sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fusão de emissoras de rádio; reflexo da vagabundice empresarial do setor



Se já não bastasse a satelitização da programação em diversas emissoras, deparamos agora com mais uma novidade, e ruim, que irá afetar o mercado de trabalho dos radialistas. Apesar de parecer um caso isolado, distante, lá no Rio Grande do Sul e justamente ao contrário do que acontece na maioria das emissoras de rádios AMs pelo país, o Grupo Guaíba irá fundir a programação das emissoras de Rádio AM e FM em uma só. Redundância?! Pois é, é pra entender mesmo o que estou querendo dizer. Enquanto pelo país a fora a reclamação é de que as AMs estão com baixa audiência, no Sul, acontece o contrário. Na minha opinião a resposta está muito mais próxima de uma verdade em que poucos se atém. Isto ocorre porque a emissora de Rádio AM transmite muito mais conteúdo, do que as FMs em geral. Que na maioria das vezes transmitem só música, como é feita pela Guaíba FM. 


implicador não está, no fato, apenas da pouca visão empresarial do setor, de que se se investe pouco ou quase nada em conteúdo nas FMs. Mas ficarem apenas reproduzindo música ou programação enlatada por satélite. A população quer ouvir programação local, regionalizada. Bobagem esta história de transmitir programação de emissoras já consolidadas "da Capitar". Nada contra as "de grife". Apenas essa visão provinciana de vários empresários do rádio do interior que teimam em ficar apostando num tipo de programação que cada vez mais afunda a audiência das emissoras do interior, justamente porque o elemento empresário, não quer trabalhar. Como se eles trabalhassem, né?! Se não fôssemos nós, radialistas profissionais, a tocar a emissora, duvido que estariam ganhando alguma coisa. 


O empresariado do setor precisa é tomar consciência, ou vergonha na cara, pois uma emissora, com um excelente corpo de profissionais, com programação local e com conteúdo, quero dizer; produção radiofônica, a emissora volta a ser uma fonte de informação e entretenimento para a população. Conquista-se mais espaço, emprega-se mais trabalhadores e volta a ser um referencial para o mercado publicitário. Música por música, todos estão ouvindo CDs, MP3, músicas pela internet... Enfim, falta é produção local de programação voltada para o Rádio. Tá na hora das emissoras parar de ser uma espécie de correia de transmissão do comportamento vicioso do empresariado de radiodifusão, de querer ganhar dinheiro sem trabalhar. Quer ganhar dinheiro com esse segmento?! Faça como os radialistas; trabalhem com criatividade e compromisso com o Rádio.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O aviso de Hugo Chavez


Vai passando batido um processo que se desenvolve no nosso quintal e que pode envolver bem mais do que se está suspeitando. O conflito entre Colômbia e Venezuela pode ser bem mais do que mera escalada retórica de Hugo Chávez, apresentada pela mídia brasileira como apenas mais uma manifestação de sua excentricidade.
A ruptura de relações diplomáticas por iniciativa de Chávez após novas denúncias do retirante governo de Álvaro Uribe sobre relações do homólogo venezuelano com as Farc coincide (?) com os ataques do índio de Serra e da mídia ao PT.
Na Folha de São Paulo dominical, extensa reportagem dando conta de uma grave situação econômica na Venezuela e, ao fim do domingo, os portais brasileiros noticiam que Chávez suspendeu viagem que faria a Cuba por suspeita de um suposto ataque iminente da Colômbia ao território venezuelano  através do estado Zulia, governado pela oposição.
De início, fiquei com a impressão de que Chávez subira o tom contra a Colômbia e cortara relações com o país vizinho apenas como resposta às suas denúncias sobre as Farc, mas ataques à esquerda tendo como pretexto a guerrilha colombiana estranhamente vêm se espraiando também pelo nosso noticiário…
Em seu blog, Chávez denuncia que recebeu carta de um amigo que “vagueia pelos Estados Unidos” e que o avisou de que as Farc serão usadas como pretexto para uma invasão do território venezuelano por forças colombianas apoiadas por Washington, e ameaçou cortar o fornecimento de petróleo aos americanos em caso de agressão do país vizinho.
As relações entre o PIG venezuelano e o brasileiro vêm se estreitando desde a tentativa de golpe contra Chávez em 2002. De lá para cá, a mídia brasileira – Globo à frente – vem repercutindo, ipsis litteris, a retórica de Marcel Garnier (ex-proprietário da extinta televisão venezuelana RCTV), Pedro Carmona (presidente biônico e efêmero alçado ao poder pelos golpistas venezuelanos em 2002) e companhia limitada.
A pergunta que fica é se o uso das Farc pela coalizão tucano-pefelê-midiática contra o PT simultaneamente ao uso da mesma estratégia contra Chávez é apenas coincidência ou se faz parte de algum tipo de estratégia supranacional da direita que pode não se resumir somente a ataques verbais, como o escaldado Chávez vem alertando.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Crimes de guerra: escravas sexuais no Iraque e no Afeganistão



