quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Filtro Solar (original1999)

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página, logo abaixo.

O vídeo, apesar de ser de 1999 e ser plagiado ao longo dos anos seguintes, nos traz algumas reflexões. Reflexões que pode nos tornar um pouco melhor. Não é este o sentido de nossas esperanças sempre nesta data?
Desejo a todos que nossas esperanças se tornem realidade e que a motivação para mudar aquilo que acreditamos que precisa ser mudado, nos impulsione a contribuir para esta mudança.
Feliz 2009 a todos!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

PROTÓGENES E OS JORNALISTAS !!!!!

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página, logo abaixo.

Em tempo; ano que vem início o curso de jornalismo aqui em Araçatuba. Não o tipo de jornalismo que alguns jornalistas do vídeo acima vem praticando.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Cai mais uma farsa do Jornal Nacional da Rede Globo


Reportagem da Rede Globo de Televisão, sobre as investigações da Polícia Federal na operação Satiagraha, em um de seus mais importantes programas jornalísticos, o Jornal Nacional, faz implodir sua credibilidade pelo choque de fatos que contrapõe a realidade e que a revista Retrato do Brasil nos revela em detalhes.



O texto abaixo foi transcrito do blog do Mello.

Retrato do Brasil apura Satiagraha e descobre furo de Protógenes e Trallicomédia de erros no Jornal Nacional

Está na Revista Retrato do Brasil (por enquanto só nas bancas e aqui no blog) uma reportagem de Raimundo Pereira, um dos jornalistas mais respeitados do país, editor dos históricos Opinião e Movimento e autor da matéria que tanto incomodou a Rede Globo, em 2006, com a denúncia da armação do delegado Bruno com repórteres (leia aquela reportagem aqui). (Clique aqui para descobrir como comprar a Retrato do Brasil).

Pereira se debruçou sobre milhares de páginas dos autos da Satiagraha e descobriu inconsistências e erros grosseiros do delegado Protógenes e sua equipe e de uma matéria de César Tralli exibida no Jornal Nacional.

Protógenes


Um erro de Protógenes e equipe está na interpretação de
um dos trechos de transcrições de áudios gravados pela PF e que constam dos
autos:


Nela está registrado um diálogo entre Braz e um tal
de “Giba”, no qual se fala sobre certa Andréa, um “ele” não identificado e uma
misteriosa “Conta do Curral”.


Nos autos do processo, os investigadores sugerem
que Giba é Gilberto Carvalho, o chefe do gabinete do presidente Lula. Andréa
seria Andréa Michael, da Folha. O “ele” poderia ser José Dirceu, o ex-chefe da
Casa Civil de Lula. E “Conta Curral” seria um pagamento ilícito no
exterior.



Raimundo Pereira pesquisou e conta o que descobriu:


O repórter investigou. Conheceu “Andréa”, que não é a
repórter da Folha, mas Andréa de Oliveira e Souza, secretária de Braz há sete
anos.


“Giba” é Gilberto Massarente, que trabalha com Braz
desde 1990, quando ele era executivo da Andrade Gutierrez.“Conta do Curral” é,
de fato, uma má transcrição e um delírio de teoria conspiratória: na gravação
ouve-se Ponta do Curral, um empreendimento imobiliário na Bahia, entre Valença e
Guaibim, que está sendo tocado por Dantas, Braz e Massarente com a ajuda do
“ele”, um agrônomo que cuida da aprovação dos planos de manejo do terreno pelos
órgãos ambientais.


A reportagem sobre a Satiagraha no Jornal Nacional




Esse desprezo por fatos claramente relevantes tem um
exemplo especial no Jornal Nacional que foi ao ar no dia 14, um dia depois que
Braz se entregou à PF. O jornal é apresentado por Renato Machado, que anuncia a
reportagem de César Tralli.


Machado diz, na abertura: “Exclusivo: gravações de
conversas telefônicas feitas Polícia Federal revelam como dois investigados na
Operação Satiagraha tentaram corromper um delegado para livrar o banqueiro
Daniel Dantas das acusações de crime financeiro e de lavagem de dinheiro”.
Ele se refere à novidade – a prisão de Braz – e passa o comando da matéria
para César Tralli, o mesmo repórter de tantos outros furos da Globo a partir de
ações da PF. Tralli recebeu, de modo privilegiado, por exemplo, as imagens do
dinheiro apreendido no caso dos chamados “aloprados” do Partido dos
Trabalhadores, feitas irregularmente por um delegado da PF e exibidas pela Globo
na véspera do primeiro turno da eleição presidencial de 2006.


Tralli, que foi o apresentador das imagens também
exclusivas da prisão de Dantas e seus executivos, no dia 8 de julho, fala em
off, e as imagens se sucedem. Mostram, aparentemente, um presídio à frente de
outro, no meio uma avenida movimentada. “É nesta cadeia, em Guarulhos, na Grande São Paulo, que está preso Humberto José da Rocha Braz”, diz o repórter. Na tela aparece foto 3x4 de Braz, depois, um prédio, à noite, com o nome Polícia
Federal. E Tralli diz, em off, que Humberto “se entregou ontem à noite na sede
da Polícia Federal”.


A seguir, surge a imagem já citada, do jantar de
Braz, Chicaroni e Ferreira no El Tranvia. Braz, de costas para a câmera;
Ferreira, meio encoberto, sentado à frente de Braz. E Chicaroni, também de
frente para a câmera, à direita. Tralli narra, em off: “Humberto e o amigo Hugo
Chicaroni, professor universitário, foram flagrados em encontros e telefonemas
oferecendo propina para um delegado federal. Toda a negociação foi monitorada
com autorização da Justiça”.


Começam a aparecer painéis na tela, um em cima, outro
embaixo, com duas fotos, escuras, irreconhecíveis, com as legendas “delegado” e
“Hugo Chicaroni”. Nos painéis, aparecem textos que reproduzem o que dizem as
vozes associadas a cada figura.


Tralli continua, em off. Diz que a gravação é
exclusiva e que “Hugo Chicaroni e Humberto Braz tentam manipular a investigação,
segundo a polícia”. O repórter da Globo diz que o objetivo dos dois é “deixar de
fora o banqueiro Daniel Dantas e parentes dele. É o que indicam as gravações”.
No letreiro correspondente a Chicaroni, surge a frase “A história de só
livrar três tá bom”. A seguir, outra: “Tá ótimo”. As frases parecem pronunciadas
por vozes diferentes, mas a edição da matéria não parece se preocupar com esses
detalhes.


