domingo, 30 de agosto de 2009

Governo indica data para aprovação do Regimento Interno da I Confecom

Na avaliação de Jonas Valente, integrante do Intervozes na Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Comunicação, o preço do acordo foi “alto demais”. Proporção de delegados será de 40% para os empresários, 40% para a sociedade e 20% para o poder público.

Nessa terça-feira passada (25), foi selado o acordo que viabilizou a aprovação do regimento interno da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Segundo a negociação, a Conferência terá 1500 delegados, divididos entre 40% para o setor empresarial, 40% para a sociedade civil não empresarial e 20% para o poder público. O quórum de votação de propostas sensíveis nas plenárias das etapas do processo, outro tema-chave do impasse, será de 60%, mas com a exigência de que dentro deste percentual deverá haver no mínimo um voto de cada um dos segmentos.

O entendimento celebrado na reunião dessa terça-feira marcou a resolução de um impasse que já durava mais de um mês, quando a Comissão Organizadora deixou de se reunir e os ministros das comunicações, Hélio Costa, da Secretaria de Comunicação do governo (Secom), Franklin Martins, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, assumiram a negociação junto aos empresários. Os representantes deste segmento apresentaram condições para a sua permanência, entre as quais um percentual na proporção de delegados que lhes desse segurança, um quórum qualificado para as votações e a inscrição no regimento de premissas como “a proteção dos serviços e outorgas atuais frente à turbulência tecnológica da convergência midiática”. Mesmo com a proposta do governo de reservar 40% dos delegados ao setor e de sustentar um quórum de 60% para temas sensíveis, seis das 8 associações empresariais integrantes da Comissão Organizadora se retiraram do processo.

No entanto, a permanência de duas entidades, a Abra e a Telebrasil, foi o gancho para que o governo mantivesse a negociação em cima de sua proposta. Na reunião, a proporção de delegados, que até então tinha ensejado os debates mais calorosos, perdeu importância no impasse. O representante da Abra, Frederico Nogueira, afirmou que o percentual de 40% para o segmento empresarial não era uma exigência incontornável e que aceitava inclusive negociar um percentual maior para contemplar de maneira mais efetiva os movimentos sociais. O ministro da Secom, Franklin Martins, também mostrou que o governo estava aberto a debater o tema.
No entanto, a abertura não levou os representantes dos movimentos sociais a explorarem uma proporção diferente daquela inicialmente apresentada pelo governo. A discussão acabou ficando centrada em torno da proposta de quórum qualificado. Os empresários defenderam o índice de 60% + 1, o que foi rechaçado por parte dos movimentos. No entanto, a proposta do governo, de incluir o voto de no mínimo um representante de cada segmento dentro dos 60%, acabou sendo acolhida pelos movimentos, mantendo a exigência dos empresários mas sem estabelecer o “+ 1″, “simbolicamente ruim”, nas palavras do ministro Luiz Dulci.

Para o representante do Intervozes na Comissão Organizadora, Jonas Valente, o acordo selado resolveu um problema importante, a conclusão do regimento da Conferência, mas com um preço “alto demais”. “O formato adotado consagrou a sobre-representação dos empresários e o controle dos temas polêmicos com um quórum muito difícil de ser alcançado, pois os setores não serão homogêneos na Confecom”, avalia. Para ele, consolidou-se ali uma dinâmica política desequilibrada na qual “apenas um lado cede”. “Os empresários sempre tiveram privilégios no debate sobre as políticas públicas de comunicação. Se por um lado não podem de forma alguma ser desconsiderados, também não podem ser privilegiados de modo a comprometer o caráter amplo e democrático do processo”, defende.