Uma menina iraquiana de 12 anos é obrigada a se prostituir nos subsolos de Bagdá, enquanto os guardas privados norte-americanos fazem uma coleta de poucos dólares e fazem fila. As moças são recrutadas no Leste Europeu com a promessa de um trabalho como doméstica em Dubai e depois dali são desviadas e segregadas ao coração do Iraque. As garçonetes dos restaurantes chineses de Kabul, por trás das luzes vermelhas, escondem o segredo que todos conhecem. O artigo é de Angelo Aquaro, do jornal La Repubblica.
Matéria publicada em português no IHU On-line

O último horror das "guerras gêmeas" que Barack Obama herdou de George W. Bush tem o rosto das mulheres exploradas em nome daquele outro ídolo que divide o altar com o dinheiro: o sexo. Mas oito anos depois do início da guerra contra o terror, o balanço dessa batalha é ainda mais magro: zero a zero. As ordens do presidente eram retumbantes como as proclamações da vitória que não chegava.

É severamente proibido que os contratantes ou funcionários do governo se tornem responsáveis pelo tráfico sexual nas zonas de guerra. Qualquer um que se torne responsável pelo tráfico sexual será suspenso do cargo. Quem for surpreendido em tráfico sexual será denunciado às autoridades. Os resultados? "Não há nenhum processo aberto", diz a ex-detetive do Human Rights Watch, Martina Venderberg. "Enfim, não há vontade de fazer com que se respeite a lei".

A vergonha foi descoberta por uma investigação do 
Center for Public Integrity, publicada neste domingo pelo Washington Post. E os contratantes da ex-Blackwater acabaram sob acusação: o grupo privado já tristemente famoso pelos massacres de civis no Iraque. A empresa goza de uma fama tão ruim que, para voltar a trabalhar hoje, mudou de marca e se chama Xe Service.

Um ex-guarda conta que não quer revelar o nome por medo de represálias: "Eu mesmo vi guardas mais velhos recolherem dinheiro, enquanto moças iraquianas, dentre as quais meninas de 12 e 13 anos, se prostituíam". O guarda diz também que denunciou tudo ao seu superior, mas que "nenhum procedimento foi tomado: me entristece só de falar nisso".

De fato, quem não se entristece é a porta-voz da ex-Blackwater, Stacy De Luke, que, no Washington Post, nega "com força essas acusações anônimas e sem provas: a política da empresa proíbe o tráfico humano". Claro.

O caso das trabalhadores do leste que pensam em voar para Dubai e acabam no Iraque foi descoberto por uma jornalista freelancer. Aqui, a organização era muito mais acurada. Um verdadeiro tráfico organizado por subcontratantes que trabalham para o Exército e para o Exchange Service da Aeronáutica: nome que deveria indicar o escritório que se ocupa de organizar o serviço de restaurantes, mas que evidentemente também se ocupa de outras coisas. Assim que aterrizam, as pobrezinhas são privadas do passaporte. Há também um preço para o resgate: 1.100 dólares. Uma quantia enorme, visto que se prostituem por poucos dólares.