A seguir, mais imagens gravadas no El Tranvia.
Depois, por 32 segundos, são exibidas imagens de fachadas e vistas do prédio da
Justiça Federal e do Fórum, de São Paulo, e do Supremo Tribunal Federal e do
Superior Tribunal de Justiça, de Brasília. Tralli, em off, começa dizendo: “As
interceptações mostram que, segundo Chicaroni, o banqueiro estava preocupado com
a Justiça Federal em São Paulo”. Nos painéis e no áudio, Chicaroni diz: “Ele
resolve. STJ, STF... ele resolve. O cara tem trânsito político ferrado”. E
Tralli conclui: “Hugo Chicaroni se refere ao STJ, Superior Tribunal de Justiça,
e ao STF, Supremo Tribunal Federal, as mais altas cortes do judiciário
brasileiro”.


Novamente, a cena do El Tranvia. Voz de Tralli, em
off: “As conversas também falam em propina. Hugo transmite ao delegado a oferta
de suborno, proposta, segundo ele, por Daniel Dantas e oferecida por Humberto
Braz, o assessor do banqueiro”. A seguir, voltam os painéis, com a transcrição
da fala de Chicaroni, ao fundo: “Ele falou: Eu tenho 500 mil dólares para tratar
desse assunto”. Depois, fala o delegado: “500 mil?” E, de novo, Chicaroni: “É.
500 mil dólares”. E, em seguida, imagens de maços de notas de 50 reais.


Tralli aparece ao vivo, pela primeira vez, após 3
minutos e 15 segundos de reportagem. Diz: “Além do pagamento em parcelas, o
valor do suborno dobrou de 500 para 1 milhão de dólares. É o que apontam as
gravações de um segundo encontro aqui, em São Paulo, entre os dois homens que
diziam representar Daniel Dantas e o delegado federal. Foi nessa mesma segunda
conversa que o delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves [Ferreira] apresentou
documentos sobre o banqueiro. Fichas cadastrais e fotos de Dantas foram exibidas
durante um almoço em que o assunto era a propina”.


Retornam as imagens dos três homens no restaurante.
Braz, que estava ao lado de Ferreira, levanta-se e troca de lugar com Chicaroni.
Tralli diz, em off: “As imagens mostram o exato momento em que Humberto Braz, de
frente para a câmera, troca de lugar com Hugo Chicaroni, para analisar melhor os
documentos. O delegado não tem pressa”.
Ouve-se a voz que seria do delegado.
No painel, a transcrição: “Pode ver com calma, que eu não vou deixar esses
documentos. Tem sonegação, tem lavagem, tem evasão de divisa, tem outros crimes
[...]”.


A seqüência se completa com novas imagens dos três
homens no El Tranvia e a voz de Tralli, ainda em off: “Logo em seguida, o
assunto passa a ser propina. Hugo Chicaroni fala em 1 milhão de dólares”. E
retornam os painéis. No de Chicaroni, lê-se: “Já que ele ofereceu 500 mil, pede
1 milhão de dólares, para ele chegar em 700, 800”.


A Trallicomédia de erros

A quantidade de erros factuais cometidos por Tralli é
enorme. A hipótese deste repórter é a de que o colega da Globo recebeu as
imagens e os áudios da PF sem muito tempo para fazer uma pesquisa maior.Braz não
se entregou à PF à noite, mas de manhã.O CDP II de Guarulhos não é a “cadeia”
que ele apresentou. O que Tralli mostrou foi uma das duas penitenciárias que
ficam próximas à rodovia Presidente Dutra, às margens da avenida que sai da
rodovia Ayrton Senna e segue para o aeroporto de Cumbica.Tralli diz, duas vezes,
que a filmagem do ato do suposto suborno é de um almoço, mas, na verdade,
trata-se de um jantar.


Diz que Chicaroni e Braz se encontraram “uma segunda
vez” com Ferreira, mas foi uma vez só.A cena em que Braz, pela segunda vez,
levanta-se, agora para voltar ao seu lugar inicial, é exibida como sendo o
momento em que ele sai para ver os papéis. O instante em que Braz examina os
papéis é outro: é aquele em que ele sai de seu lugar inicial, troca de lugar com
Chicaroni, para sentar-se ao lado do delegado Victor Hugo, quando, então, pode
ver os papéis que estavam sobre as pernas do delegado.


Pior que esses pequenos erros é a estrutura da montagem
do noticiário. As imagens principais são do filme de 4 minutos e quarenta
segundos do jantar de Braz, Chicaroni e Ferreira, vídeo feito pela Polícia
Federal e entregue, de alguma forma, à Globo. É dele que foram tiradas – não se
sabe se diretamente pela PF ou pelos editores da Globo – as seis seqüências que
aparecem no JN de 14 de julho.


Porém, as conversas, que são reproduzidas como se
tivessem sido gravadas nesse encontro dos três homens, não têm relação com as
imagens.


Em uma dessas cenas, inclusive, isso fica evidente,
devido a um absurdo. Chicaroni aparece tramando com Ferreira uma forma de elevar
a proposta de suborno de 500 mil para 1 milhão de dólares. E é evidente que não
fez isso à mesa, diante de Braz, que, segundo a PF, é quem daria o dinheiro.


Possivelmente, apenas uma das gravações é do jantar
dos três: aquela de quando Ferreira diz que vai mostrar os papéis que tem. Para
isso, pede a Braz que troque de lugar com Chicaroni e sente-se ao seu lado,
porque os papéis, como conta Braz, estavam sobre suas pernas.


A locução de Tralli, como já vimos, no entanto,
confunde as coisas. A imagem que Tralli apresenta como o “exato momento” no qual
Braz vai ver os papéis é, na verdade, o instante em que Braz se levanta para
retornar ao seu lugar, após já ter visto os papéis. Em nenhum momento ouve-se a
voz dele. Nos painéis que transcrevem as falas, não aparecem sua imagem nem seu
nome. O que transforma a matéria na denúncia de um suborno proposto por Braz é a
montagem e a palavra do locutor, que sempre afirma: “Ferreira disse que...”,
“Chicaroni disse que...” ou “Braz disse que...” O que não se sabe ainda é quanto
da armação veio pronta da PF e quanto é contribuição própria da
Globo.