Foi marcada para a próxima terça-feira (1o) reunião da Comissão Organizadora para fechar o regimento. Nela, deverão ser detalhados temas que não foram incluídos no acordo, como a forma de tiragem dos delegados e a definição do que são os temas sensíveis. Os membros da instância também deverão avançar em outras questões importantes para a organização do processo, como a definição do temário e do documento base.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Resultado da greve na Rádio e TV Cultura



Alguns companheiros me cobraram a respeito de informações sobre final da greve na Rádio e TV Cultura. Pois bem, depois que os trabalhadores da emissora se organizaram, juntamente com o seu sindicato, para pressionar a direção da Fundação Padre Anchieta a cumprir a legislação trabalhalhista, bem como a Convenção Coletiva de Trabalho, o resultado não foi ótimo. Mas posso garantir que foi bom.
Não conseguimos que a empresa pagasse imediatamente o abono de 35% como determina a Convenção Coletiva da Categoria. Foi acordado no TRT, que será julgado posteriormente por este Tribunal, esta situação do abono. Em contrapartida, os trabalhadores conquistaram um reajuste mais do que a categoria inteira consegui em relação a quem ganha mais do que o piso salarial. O percentual conquistado foi de 6,05%. Os trabalhadores que entraram em greve terão estabilidade no emprego até o tribunal se pronunciar a respeito do abono e 50% dos dias parados não serão descontados. Os outros 50% dos dias deverão ser repostos.
Um vitória da greve dos trabalhadores da TV Cultura que toda a categoria deveria se espelhar. Ao termos nossos direitos desrespeitados pela direção das empresas a categoria deve sempre dar uma resposta.
A organização continua, os trabalhadores estão alertas e a diretoria do Sidnicato dos Radialistas está em cima da empresa para que a empresa cumpra aquilo que propôs para os trabalhadores.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Semana de Saúde dos Radialistas é um sucesso


Com boa participação e espantosa audiência através da Webrádio Antena Ligada, que vem transmitindo o evento, o primeiro dia da Semana de Saúde surpreendeu seus organizadores, não só pelo nível do debate, mas pela qualidade da participação de todos. Segundo Arnaldo Marcolino, 59, diretor do sindicato e um dos organizadores do evento, o primeiro dia superou as espectivas, "acho que foi bom, muito bom", revelou de maneira modesta.


Com a participação de Éder Carlos, diretor da entidade e que também é Técnico Ambiental, que abordou os aspectos influenciativos do meio ambiente como fator determinante na qualidade do bem estar do trabalhador não só onde vive, mas também no trabalho, contribuiu bastante com informações relevantes a respeito de como o Meio Ambiente faz parte da vida do trabalhdor. A grande surpresa dos presentes foi a participação do Médico Dr. Koshiro Otani, pois de maneira descontraída apresentou sua palestra relatando como a Crise Econômica intefere na saúde dos trabalhadores.


A Semana de Saúde segue nesta terça feira com a participação de Olga Rios, do Ministério da Saúde do Distrito Federal e Dr. José Carlos do Carmo do Ministério do Trabalho.


Será fornecido certificado de participação a todos os participantes.

domingo, 23 de agosto de 2009

Radialistas realiza Semana da Saúde em São Paulo


"Antenado" com a realidade que permeia a vida dos trabalhadores o Sindicato dos Radialistas do Estado de SP realiza nesta semana a 2ª Semana de Saúde, com o tema "Saúde do Trabalhador, Meio Ambiente e Comunicação". O evento é aberto a todos os interessados.

A iniciativa, de realizar a Semana de Saúde do Trabalhador, deriva da percepção de que Saúde não é apenas um estado, em que se deve dar atenção e/ou preocupação apenas quando este nos "brota" aos olhos pela falta dela. Mas de que é uma condição, que deve ser entendida de maneira global.
Ao longo do tempo, em nosso país, optou-se por cuidar da saúde do trabalhador apenas quando este já não a tem. O termo Saúde é muito mais amplo. Suas relações se estendem para a vida do trabalhador bem mais abrangente (de forma econômica, emotiva, interpessoail), bem como para sua saúde mental. Muitas moléstias aparecem justamente por falta de identificação desta visão de Saúde transversalizada na vida do trabalhador.