A fábrica do sexo é ainda mais sólida no Afeganistão. Lá, há quatro anos, uma centena de chinesas foram libertadas em uma série de blitzes que, ao invés do Talibã, atingiram os bordéis. Mas o tráfico continuou. Com a "aquisição" de uma mulher por 20 mil dólares, um empresário do ArmorGroup, a empresa que, até pouco tempo atrás, se ocupava da segurança da embaixada norte-americana em Kabul, se orgulhava de poder organizar um tráfico rentável. A investigação que iniciou rapidamente chegou ao altos níveis do FBI. Mas parou por aqui.

Os federais defendem que não tiveram meios suficientes. Nas zonas de guerra, enfileiraram-se cerca de 40 agentes, mas eles já têm muito a fazer ao se ocupar de fraudes e corrupção. Mas os ativistas dos direitos humanos têm uma outra explicação: a verdade é que as autoridades preferem fechar um olho. Diz Christopher H. Smith, deputado e autor de uma lei antitráfico, para a crônica republicana: como é possível tolerar que essa gente possa explorar as mulheres com o dinheiro que nós pagamos? Eis uma outra herança da qual Obama deverá se ocupar.
Tradução: Moisés Sbardelotto.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Aos Radialistas de São Paulo



Tem gente que acredita que aumento de salário, reajuste salarial, abono, férias 13º salário, licença gestante, seguro desemprego, entre outros direitos, são conquistas que brotaram do nada. Como se não houvesse um processo histórico por trás disso tudo. Onde milhares, pra não dizer milhões, de trabalhadores lutaram, colocaram em risco suas vidas, seu bem estar, inclusive familiar, para poder garantir a si e aos que vieram depois, tudo o que temos hoje. Como a história não é inerte, ela se transforma, caminha, avança... a todo momento nos deparamos com forças contrárias aos interesses dos trabalhadores. E geralmente são a dos patrões e seus aliados (parlamentares, mídia, Justiça, associações de classe empresarial, governantes, entidades sindicais patronais, etc.). Não foi diferente em nossa última Campanha Salarial. Acredito até que não seja apenas uma questão de concepção do patronato de Rádio e TV, de tentar barrar nossos avanços para garantir mais lucros pra si. Este ano, em especial, teremos eleições sindicais. E o patronal, sabendo disso, está apostando em evitar um acordo com o Sindicato, para contribuir para alguma mudança na condução da entidade. Fato é que durante o período de negociações, por diversas vezes reuniões foram desmarcadas com a alegação de que a assembléia dos patrões foi remarcada para outra data. E assim, empurrando com a barriga, não negociaram, apenas queriam impor seus interesses, sem contar com o fato que estou relatando agora, de que seja uma orquestração não ter fechado o acordo coletivo com o Sindicato dos Radialistas este ano até o momento. Por conta disso, já foi protocolado o processo de Dissídio no TRT de SP. 


Eles sabem que essa diretoria tem compromisso com a categoria. Que não se dobrará com propostas indecentes que cunhem com perda de direitos dos radialistas. Por isso, esta semana, toda a diretoria, mesmo sabendo que nossa Campanha Salarial que pode resultar, em partes, num dissídio coletivo, estará distribuindo o informativo do Sindicato para que todos possam acompanhar o que está acontecendo nesse processo de luta de classes em nossa categoria. Dessa maneira, com informações factuais, os radialistas paulistas possam se blindar com o "canto da sereia", que vem sendo repetida aqui e ali em nossa categoria. 



Companheirada, nossa luta não terminou. A Campanha Salarial dos Radialistas de São Paulo continua. E precisa de você, companheiro radialista, pra avançarmos rumo a consolidação dos nossos interesses, que foi ratificado em nossas assembléias. Fiquem atento ao chamado do sindicato.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A esquerda ganha quando soma, une


Fidel foi sempre quem mais bateu nessa tecla. Contra os dogmatismos, os sectarismos, os isolacionismos, ele sempre reiterou que “a arte da política é a arte de unificar”, que a esquerda triunfou quando soube ganhar setores mais amplos, quando unificou, quando soube desenvolver políticas de alianças.