Aqui, Raimundo Pereira parece ter se deixado levar pela conversa de Braz. A voz do emissário de Dantas não aparece gravada por um motivo simples, que está explicado na sentença do juiz De Sanctis, que o condenou:


Sua [de Braz] reprovabilidade deve ser acentuada, até
porque o dolo foi de uma intensidade extrema, tanto é que parte da conversa com
a autoridade policial Victor Hugo travava-se por escrito, a fim de não haver a
possibilidade de captação de voz e de permitir a concretização do "negócio"
espúrio a que se dispôs a intermediar de maneira tão importante e participativa”
[cf. fls. 5033 – grifos apostos].



Pereira prossegue enumerando mais inconsistências da reportagem do Jornal Nacional e termina com interrogações:


A Globo fez esse tipo de cobertura por algum interesse? Quem
são os interessados em considerar que os erros na privatização das teles
brasileiras serão aplacados com a demonização de Daniel Dantas e das pessoas que
estejam próximas a ele, como Braz
?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Protógenes Queiroz na TV Assembléia

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página, logo abaixo.

A entrevista não é atual, mas vale como registro histórico.
Para seguir a seqüência da entrevista, basta clicar no vídeo, quando este terminar aqui. Assim voce será direcionado à página do Youtube. Lá, iniciará o mesmo vídeo, basta pará-lo e selecionar a sequência da entrevista no "box", à direita da página. E assim sucessivamente até terminar a entrevista.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Entrevista bombástica do delegado Protógenes Queiroz


O delegado Protógenes Queiroz deu uma longa entrevista à revista Caros Amigos que está nas bancas agora. Tive conhecimento dela neste final de semana e já, no domingo, comprei a resvista para me interar dos fatos. Achei que era poucca coisa, mais marketing do que propriamente dito uma entrevista explosiva. Me enganei. Protógenes revela, além do possível enriquecimento criminoso de Fernando Henrique Cardoso, os bastidores do submundo da corrupção e o grau de envolvimento de nossa elite política e econômica com a evasão de divisas. E do judiciário, usado muitas vezes como ferramenta para seus interesses.
A entrevista é surpreendente. É revoltante também.

Abaixo disponibilizo um trecho que copiei do blog do Mello, da entrevista realizada por Mylton Severiano, Marcos Zibordi, Camila Martins, Fernando Lavieri, Palmério Dória, Wagner Nabuco, Renato Pompeu, Bruno Versolato e Amancio Chiodi.

A entrevista inteira só na edição impressa da Caros Amigos.



Protógenes conta na Caros Amigos como Fernando Henrique enriqueceu.


O delegado Protógenes Queiroz deu uma longa entrevista à revista Caros Amigos que está nas bancas agora. Nela, o delegado fala de sua carreira, da Satiagraha, mas também do passado – do seu passado e do de outras personalidades de nossa história, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que estaria envolvido em um caso escabroso de corrupção.


Abaixo, reproduzo trecho da revista que trata desse caso de FHC, mas você deve ir a uma banca de jornal e comprar seu exemplar, porque a entrevista é longa, há denúncias contra um neto de Jorge “Essa Raça” Bornhausem, Paulo Maluf, Pitta etc., além de outros artigos que valem a leitura.


MYLTON SEVERIANO - Fim da ditadura.

PROTÓGENES - E transição para o regime civil. José Sarney pega o país em frangalhos, devendo até a alma, sem dinheiro para financiar as contas públicas, muito menos honrar compromissos, a famige­rada dívida com o FMI. Havia até o "decrete-se a moratória". Era o papo nosso, da esquerda, dos estudantes, "não vamos pagar, já levaram tudo". E o Sarney, o que faz? Bota a mão na ma­nivela e nossos títulos da dívida externa valiam, no mercado internacional, no máximo 20% do valor de face, era negociado na bolsa de Nova York. No paralelo valiam 1%. O que significa? Não passa pela bolsa. Comprei, quero me livrar, então 1% do valor de face, título de um país "à beira de uma convulsão social, ninguém sabe o que vai acontecer com aquele país, um conjunto de raças da pior espécie": essa, a visão primeiro­mundista, o que representávamos para os ban­queiros. Escória. E aqui estávamos, discutindo a reconstrução do país. Vamos dialogar, botar os partidos para funcionar, eleições, e o Sar­ney tendo que dar uma solução. Fecha a mani­vela e toca a jogar título no mercado de Nova York. Cada título que valia 10%, 15%, mandava dinheiro aqui para dentro. Seis anos depois, o mercado financeiro internacional detectou que no Brasil haveria desordem, até guerra civil, e eles não iam receber o que tinham colocado aqui com a compra dos papéis podres, queriam receber mesmo os 15%. E fazem uma regrinha de três e colocam para o Banco Central: "Você vai instituir uma norma, os títulos da dívida ex­terna brasileira adquiridos no mercado finan­ceiro internacional, no nacional poderão ser convertidos junto ao Banco Central pelo valor de face desde que esse dinheiro seja investido em empresas brasileiras." Bacana, não? Se fun­cionasse como ficou estabelecido, nosso país se­ria uma potência, não? Ainda que uma norma perfeita, acho um critério não normal, não é? Não é moralmente ético eu comprar um título por 15% e ter um lucro de 100%, em tão pou­co tempo. Mas enquanto regra de mercado fi­nanceiro tenho de admitir que sou devedor. Se vendi a 15%, na bolsa, assumi o risco de, no fu­turo, o lucro ser maior para o credor. Tenho que pagar. Foi assim que foi feito? Não. Será que o grupo Votorantim recebeu algum dinhei­ro convertido? Alguma outra empresa nacional do porte recebeu? Não. O que o sistema mon­tou? Uma grande operação em determi­nado período para sangrar as reservas do país, e ainda tinha as cartas de inten­ção, que diziam "se você não me pagar posso explorar o subsolo de 50 mil qui­lômetros da Amazônia".

WAGNER NABUCO - Era a fiança?

