).
Fazer a conferência e conseguir aprovar resultados interessantes não significa que eles serão implementados. Não só porque o "lado de lá" não vai deixar implementar, mas porque, às vezes, a gente não consegue organização suficiente para trabalhar essa construção depois do relatório realizado, produzido. Eu acho que esse é um momento especial, mas a gente tem que ter toda a dimensão de que o fato de ele ser especial não garante que ele tenha os resultados que a gente imagina que ele possa vir a ter.
Adital - O Governo estabeleceu mais alguns pontos da Conferência, como representatividade, eixos de discussão?
Renato Rovai - O tema principal da conferência é "Comunicação: Direito e Cidadania na Era Digital". O Governo determinou que vai ter um espaço, um período para as conferências municipais, outro para as estaduais e, em dezembro, começa a conferência final, quando os delegados eleitos nas municipais e estaduais vão estar se reunindo em Brasília. Mas não foi publicado o edital. Até a construção do edital já está virando um drama. Desde o anúncio, que foi no Fórum Social Mundial em Belém, que aconteceu no final de janeiro, até agora, o Governo não conseguiu publicar o edital. Tem uma disputa pelo edital.
E essa disputa não se dá apenas com o "lado de lá", mas também dentro dos movimentos das comunicações existem muitas diferenças.
Há pessoas que acham que a conferência tem que caminhar mais para um lado, tem outras que acham que é para outro. Isso é educativo. Eu não tinha dúvida que isso ia acontecer. Sempre disse que, na hora que a conferência fosse convocada, as nossas diferenças iriam aparecer de forma mais ampla. Isso é positivo, democracia é assim mesmo, a gente tem que ter paciência, tranqüilidade para construir nessas diferenças alguns consensos. E essa conferência tem lados. A gente não pode achar que ela é Conferencia de um único ângulo. Tem lados e não são poucos.
Não é só um lado do empresariado. No empresariado você tem alguns lados. A própria mídia tradicional tem hoje interesses divergentes. Os problemas que uma Editora Abril vive, por exemplo, que é uma empresa vinculada ao jornalismo impresso, são diferentes, dos que uma organização como a Globo vive. Você tem choques de interesses até nesses setores. Do lado de cá também. O movimento de comunicação não é um movimento só de jornalistas, mas tem gente que entende que ele deva ser. Tem gente que acha que se for discutir a conferência, os protagonistas principais têm que ser os jornalistas. É um erro. Mas tem gente que acha importante demarcar isso.
Adital - Fica então o desafio para a conferência de envolver outros setores da sociedade?
Renato Rovai - Cada grupo, cada núcleo, vai ter suas estratégias pré-definidas em debates, às vezes construídas na prática, na luta, como a gente diz. A concepção que eu vou trabalhar nessa conferência, por exemplo, é que ela seja a mais ampla possível, que ela não seja restrita só aos grupos que trabalham o debate da comunicação. Para mim já é muito bom que esse debate da comunicação avance em outros segmentos, outros setores.
Adital - Que linhas de debate não podem ficar de fora da conferência?
Renato Rovai - A concentração dos meios de comunicação no Brasil, por mais que a gente saiba que é um debate difícil de ser realizado, vai ter que estar presente. Faz parte da pauta de luta histórica dos movimentos das comunicações. Ou seja, discutir a propriedade cruzada, se quem tem um canal de televisão pode ter um de rádio na cidade. Se as concessões devem passar por critério de renovação, como seriam esses critérios, que fiscalização devem ter, que regulamentação devem ter os veículos que são frutos de concessões públicas. Se uma das atribuições da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) deve ser a de fiscalizar essas concessões ou não, por exemplo. Isso é uma demanda.
Outra é a questão do conteúdo. A partir do momento em que você estabelece que a lógica é de concessão pública para os veículos de rádio e tevê, por exemplo, qual a obrigação que esses produtos têm com o que eles produzem no seu conteúdo, com o conteúdo que eles divulgam? E como trabalhar a difusão desse conteúdo, construindo meios para que a sociedade possa fiscalizar e verificar se eles levam em consideração os princípios democráticos e cidadãos que a sociedade definiu pra ela?
Por outro lado, o financiamento é fundamental de se discutir. Como é que você consegue democratizar o acesso aos recursos do Estado, e mesmo os do setor privado, no sentido de que a democratização também passa pelo financiamento? O governo federal investe R$ 1 bilhão de forma direta em publicidade e um R$ 1 bilhão em patrocínio. É muito dinheiro. O mercado brasileiro de publicidade é de R$ 25 bilhões, então 4 % é só do Governo Federal.
Mas você tem pelo menos mais um bilhão de reais dos governos estaduais e municipais. Só o Governo de São Paulo tem uma verba de comunicação de R$ 313 milhões. Às vezes a gente não entende como é que certas pessoas são tão generosas com certos governos. Mas na hora que você olha a conta da Secom (Secretaria de Comunicação), você percebe. R$ 313 milhões é mais do que o Governo Federal tem de recursos para aportar na publicidade, sem contar as empresas estatais. Porque a verba do Governo Federal é de R$ 250 milhões. A das estatais é R$ 750 milhões. Então o governo (José) Serra (em São Paulo) tem mais recursos que o Governo Federal pra aplicar em publicidade direta.