Foi assim que os bolcheviques se tornaram maioria, ao apelar aos camponeses para que tomassem as terras, realizando seu sonho secular de terra própria, mesmo se isso parecia estar em contradição com os interesses do proletariado urbano, que se propunha a socializar os meios de produção. Foi assim na China, com a aliança com setores do empresariado nacional, para expulsar o invasor japonês e realizar a revolução agrária. Foi assim em Cuba, quando Fidel soube unificar a todas as forças antibatistianas para derrubar a ditadura. Foi assim na Nicarágua, com a frente antisomozista organizada pelo sandinismo.

Como se trata de políticas de alianças,é preciso perguntar-nos sobre os limites dessas alianças e como se conquista hegemonia nessas alianças.
A arte da construção da uma estratégia hegemônica está, em primeiro lugar, em organizar solidamente as forças próprias, aquelas interessadas profundamente no projeto de transformações da sociedade. No nosso caso, de superação do neoliberalismo e de construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e soberana.

O segundo passo é o de construir alianças com forças próximas, no nosso caso, com setores médios da sociedade, que tem diferenças com a grande massa popular, mas que podem somar-se ao novo bloco hegemônico, conforme as plataformas que se consiga elaborar.

Organizadas as forças próprias, somadas as aliadas, se trata de neutralizar as forças que não se somariam ao nosso campo, buscando isolar ao máximo as forças adversárias. Essa a arquitetura que pode permitir a vitória da esquerda, a organização do campo popular e a constituição de um novo bloco de forças no poder.

O sectarismo, o dogmatismo são caminhos de derrota segura. Afincar-se nos princípios, sem enfrentar os obstáculos para construir uma força vitoriosa, é ficar de bem consigo mesmo – “não trair os princípios”, defender a teoria contra a realidade -, centrar a ação na luta ideológica e não nas necessidades de construção política de uma alternativa vitoriosa. O isolamento e a derrota dessas vias no Brasil é a confirmação dessa tese.

Em uma aliança se perde a hegemonia quando se cede o essencial ao aliado, na verdade um inimigo a que se converte quem concede. FHC aliou-se ao então PFL, não para impor o programa do seu partido, mas para realizar o programa da direita – o neoliberal. Nessa aliança se impôs a hegemonia neoliberal. Uma força que se pretendia social democrata realizou um programa originalmente contraposto à sua natureza.

Lula fez uma aliança ampla – não apenas com o PMDB e outros partidos -, mas também com o capital financeiro, mediante a Carta aos brasileiros, o Meirelles no Banco Central e a manutenção do ajuste fiscal e do superávit fiscal, conforme as orientações levadas a cabo por Palocci. Neutralizou forças adversárias, que ameaçavam desestabilizar a economia, mediante ataque especulativo que já havia dobrado o valor do dólar durante a campanha eleitoral.

Ao longo do tempo, com as transformações operadas no governo, a hegemonia do projeto original do Lula foi se impondo. O tema do desenvolvimento passou a ser central, com um modelo intrinsecamente vinculado à distribuição de renda, ao mesmo tempo que a reinserção internacional se consolidou, privilegiando alianças com os governos progressistas da América Latina e com as principais forças do Sul do mundo. O Estado, por sua vez, voltou a ter um papel de indutor do desenvolvimento e de garantia das extensão das políticas sociais.

Os aliados políticos e econômicos continuaram a ter força e a ocupar espaços dentro do governo. A maioria parlamentar do PMDB ficou representada na política do agro negócio, os interesses do setor privado de comunicações, assim como os das FFAA – em três ministérios importantes no governo. Da mesma formal, a centralidade do capital financeiro no neoliberalismo garantiu uma independência de fato do Banco Central.

Esses espaços enfraqueceram a hegemonia do projeto original, mas permitiram sua imposição no essencial. O agronegócio teve contrapontos no Ministério de Desenvolvimento Agrário, a política de comunicações em iniciativas como a TV Brasil e a Conferencia Nacional de Comunicações, as FFAA no Plano Nacional dos Direitos Humanos, o Banco Central em ações indutoras sobre a taxa de juros e no papel determinante que políticas com o PAC, o Minha casa, minha vida.