PROTÓGENES - Sim. Então me deparo com um ban­co, o Paribas, hoje BNP-Paribas que se uniu ao National de Paris. Com três diretores, em São Paulo, e dois outros, mais um contador que foi assassinado e um laranja que se chamava Alberto. O banco adquire esses títulos, no va­lor de 20 milhões de dólares, não é? E converte no Banco Central e aplica em empresas brasileiras, empresas-laran­ja. Comprou no paralelo a 1 %, eram 200 mil dólares, e converteu a 20 mi­lhões de dólares aqui no Brasil e colo­cou nessa empresa-laranja...

MYLTON SEVERIANO Empresa de quê?

PROTÓGENES - De participações. Chamava-se Al­berto Participações, com capital so­cial de 10 mil reais. Já tem coisa erra­da. Como uma empresa com capital de 10 mil reais pode receber um investi­mento estrangeiro da ordem de 20 mi­lhões? Cadê o patrimônio da empresa? Como é que o Banco Central aprova? Mando pegar o processo. Ela investiu, vamos ver aon­de o dinheiro vai. Converteu os 20 milhões e ao longo de doze meses o dinheiro é sacado mensalmente na boca do caixa em uma conta e convertido no dólar paralelo e enviado para a matriz em Paris. Eu digo "Banco Central, me dá o processo do Paribas". Aí não consi­go, quem consegue é o procurador que tra­balhava comigo, Luiz Francisco. Consegue e remete pra mim em São Paulo. Vejo que no Banco Central houve uma briga interna pela conversão. Os técnicos se indignaram, e inde­feriram. Aí houve uma gestão forte para que houvesse a conversão. De quem? Do ministro da fazenda. Que era quem?

MYLTON SEVERIANO - Fernando.

MARCOS ZIBORDI - Henrique.

MYLTON SEVERIANO - Cardoso.

PROTÓGENES - Tento localizar os banqueiros. Todos fugi­ram. Os franceses todos. O contador, assassina­do. O laranja Alberto morreu de morte natural, enquanto nós estudantes lutávamos, dizíamos que a dívida externa não existia, e, de fato, par­te dela era artificial. A coisa é grave, vamos fa­zer uma continha, nós contribuintes, que cre­mos que existe uma ordem no país. Títulos que adquiri por 200 mil, converti no Brasil os 20 milhões de dólares, quanto tive de lucro? 19 milhões e 800 mil. Vamos fazer essa continha para vocês dormirem direito hoje. Esses 19 mi­lhões mandei para minha matriz, o papel está na minha mão ainda, porque dizia o seguinte a norma do Banco Central: ao converter esse tí­tulo, invista em empresa brasileira, e ao final de doze anos "Brasil, mostre a sua cara e me pague aqui, você me deve, pois sou credor des­sa nota promissória chamada título da dívida externa brasileira". Está na lei. Bota aí. Soma 20 milhões com 19 milhões e 800 mil: 39 mi­lhões e 800 mil. Nós devemos isso aí? E mais, o que pedi? Que o juiz bloqueasse o título do Paribas, não pagasse, indiciei os diretores. Por quê? Porque estava se aproximando o final dos doze anos, o título estava vencendo e tínhamos que pagar. Pedi que o Banco Central enviasse cópia de todos os processos de conversão da dí­vida externa brasileira pra mim. Estou esperan­do até hoje. Sabe o que o Banco Central falou? "O departamento não existe, nunca existiu, era feito por uma seção aleatoriamente lá no Banco Central." Então nós não devemos esse montan­te de milhões que cobram.

RENATO POMPEU - Só não entendi o que o Fernando Henrique Cardoso ganhou com isso.

PROTÓGENES - Calma, calma. Sobrou uma para contar a his­tória. A Célia da Avenida São Luís. A mulher de verdade. Era companheira do Alberto, ex-embai­xador do Brasil no Líbano. Quando estourou a guerra ele fugiu e viveu na França, estudando na Sorbonne. Quem ele conhece lá?

MYLTON SEVERIANO - Fernandinho.

PROTÓGENES - Colegas de faculdade. A Célia, marquei de­poimento numa quinta, véspera de feriado, às seis da tarde na superintendência da Polícia Federal. Uma morena bonita, quase 60 anos, me disse que tinha sido miss, modelo, era só­cia nessa empresa, tinha tipo 1 %. Furiosa, "que absurdo, véspera de feriado, perder meus negó­cios, engarrafamento". Já estava gritando no corredor. Dei um molho de uns trinta minutos até ela se acalmar. Pensei "essa mulher está fu­riosa e tem culpa no cartório". Falei "obriga­do por ter vindo", e ela "obrigado nada, o se­nhor é indelicado, desumano, sou dona de uma indústria de sorvetes, e me chama numa hora importante porque tenho que distribuir sorve­te, é feriado, o senhor não tem coração". No meio da esculhambação, digo "tenho que cum­prir meu dever, sou funcionário público", e ela "aposto que é o caso daquele Paribas, não sei por que ficam me chamando, e tem mais, fui companheira do Alberto, e ele foi muito mais brasileiro que muita gente. Era digno, hones­to, ficam manchando a alma dele. Eu ajudei ele até o fim da vida, inclusive sustentei parte da família dele". Percebi que não sabia a verdade, ela disse "ele morreu pobre, ficou esperando a conversão dessa dívida que nunca houve". De­talhe: na quebra de sigilo bancário encontrei um cheque do Alberto que ele recebeu, 64 mi­lhões, na boca do caixa do banco Safra. E ele transfere as cotas para uma empresa criada pelo Paribas em nome dos diretores.

MYLTON SEVERIANO - No Brasil?

PROTÓGENES - Já é um Paribas do Brasil. Transfere para a subsidiária, e os diretores começam a sa­car. O primeiro quem recebe é ele, valor equi­valente a 5%. E ela disse "ele não recebeu a comissão dele que era de 5%". Bateu! Tran­quei o gabinete, falei "vou mostrar um do­cumento, mas se disser que mostrei, pren­do a senhora", era a cópia do cheque, com assinatura e data. A mulher começou a cho­rar. "Desgraçado. Que o inferno o acolha!" Ela disse "tenho muito documento na minha casa". Se fizesse pedido de busca e apreensão chamaria atenção da Justiça, teria um inde­ferimento. Essa investigação estava sendo arrastada. Fiz uma busca e apreensão ao in­verso, "a senhora permite que selecione o que quero?", ela disse "perfeito". Naquela véspera de feriado, peguei dois agentes, con­trariando colegas que queriam ir embora...

MYLTON SEVERIANO - Qual o ano?