Um governo como o da Ieda Crucis (no Rio Grande do Sul), que passa por uma série de críticas, mas mesmo assim consegue se segurar no processo regional. Imagina, a mídia é muito mais barata no Rio Grande do Sul. Você comprar uma página no Zero Hora não tem nada a ver com comprar uma página na Folha (de S. Paulo) ou no Globo. O orçamento de publicidade da Ieda Crucis é de R$ 93 milhões, quase um terço do governo do maior estado da federação, que é São Paulo. Essas verbas têm que ser debatidas.
Há muitos outros eixos. Eu acho que a gente precisa criar um novo marco regulatório das comunicações. Precisa discutir inclusive a construção de controles sociais não só na concessão, no conteúdo, mas também no plano dos conselhos estaduais e municipais. A gente não sabe ainda quantos temas vão se tornar importantes nesse processo, mas tem alguns que são históricos.
As entrevistas do projeto "Boas Ideias em Comunicação" são produzidas com o apoio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
OCUPAR AS REDES DE RÁDIO E TEVÊ

quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Abaixo-assinado cobra realização da I Conferência Nacional de Comunicação
quinta-feira, 5 de junho de 2008
I Forum de Mídia Livre: inscrições abertas

Nos próximo dias 14 e 15 de junho de 2008 na UFRJ, campus da Praia Vermelha, em Botafogo no Rio de Janeiro, a sociedade organizada e as pessoas que lutam ou anseiam por uma mídia livre de manipulações estarão se reunindo para fazer valer seus interesses. É um forum de discussão onde será discutido; "...o avanço do movimento de comunicação da mídia livre em todo o País, de maneira que seja obtida a garantia junto ao poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, a regulação da distribuição das verbas publicitárias públicas em nosso País e o avanço das microestruturas globais mediáticas, assimétricas, improvisadas, parcialmente caóticas e autônomas, como as redes digitais, as migrações, os coletivos e as ocupações urbanas, bem como de agregadores da diversidade da mídia e dos que a fazem."
Certamente é um passo importante para aqueles que não se conformam com a realidade que estamos vivendo. Principalmente por estar ocorrendo em "tempos democráticos", se é que podemos afirmar isso, né?!
Maiores detalhes no texto abaixo ou no link para inscrições.
Participe!
Estão abertas as inscrições para o I Fórum de Mídia Livre, que ocorrerá no Rio de Janeiro, dias 14 e 15 de junho, e reunirá participantes de todo o País. O evento é parte de uma ampla mobilização de jornalistas, acadêmicos, estudantes e ativistas e demais interessados pela democratização da comunicação, em defesa da diversidade informativa, do trabalho de colaboração nos novos meios e sua expansão, bem como da garantia de amplo direito à comunicação.
Faça sua inscrição clicando aqui
Mais informações sobre o evento;
quarta-feira, 7 de maio de 2008
A luta pela Democratização da Comunicação
Para estimular e ampliar a participação dos Comitês Regionais, e das demais entidades interessadas, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) prorrogou para o dia 12 de maio os prazos referentes às inscrições à XIV Plenária Nacional da entidade. O evento acontecerá nos dias 16 e 17 de maio, em Brasília/DF.
Assim, até a próxima segunda-feira, poderão ser feitas inscrições de delegados e observadores, associação de entidades nacionais e regionais, registro de Comitês Regionais e inscrição de Teses e Propostas de Resoluções. No dia 14 de maio, será divulgada a lista oficial das entidades nacionais, Comitês Regionais, inscritos e habilitados a participar da XIV Plenária, bem como será feita a distribuição eletrônica das Teses e Propostas de Resoluções.
Conforme já divulgado, as Teses devem ter como base a proposta temática do FNDC para a Conferência Nacional de Comunicação, tema da XIV Plenária.
Todas as datas já foram atualizadas nas instruções sobre a XIV Plenária.
domingo, 6 de abril de 2008
Brasil de Fato; 5 anos de intensa luta
Não posso cometer uma injustiça como a de não falar da iniciativa do MST e Via Campesina, que criou e produz o Jornal Brasil de Fato.
Há cinco anos os companheiros da Agência de notícias Brasil de Fato matam um leão todos os dias para garantir um material jornalístico de ótima qualidade e, ainda por cima, abordando assuntos que outras publicações não abordam. Que quando fazem isso, carregam na tinta de seus interesses escusos.
Já falei aqui no Pimentus das publicações Carta Capital, Revista Forum, Revista do Brasil e Le Monde Diplomatique. Que têm se apresentados como alternativa ao jornalismo esgoto, em contraposição à algumas publicações brasileiras.
Igualmente a Revista Forum, Brasil de Fato surgiu depois de intensas discussões a respeito da democratização dos meios de comunicações no Brasil. Esse fato ocorreu no Forum Social Mundial em 2003. De lá pra cá, apesar da dificuldade, a turma do Jornal Brasil de Fato não deixam a peteca cair.
Visitem o seu site e caso ache interessante contribua fazendo sua assinatura. A democracia agradade.
Links relacionados ao texto;
Quem faz o Jornal Brasil de Fato
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