As fronteiras das alianças e a questão da hegemonia provocaram tensões permanentes, pelos equilíbrios instáveis que provocam essas convivências. Mas, como se sabe, sem maioria no Congresso, o governo quase caiu em 2005. A aliança com o PMDB – com as contrapartidas dos ministérios mencionados – foi o preço a pagar para a estabilidade política do governo.

Um dos problemas originários do governo Lula foi que ele triunfou depois de uma década de ofensiva contra o movimento popular, que passou a uma situação de refluxo, tendo como um dos resultados a minoria parlamentar e de governos estaduais com que o governo Lula teve que conviver, mesmo depois da reeleição de 2006. 

Por isso uma das disputas mais importantes este ano é o da correlação de forças no Parlamento, para garantir para um governo Dilma uma maioria de esquerda no Congresso, com dependência menor ali e na composição do governo. Assim se disputam os limites das alianças e a hegemonia.

Diferença fundamental na política de alianças de FHC e de Lula é a questão da hegemonia, da política levada adiante. A prioridade das políticas sociais – que muda a face da sociedade brasileira –, a nova inserção internacional do Brasil, o papel do Estado e das políticas de desenvolvimento – dão o caráter do governo Lula. As alianças devem viabilizar sua centralidade. A correlação de forças das alianças está em jogo nas eleições parlamentares deste ano.

Foi um governo em permanente disputa, com duas etapas claramente delineadas (Veja-se o artigo de Nelson Barbosa no livro “Brasil, entre o passado e o futuro”, organizado pelo Marco Aurélio Garcia e por mim, publicado pela Boitempo e pela Perseu Abramo.), com o ajuste fiscal predominando na primeira, o desenvolvimento econômico e social na segunda. A coordenação do governo realizada pela Dilma representou exatamente essa segunda fase, de que o seu governo deve ser continuação. O que não significava que as tensões apontadas não permaneçam. Mas elas podem ser enfrentadas numa correlação de forças mais favorável à esquerda e em um marco de uma nova grande derrota da direita, que abre espaço para um avanço estratégico do projeto de construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e soberana.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Mídia e José Serra; espetáculos e impertinências


Em meio ao espetáculo da tragédia, na qual assistimos todos os dias, nossa mídia golpista, descamba para o sensacionalismo barato, ao noticiar tragédias como a história do desaparecimento/assassinato da jovem Eliza Samudio, 25 anos, ex-amante de Bruno, ex-goleiro do Flamengo. Que tentava provar na Justiça que ele é pai de seu filho de quatro meses. Agora vemos essa mesma mídia tentar criar cenários pós governo, para que seu candidato predileto, José Serra, tenha algum tipo de favorecimento. Como se já não bastasse as coberturas jornalísticas, sempre favoráveis ao seu perfil "carismático" e ideológico. Isso quando não acontece "acidentes" de percurso, como no caso da pergunta feita pelo radialista Heródoto Barbeiro, coordenador das entrevistas do programa Roda Viva da TV Cultura, que ousou questionar o candidato e ex-governador de São Paulo José Serra, sobre os pedágios caríssimos que temos aqui em SP (veja aqui). O resultado de seu trabalho comprometido com o profissionalismo lhe valeu o o posto perdido para Marília Gabriela. Isso sem contar o afastamento de Gabriel Priolli, já noticiado neste blog. Por conta disso, corre pela internet, não só comentários ácidos, mas curiosidades engraçadíssimas. Principalmente para aqueles que tem acompanhado esses episódios que envolve profissionais da área de comunicação, vamos dizer, independentes, com o ex-governador. 

Veja abaixo uma paródia que "explodiu" no youtube e que simboliza, de maneira cômica, a relação do presidenciável com alguns radialistas e jornalistas que ousam ser "impertinentes" com sua pessoa.

Para assistir melhor este vídeo, desligue a estação musical que se encontra ao lado esquerdo da página.

domingo, 11 de julho de 2010

Ingerência política na TV Cultura



Não é novidade pra gente que trabalha nos veículos de comunicação do Brasil. Mais do que uma mudança administrativa, somos tomados de "não tão surpresa", do afastamento do jornalista  Gabriel Priolli, da direção do jornalismo TV Cultura. Se não bastasse o afastamento de Heródoto Barbeiro, pelo mesmo motivo .