PROTÓGENES - 2002. Saímos de lá de madrugada, era um apartamento antigo, magnífico. Ela cho­rando, "desgraçado, até comida na boca eu dei". Ela me dá uma agenda, "aqui parecia o Banco Central, eu atendia o doutor Alberto, da área internacional". Encontrei documen­tos, agendas que vinculavam ele ao Armínio Fraga, ao Fernando Henrique, inclusive uma carta manuscrita, não vou falar de quem, de­pois confirmada, ela falou "levei esse presen­te, pessoalmente, até a casa do Fernando". Mandei documentos para perícia. Na época era eleição do Fernando Henrique.

RENATO POMPEU - Não, do Lula.

PROTÓGENES - Isso. Lula venceu contra Serra. Fernando Henrique era presidente.

RENATO POMPEU - Ele recebeu dinheiro então?

PROTÓGENES - Vamos pegar a linha do tempo. Ele sai de ministro da Fazenda e vira presidente. O ge­rente da área internacional que dá o parecer no processo, quem era? Armínio Fraga. Que presidiu o Banco Central. Essa investigação não sei que fim deu. Pedi ao Banco Central o bloqueio de todos os títulos da dívida externa brasileira que foram convertidos. E pedi cópia de todos os processos de conversão junto ao Banco Central para investigação.

RENATO POMPEU - Saiu na mídia?

PROTÓGENES - Em parte, mas foi abafado. Quem conseguiu publicar foi, se não me engano, a Época.

PALMÉRIO DÓRIA - Citando Fernando Henrique?

PROTÓGENES - Não, não citou. A reportagem era "Fraude à francesa". Essa investigação surge da denúncia de um advogado, Marcos Davi de Figueiredo. Ele sofre uma pressão implacável dentro do ban­co. A Célia passa a ser ameaçada, logo que pres­ta depoimento entregando tudo. Inclusive os es­critórios que deram suporte a essa operação, um do Pinheiro Neto, e ela diz que sofria ameaça do próprio Pinheiro Neto. O procurador foi o dou­tor Kleber Uemura.

MARCOS ZIBOROI - É a última notícia?

PROTÓGENES - Sim. Parece que ele tinha conseguido a que­bra de sigilo bancário. Depois o dinheiro saiu no mercado paralelo e entraram grandes empresas com esquemas de saída de dinheiro. Tinha a Co­tia Trading, que tinha uma coisa com a Volkswa­gen. Entra gente muito poderosa no esquema. Pedi a quebra de sigilo de todas as pessoas que participaram da fraude. E o Kleber conseguiu, aí não acompanhei mais. O Tribunal Federal deu a decisão de que era para não ter quebra de sigilo, era a juíza, salvo engano, Sylvia Steiner. Dá de­cisão favorável ao banco. Meses depois é nomea­da juíza do Tribunal Penal Internacional pelo...

RENATO POMPEU - ... excelentíssimo presidente da República.


Pergunto a você que me lê: Nossa grande imprensa vai repercutir a entrevista? Será que o senador campeão do Congresso em Foco, Álvaro Dias, vai encomendar à Veja uma reportagem?


Link interessante;



sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"É preciso salvar o planeta do capitalismo"


Em um documento enviado para a XIV Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, o presidente da Bolívia, Evo Morales, diz que a competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o líder boliviano, “a mudança climática colocou toda a humanidade diante de uma disjuntiva: continuar pelo caminho do capitalismo e da morte, ou empreender o caminho da harmonia com a natureza e do respeito à vida”.


Evo Morales propõe a criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente e da Mudança Climática, a qual se subordinem as organizações comerciais e financeiras multilaterais, para promover um modelo distinto de desenvolvimento, amigável com a natureza e que resolva os graves problemas da pobreza. E defende a transformação estrutural da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do sistema econômico internacional em seu conjunto, "a fim de garantir um comércio justo e complementar, um financiamento sem condicionamentos para um desenvolvimento sustentável que não esbanje os recursos naturais e os combustíveis fósseis nos processos de produção, comércio e transporte de produtos".

Por Evo Morales*

Hoje, nossa Mãe Terra está doente. Desde o princípio do século XXI temos vivido os anos mais quentes dos últimos mil anos. O aquecimento global está provocando mudanças bruscas no clima: o retrocesso das geleiras e a diminuição das calotas polares; o aumento do nível do mar e a inundação de territórios costeiros em cujas cercanias vivem 60% da população mundial; o incremento dos processos de desertificação e a diminuição de fontes de água doce; uma maior freqüência de desastres naturais que atingem diversas comunidades do planeta; a extinção de espécies animais e vegetais; e a propagação de enfermidades em zonas que antes estavam livres das mesmas. Uma das conseqüências mais trágicas da mudança climática é que algumas nações e territórios estão condenados a desaparecer pela elevação do nível do mar.

Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início ao sistema capitalista. Em dois séculos e meio, os países chamados “desenvolvidos” consumiram grande parte dos combustíveis fósseis criados em cinco milhões de séculos. A competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o capitalismo não somos seres humanos, mas sim meros consumidores. Para o capitalismo não existe a mãe terra, mas sim as matérias primas. O capitalismo é a fonte das assimetrias e desequilíbrios no mundo. Gera luxo, ostentação e esbanjamento para uns poucos enquanto milhões morrem de fome no mundo. Nas mãos do capitalismo, tudo se converte em mercadoria: a água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a justiça, a ética, a morte...a própria vida. Tudo, absolutamente tudo, se vende e se compra no capitalismo. E até a própria “mudança climática” converteu-se em um negócio.

A “mudança climática” colocou toda a humanidade diante de uma grande disjuntiva: continuar pelo caminho do capitalismo e da morte, ou empreender o caminho da harmonia com a natureza e do respeito à vida. No Protocolo de Kyoto, de 1997, os países desenvolvidos e de economias em transição se comprometeram a reduzir suas emissões de gases geradores de efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990, com a implementação de diferentes instrumentos entre os quais predominam os mecanismos de mercado. Até 2006, os gases causadores do efeito estufa, longe de diminuir, aumentaram 9,1% em relação aos níveis de 1990, evidenciando-se também desta maneira o descumprimento dos compromissos dos países desenvolvidos. Os mecanismos de mercado aplicados nos países em desenvolvimento não conseguiram uma diminuição significativa das emissões desses gases.