Dizem as boas línguas que isso se deu por conta de uma matéria que estaria sendo feita a respeito dos pedágios que assaltam o bolso dos paulistas. Orquestrado por ninguém menos por aqueles que ainda não apinharam do Palácio dos Bandeirantes. Na matéria foram ouvidos os dois pricipais candidatos ao governo do Estado Geraldo Alckmin e Aloísio Mercadante. Segundo a versão do responsável pelo afastamento de Priolli, Fernando Vieira de Mello, vice presidente de conteúdo da emissora, é por quê a matéria ainda não estaria pronta. Versão que não bate pelo téte a téte que há nos corredores da emissora. E que vazou. Segundo informações de DANIELA LIMA, na Folha de S. Paulo, via Stanley Burburinho, o "PT-SP vai solicitar ao Ministério Público Eleitoral que faça uma apuração “rigorosa” sobre o afastamento do jornalista Gabriel Priolli da direção de jornalismo da TV Cultura. 

Será que alguém duvida das informações acima?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A passagem da democracia política à social


Por Emir Sader


O Brasil entrou, provavelmente de forma irreversível, em um processo de democratização social, que tanta falta faz ao país mais desigual do continente mais desigual do mundo. Tivemos a democratização política, sem democratização das estruturas de poder que se consolidaram justamente durante a ditadura – o monopólio do sistema financeiro, o monopólio da terra, o monopólio dos meios de comunicação, entre outros.

Os programas sociais que estão, pela primeira vez, alterando a desigualdade estrutural que o Brasil arrasta ao longo dos séculos, permitem o acesso a bens elementares à imensa massa pobre do país, elevando seu nível de renda e seu nível de vida. A maioria da população já não está situada nos dois grupos mais baixos na distribuição de renda, mas no grupo intermediário. Não significa que passamos a ser um país de classe, majoritariamente de setores médios, embora o poder aquisitivo da população de menor renda tenha melhorado significativamente. Mas arrastamos tanta miséria, que as condições de moradia, de saneamento básico, de transporte, de educação e saúde pública, ainda são muito precárias.

Fatores estruturais que produzem essas condições sociais têm que ser transformados para que seja possível dar continuidade, aprofundar o início das mudanças sociais do governo atual e gerar as condições estruturais de uma sociedade justa e solidária. Monopólios como os do dinheiro – coma hegemonia do capital financeiro -, da terra – como o predomínio dos agronegócios no campo -, da palavra – com a falta de democracia na construção da opinião pública.

As transformações sociais foram possíveis porque o modelo econômico atual está imbricado com a distribuição de renda e com a extensão acelerada do mercado interno de consumo popular. A continuidade e aprofundamento dessa política coloca, além dessas questões, a de promover a cidadania política desses milhões de brasileiros que conquistam seus direitos econômicos e sociais. 

O governo faz sua parte, a de formular, colocar em prática e gerar as condições de continuidade dessas políticas econômicas e sociais. Cabe ao movimento popular, às organizações sociais, culturais, às forças políticas, apoiar a essa nova maioria social, para que se organiza e se torne a nova maioria política do Brasil. Assim teremos transitado de uma democracia política a uma democracia social. 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quem acredita ainda na FSP (Força Serra Presidente)?