Assim como o mercado é incapaz de regular o sistema financeiro e produtivo do mundo, o mercado tampouco é capaz de regular as emissões de gases e só gerará um grande negócio para os agentes financeiros e as grandes corporações.

O planeta é muito mais importante que as bolsas de Wall Street e do mundo. Enquanto os Estados Unidos e a União Européia destinam US$ 4,1 trilhões de dólares para salvar os banqueiros de uma crise financeira que eles mesmos provocaram, destinam apenas US$ 13 bilhões de dólares aos programas vinculados à mudança climática, um valor 313 vezes menor do que aquele reservado aos bancos. Os recursos para a mudança climática estão mal distribuídos. Destinam-se mais recursos para reduzir as emissões (mitigação) e menos para enfrentar os efeitos da mudança climática que atingem todos os países (adaptação).

A grande maioria dos recursos foi dirigida aos países que mais contaminaram o meio ambiente e não para os países que mais trabalharam pela preservação. Cerca de 80% dos projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo concentraram-se em apenas quatro países emergentes. A lógica capitalista promove o paradoxo de que os setores que mais contribuíram para a deterioração do meio ambiente são os que mais se beneficiam dos programas relacionados às mudanças climáticas. E a transferência de tecnologia e financiamento para um desenvolvimento limpo e sustentável dos países do Sul permaneceu nos discursos. Na próxima cúpula sobre a Mudança Climática, em Copenhague, devemos permitir-nos dar um salto se queremos salvar a mãe terra e a humanidade. Para isso, apresentamos as seguintes propostas para o processo que vai de Poznan a Copenhague.

Atacar as causas estruturais da mudança climática

Discutir as causas estruturais da mudança climática. Enquanto não mudarmos o sistema capitalista por um sistema baseado na complementaridade, na solidariedade e na harmonia entre os povos e a natureza, as medidas que adotarmos serão paliativos com um caráter limitado e precário. Para nós, o que fracassou é o modelo de “viver melhor”, do desenvolvimento ilimitado, da industrialização sem fronteiras, da modernidade que despreza a história, da acumulação crescente às custas do outro e da natureza. Por isso, propomos o Viver Bem, em harmonia com os outros seres humanos e com nossa Mãe Terra.

Os países desenvolvidos precisam controlar seus padrões consumistas – de lucro e esbanjamento -, especialmente o consumo excessivo de combustíveis fósseis. Os subsídios aos combustíveis fósseis, que chegam a 150-250 bilhões de dólares, devem ser progressivamente eliminados. É fundamental desenvolver energias alternativas como a energia solar, a geotérmica, a energia eólica e a hidroelétrica em pequena e média e escala.

Os agrocombustíveis não são uma alternativa porque opõem a produção de alimentos para o transporte frente à produção de alimentos para os seres humanos. Os agrocombustíveis ampliam a fronteira agrícola destruindo os bosques e a biodiversidade, geram monoculturas, promovem a concentração da terra, deterioram os solos, esgotam as fontes de água, contribuem para a alta do preço dos alimentos e, em muitos casos, consomem mais energia do que geram.

Cumprimento de compromissos substanciais de redução de emissões

Cumprir estritamente até 2012 o compromisso dos países desenvolvidos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 5%, em relação aos níveis de 1990. Não é aceitável que os países que contaminaram historicamente o planeta falem de reduções maiores para o futuro descumprindo seus compromissos presentes.

Estabelecer novos compromissos mínimos para os países desenvolvidos, de 40% para 2020 e de 90% para 2050, de redução de gases causadores do efeito estufa, tomando como ponto de partida as emissões de 1990. Esses compromissos mínimos de redução devem ser feitos de maneira interna nos países desenvolvidos e não através de mecanismos flexíveis de mercado que permitem a compra de Certificados de Reduções de Emissões para seguir contaminando em seu próprio país. Além disso, devem se estabelecer mecanismos de monitoramento, informação e verificação transparentes, acessíveis ao público, para garantir o cumprimento de tais compromissos. Os países em desenvolvimento que não são responsáveis pela contaminação histórica devem preservar o espaço necessário para implementar um desenvolvimento alternativo e sustentável que não repita os erros do processo de industrialização selvagem que nos levaram à atual situação. Para assegurar esse processo, os países em desenvolvimento necessitam, como pré-requisito, de financiamento e transferência de tecnologia.

Um mecanismo financeiro integral para atender à dívida ecológica

Os países desenvolvidos devem reconhecer a dívida ecológica histórica que têm com o planeta e criar um mecanismo financeiro integral para apoiar os países em desenvolvimento na implementação de seus planos e programas de adaptação e mitigação da mudança climática; na inovação, desenvolvimento e transferência de tecnologia; na conservação e melhoramento de seus escoadouros e depósitos; nas ações de resposta aos graves desastres naturais provocados pela mudança climática; e na execução de planos de desenvolvimento sustentáveis e amigáveis com a natureza.

Este mecanismo financeiro integral, para ser efetivo, deve contar com pelo menos um aporte de 1% do PIB dos países desenvolvidos, sem contar outros recursos provenientes de impostos sobre combustíveis, transnacionais financeiras, transporte marítimo e aéreo e bens de empresas transnacionais. O financiamento proveniente dos países desenvolvidos deve ser agregado à Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (ODA), à ajuda bilateral e/ou canalizada através de organismos que não sejam os das Nações Unidas. Qualquer financiamento fora da Convenção-Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC) não poderá ser considerado como a aplicação dos compromissos dos países desenvolvidos sob a convenção. Os financiamentos têm que ser dirigidos aos planos e programas nacionais dos Estados e não para projetos que estão sob a lógica do mercado.

O financiamento não deve concentrar-se somente em alguns países desenvolvidos, mas tem que priorizar os países que menos contribuem para a emissão de gases geradores do efeito estufa, aqueles que preservam a natureza e/ou que mais sofrem os impactos da mudança climática. O mecanismo de financiamento integral deve estar sob a cobertura das Nações Unidas e não do Fundo Global de Meio Ambiente (GEF) e seus intermediários como o Banco Mundial ou os bancos regionais; sua administração deve ser coletiva, transparente e não burocrática. Suas decisões devem ser tomadas por todos os países membros, em especial os países em desenvolvimento, e não apenas pelos doadores ou pelas burocracias administradoras.

Transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento

As inovações e tecnologias relacionadas com a mudança climática devem ser de domínio público e não estar sob um regime privado de monopólio de patentes que obstaculiza e encarece sua transferência aos países em desenvolvimento.

Os produtos que são fruto do financiamento público para inovação e desenvolvimento de tecnologias devem ser colocados sob o domínio público e não sob um regime privado de patentes, de forma tal que sejam de livre acesso para os países em desenvolvimento.Incentivar e melhorar o sistema de licenças voluntárias e obrigatórias para que todos os países possam ter acesso aos produtos já patenteados, de forma rápida e livre de custo. Os países desenvolvidos não podem tratar as patentes e os direitos de propriedade intelectual como se fossem algo “sagrado” que deve ser mantido a qualquer custo. O regime de flexibilidade que existe para os direitos de propriedade intelectual, quando se trata de graves problemas de saúde pública, deve ser adaptado e ampliado substancialmente para curar a Mãe Terra.

Reunir e promover as práticas dos povos indígenas de harmonia com a natureza que, ao longo dos séculos, mostraram-se sustentáveis.

Adaptação e mitigação com a participação de todo o povo

Impulsionar ações, programas e planos de mitigação e adaptação com a participação das comunidades locais e povos indígenas no marco do pleno respeito e implementação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. O melhor instrumento para enfrentar o desafio da mudança climática não são os instrumentos de mercado, mas sim os seres humanos organizados, conscientes, mobilizados e dotados de identidade.

A redução das emissões resultantes do desmatamento e degradação das florestas deve estar baseada em um mecanismo de compensação direta de países desenvolvidos para países em desenvolvimento, através de uma implementação soberana que assegure uma participação ampla de comunidades locais e povos indígenas, e um mecanismo de monitoramento, informação e verificação transparentes e públicos.

Uma ONU do Meio Ambiente e da Mudança Climática

Necessitamos de uma Organização Mundial do Meio Ambiente e da Mudança Climática, a qual se subordinem as organizações comerciais e financeiras multilaterais, para promover um modelo distinto de desenvolvimento, amigável com a natureza e que resolva os graves problemas da pobreza. Esta organização tem que contar com mecanismos efetivos de implantação de programas, verificação e sanção para garantir o cumprimento dos acordos presentes e futuros.

É fundamental transformar estruturalmente a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário e o sistema econômico internacional em seu conjunto, a fim de garantir um comércio justo e complementar, um financiamento sem condicionamentos para um desenvolvimento sustentável que não esbanje os recursos naturais e os combustíveis fósseis nos processos de produção, comércio e transporte de produtos.

Neste processo de negociação para a cúpula de Copenhague é fundamental garantir instâncias ativas de participação em nível nacional, regional e mundial de todos nossos povos, em particular dos setores mais afetados como os povos indígenas que sempre impulsionaram a defesa da Mãe terra.

A humanidade é capaz de salvar o planeta se recuperar os princípios da solidariedade, da complementaridade e da harmonia com a natureza, em contraposição ao império da competição, do lucro e do consumismo dos recursos naturais.

(*) Evo Morales é Presidente da Bolívia

Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A propaganda ideológica de todos os dias


Telenovelas da Rede Globo incorporam em suas tramas discursos contra temas pautados pelo esforço progressista de segmentos populares da sociedade

Por Rafael Villas Boas

A produção televisiva de ficção no Brasil, sobretudo do mercado de telenovelas da rede Globo, tem incorporado com freqüência em seus produtos a contra-propaganda de bandeiras dos movimentos sociais da esquerda brasileira, haja vista o caso da crítica à política de cotas para negros nas instituições de ensino superior, em “Duas caras”, e a defesa aberta das empresas de celulose em “A Favorita”, ambas telenovelas do assim chamado “horário nobre”, espaço de maior índice de audiência, em que o preço do anúncio dos comerciais atinge a taxa mais alta.

Seria errôneo chamar esse procedimento de merchandising, porque não se trata simplesmente do anúncio de um produto em meio a trama da narrativa ficcional. Sequer cabe o termo merchandising social, que propõe a publicização de práticas civilizatórias, e o combate ao preconceito e à discriminação em algumas situações específicas, como aos portadores de necessidades especiais, inserindo na trama personagens que tenham algum tipo de necessidade, como a Síndrome de Down.

O que está em jogo é a prática de propaganda ideológica inserida na trama das telenovelas, com o objetivo de difundir uma opinião sobre temas da agenda política que foram pautados pelo esforço progressista de segmentos populares da sociedade, à revelia dos interesses reacionários dos quais as grandes emissoras são porta-vozes.

A conta-gotas
A tática tem lá sua eficiência, pois diferentemente do caráter formal dos telejornais, em que a forma notícia supostamente retrata questões da realidade, com a pretensa finalidade de informar a população, no caso da ficção a propaganda ideológica é diluída na trama narrativa, pegando os telespectadores no momento em que se encontram desarmados dos filtros críticos que possam ter ao assistirem aos telejornais.

No limite, o hábito cultural de consumir telenovelas, com a disciplina de horas diárias dedicadas ao gesto da entrega ao entretenimento, é também o momento de introjeção inconsciente do ponto de vista da classe dominante sobre assuntos estratégicos para manutenção de seu projeto de poder.

No último capítulo de “Duas Caras”, uma família multirracial posa feliz para a fotografia que pretende retratar a efetivação do modelo ideal de integração racial no Brasil: a retomada anacrônica do mito da democracia racial. Para uma telenovela que concentrou pesada artilharia na legitimidade da política de cotas para negros, e na legitimação da privatização do ensino superior brasileiro, com direito até a personagem negro que escondia sua condição de riqueza para, supostamente, numa manobra populista, falar em nome dos negros pobres, a fotografia parecia expressar com certo sarcasmo, o júbilo com a batalha vencida no campo da ficção.

Entretanto, o poder da emissora, para além das fronteiras da ficção, não corresponde à suas expectativas. Pelo contrário, na vida real, a despeito das manipulações dos telejornais e telenovelas, assistimos dia a dia ao aumento de universidades que encampam as ações afirmativas de cotas para negros, indígenas e egressos de escolas públicas, e ao fortalecimento das instituições públicas de ensino superior – o que certamente incomoda aos empresários que lidam com a educação como uma mercadoria a ser consumida, entre outras, e representam fatia nada irrelevante dos anunciantes das emissoras.

A favor de quem?
“A Favorita” não representa novidade no procedimento de incorporação temática nas telenovelas de questões polêmicas candentes na “sociedade brasileira”. Para ficarmos com exemplos de nosso interesse, em “O Rei do Gado” (1996), a luta pela reforma agrária foi o mote do inverossímil enredo dramático que teve na trama um romance entre uma sem-terra e um latifundiário. E em “Duas caras”, a crescente organização dos movimentos de trabalhadores sem-teto e de desempregados foi representada como uma luta manobrada por oportunistas e autoritários líderes comunitários.

Em “A Favorita”, uma empresa de celulose é o centro aglutinador dos diversos núcleos de personagens da telenovela, distribuídos entre a família proprietária e seus agregados, e os diversos focos de núcleos dos trabalhadores, habitantes da pequena cidade que tem como seu principal motor econômico a indústria. Um dos focos de conflito da trama é a resistência que um personagem oferece para vender suas terras para a empresa, que já comprara todas as terras ao redor de sua propriedade, pois pretende estender o monocultivo de eucalipto, visando ao fornecimento de madeira para a produção de papel.

A disparidade do conflito real entre transnacionais de celulose e os povos indígenas, quilombolas e camponeses que antes habitavam as terras que foram transformadas em área de plantio de eucalipto e a figuração do conflito na ficção chama a atenção: o personagem antagonista é um cantor e compositor famoso em décadas passadas, de estilo hippie, que acredita que seu grande amor, a mãe de seu filho, foi abduzida por extraterrestres. É um dos personagens mais estereotipados da trama, que “vive no mundo da lua”. A resistência que ele oferece à expansão das terras da indústria parece ser mais um devaneio entre outros, um capricho de artista rico, ou extremismo ecológico. Suas ações cômicas e seus argumentos pitorescos são refutados na trama com argumentos aparentemente incontestáveis, que atestam a excelência das práticas de desenvolvimento sustentável da empresa, até a importância social da mesma para a cidade. Esses argumentos são proferidos não apenas pelos personagens que detêm o capital da empresa, mas também por aqueles bons trabalhadores do núcleo pobre, que se orgulham por trabalhar numa empresa que está entre as maiores do mundo nesse ramo.

Ao que tudo indica, a Rede Globo aprendeu com um tiro no pé que dera com a novela “O Rei do Gado”. Por mais dramática e manipulada que fosse aquela trama, ela cumpriu o papel de divulgar amplamente a luta pela reforma agrária e os movimentos sociais que levantam essa bandeira, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em “A Favorita”, nenhum sujeito político coletivo, nenhum movimento social que se contrapõe com freqüência, e de diversas formas, à prática predatória das empresas de celulose apareceu. Pelo que sugere a trama, ser contra o progresso garantido pelo avanço da empresa seria, no mínimo, um ato romântico e idealista, ou “coisa de louco”. A tática de combate por meio da ficção implica a supressão do ponto de vista das classes populares, por meio de seus movimentos organizados.

Como a mercadoria telenovela chega a todas as casas que têm um aparelho televisor, para a militância dos movimentos sociais, saber apontar as contradições e manipulações presentes nesse formato ficcional pode ser bastante útil nos trabalhos de articulação com a sociedade e no trabalho de base para massificação dos movimentos, pois, como a referência do assunto é comum, é possível entrar na discussão pela desconstrução do ponto de vista dominante, ao mesmo tempo em que informamos e debatemos os passos estratégicos para a construção do projeto popular para o país.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Entrevista de Lula na BBC 1a. parte

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página, logo abaixo.

A entrevista não é atual, mas vale como registro histórico. Para seguir a seqüência da entrevista, basta clicar no vídeo, quando este terminar aqui. Assim voce será direcionado à página do Youtube. Lá, iniciará o mesmo vídeo, basta pará-lo e selecionar a sequência da entrevista no "box", à direita da página. E assim sucessivamente até terminar a entrevista.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Depoimento Daniel Dantas

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página, logo abaixo.

Pra rir um pouco. Achar graça de situações trágicas, mas que "heróis brasileiros" tentam mudar essas tragédias todo santo dia.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Araçatuba 100 anos


Depois de uma "tenebrosa" ausência, devido ao feriado prolongado de minha cidade (era seu aniversário), voltei revigorado após passar alguns dias na praia. Estive em Itanhaém, na colônia de férias do Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo.



Apesar de, meio que tardio, me sinto na obrigação de falar um pouco de minha cidade e de como alguns setores prepraram pra ela uma festa que acreditavam que ela merece.

Araçatuba fez no dia 2 de dezembro 100 anos. Cidade com pouco mais de 170.000 habitantes, apesar de muitos insistirem em dizer que tem mais, segue a reboque do desenvolvimento que o país atravessa. Excluindo o fenômeno da crise capitalista, que deve aportar por aqui cedo ou tarde, Araçatuba está tendo um "boom" de crescimento econômico que lembra os anos 70. Muitas empresas prestadoras de serviços, bem como algumas indústrias têm se instalado ou ampliado suas instalações por aqui.

O jornal Folha da Região publicou recentemente uma revista em homenagem a cidade pelo seu aniversário. Infelizmente, como toda publicação desse tipo, além de matérias ufanistas e históricas, a publicação peca por não ser mais completa. O termo "completa", creio, se deve pelo fato da mesma não abordar assuntos que são problemas rotineiros encontrado pelos munícipes ou que geram preocupação por atravancar o desenvolvimento social e econômico da cidade. Aquilo que chamamos de desafios que a cidade tem de superar.

A falta de uma política clara de educação, de segurança e uma postura política divisível entre o populismo e uma assistência social correta, certamente faria a diferença para os menos favorecidos da cidade. Após quase uma década na mão de um clã (Família Maluly) e de décadas de alternativas entre outros (Andorfatos e Venturollis) Araçatuba parece despertar para o novo. Com a eleição de um prefeito oriundo do movimento sindical, Cido Sério, agora, talvez, a história que a cidade escreve pode mudar mude de vez. Nas últimas eleições, pelo menos apontou para isso, já que 90% da Câmara de vereadores também foi renovada.

Alguns links interessantes sobre o texto;
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Araçatuba 100 anos

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Portal Araçatuba 100 anos (Agenda)

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Slide Share

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História de Araçatuba

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