da Agência Carta Maior, por Emir Sader

O jornal que emprestou seus caros para a Operação Bandeirantes, disfarçada de jornalistas, levar a cabo prisões arbitrárias, fuzilamentos sumários de detidos, conduzir os sobreviventes para tortura, para a desaparição, para a morte.
O jornal que considerou a ditadura militar – o mais ditatorial dos regimes, de imposição do terror, o mais antidemocrático – como a salvação do país, pregou sua realização, saudou a ruptura da democracia e a deposição de um presidente legitimamente eleito pelos cidadãos, apoio a ditadura, ajudou a escondeu seus crimes e, mais recentemente, chamou-o de “ditabranda”.
O jornal que publicou uma ficha falsa da Dilma em manchete de primeira página de um domingo. Pego em flagrante, nunca corrigiu sua brutal manipulação.
Uma executiva do jornal declarou que, dada a fraqueza dos partidos da oposição, a imprensa assume o papel de partido da oposição. Isto é, o jornaleco virou boletim de um partido opositor, os jornalistas não são mais jornalistas, todos eles militantes desse partido opositor. A direção, que nunca foi eleita por ninguém, mas designada pela família, o Comitê Central desse partido. O seu diretor, escolhido por seu pai para sucedê-lo na direção da empresa familiar, presidente do partido.
Suas pesquisas são pesquisas internas dos tucanos, feitas por encomenda e atendendo às penúrias do candidato-colunista do jornal, que passeia pela redação do jornal como pela sua casa, dá broncas no que não gosta, nomeia empregados, como a chefe da sucursal de Brasília, nomeada por ele, porque tucana e porque casada com publicitário – ex funcionário da Globo – que codirige a campanha derrotada em 2002 e agora em 2010.
Quem acredita nas pesquisas do Databranda?
Quem compraria um jornal usado da família Frias?
Que lê o Diario Oficial dos Tucanos, com todos os editorais cheios de pluma tucana da página 2?
O povo não é tonto. Com tudo o que eles dizem, apenas 3% aceitam seus argumentos e rejeitam Lula.
Ou será 0%, na margem de erro?
A derrota de Serra e seu vice de ocasião é também a derrota da imprensa das oligarquias familiares, da imprensa mercantil, da imprensa mentirosa e manipuladora, a derrota dos Frias, dos Marinhos, dos Mesquitas, dos Civitas e dos seus associados regionais e internacionais.
Daí seu desespero, daí sua depressão, daí mentiras como essa pesquisa encomendada pelos tucanos e em que nem eles mesmos acreditam.
Otávio Frias Filho (que ocupa o cargo por ser filho de Otávio Frias pai), seus parentes e militantes do seu partido, não conseguem mais ditabrandar em nome do país.
Prêmio Corvo do semestre para Otávio Frias Filho e sua trupe!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Em terra de muitos caciques, finalmente um índio


Acordo entre tucanos e democratas sacramenta o nome do deputado carioca Índio da Costa. Deu zebra


Por Celso Marcondes

Nem Aécio Neves, nem Álvaro Dias. Nem Marco Maciel, nem Agripino Maia. Nem Kátia Abreu, nem Jose Carlos Aleluia. Nem Sergio Guerra, nem Tasso Jereissati. Nem a presidente do Flamengo, nem o presidente do Fluminense. Aos 45 do segundo tempo, no último dia permitido pela lei, finalmente PSDB e DEM chegaram a um acordo. A Convenção dos Democratas, que deveria começar hoje de manhã em Brasília e foi adiada para a tarde, vai aprovar o nome do deputado federal do DEM/RJ Índio da Costa como candidato a vice de Serra. O acordo foi fechado pelos dois partidos em reunião realizada pela manhã, em São Paulo. 

Índio da Costa tem 40 anos, é carioca, bacharel em direito, foi vereador no Rio de Janeiro pelo antigo PFL em 1996, 2000 e 2004, deputado federal pelo DEM eleito em 2006, relator do projeto Ficha Limpa, secretário municipal do governo César Maia de 2001 a 2006. Foi prefeitinho do Parque do Flamengo, membro do Conselho Municipal de Desenvolvimento do Rio de Janeiro e Administrador Regional de Copacabana e Leme. Biografia expressa em seu site oficial, que também lembra que ele é “sócio cotista da Baqueta Participações LTDA, que é sócia da 3X, empresa de licenciamento de produtos.” E que “Estas empresas não trabalham para o setor público”. 
Acabou o mistério, ninguém ganhou o bolão. Como já escreveram no twitter, “em terra de muitos caciques, finalmente conseguiram achar um índio”. 

Aguardemos agora os desdobramentos que esta decisão trará para a campanha eleitoral. 


Para saber mais...
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- Homem da Merenda, genro de Cacciola, é o escolhido pra vice de Serra
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- Casamento de Índio com Cacciola, na Veja, agora é relacionamento
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- Poste é o vice de Serra
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