Estarão presentes autoridades, pesquisadores e profissionais que lidam diretamente com diversos problemas e soluções, que se relacionam com a Saúde na vida do trabalhador. Vc que é dirigente sindical, profissional da área ou simplesmente um trabalhador, não deveria perder esta oportunidade de estar junto a um time de primeira, que enfrenta na ponta os problemas e tratam de soluções e que enfocará tudo aquilo que lhe diz respeito. Compareça e fique por dentro do assunto.

A programação segue abaixo e deverá ser transmitida pela WebRádio Antena Ligada.

Boa participação!



Programação da 2ª Semana de Saúde – Saúde do Trabalhador, Meio Ambiente e Comunicação
24 a 28 de Agosto – Sindicato dos Radialistas SP


24/08:
14:00 horas – Abertura:
Sr. Sergio Ipoldo – Sindicato dos Radialistas SP
Dra. Olga Rios - COSAT/MS
Dra. Jacinta – SEGEP/MS
Sra. Irene Batista – CES/CIST-SP
Sra. Celene Lemos – Fed.Inter.Trabs.Rádiod.TV – FITERT

Das 14:30 às 16:00 horas:

1ª Palestra – O impacto da crise na saúde
Dr. Koshiro Otani – CEREST

2ª Palestra – Saúde e Meio Ambiente
Éder Carlos – Sindicato dos Radialistas SP

16:00 horas: Coffe-Break
16:15 horas: Debate
18:30 horas: Atividade Cultural
19:00 horas: Confraternização

25/08 – Saúde do Trabalhador:
Das 14:00 às 16:00 horas:

1ª Palestra – Experiência Exitosa para a Saúde do Trabalhador
com a Participação Social nas Devolutivas da 3ª CNST
Dra. Olga Rios – COSAT/MS

2ª Palestra – Saúde do Trabalhador
Dr. José Carlos do Carmo – CEREST Estadual
Dra. Ana Paula Tencarte – CEREST Ilha Solteira
Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Município de São Paulo

16:00 horas: Coffe-Break
16:15 horas: Debate
18:30 horas: Atividade Cultural

26/08 – Saúde Mental e Diversidade:
Das 14:00 às 16:00 horas:

1ª Palestra – Saúde Mental e Trabalho
Dra. Maria Maeno – Fundacentro


2ª Palestra – Assédio Moral no Trabalho
Dra. Margarida Barreto – Doutora em Psicologia Social

3ª Palestra – Saúde e Adversidade
Dr. Jorge Harada – Ex-Presidente CONASEMS

16:00 horas: Coffe-Break
16:15 horas: Debate
18:30 horas: Atividade Cultural
19:00 horas: Apresentação de vídeo sobre deficiência mental
19:30 horas: Debate CRP – Conselho Regional de Psicologia

27/08 – Controle Social:
Das 14:00 às 16:00 horas

Palestra – Avanços e Desafios
DIESAT
SRINSS/SP
Irene Batista – Coord. CIST Estadual
Rogério de Jesus Santos – SINTESP

16:00 horas: Coffe-Break
16:15 horas: Debate
18:30 horas: Atividade Cultural

28/08 – Participação Social:
Das 14:00 às 16:00 horas

1ª Palestra – Saúde no Município de São Paulo
Conselho Municipal de Saúde

2ª Palestra – Saúde da Região Central

3ª Palestra – Saúde da Mulher
Hospital Pérola Byington

16:00 horas: Coffe-Break

17:30 horas: Solenidade Homenagem às Organizações/Entidades
Dep. Adriano Diogo – Comissão de Direitos Humanos ALESP

19:00 horas: Encerramento
Reinaldo farto Nunes – Sindicato dos Radialistas de SP

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Nem recuos nem precipitações na Confecom


Por Altamiro Borges

Chegou a hora da onça beber água no tenso processo de preparação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), prevista inicialmente para ocorrer em dezembro. Já se sabia que esta batalha seria dura, truncada e cheia de armadilhas. Afinal, “pela primeira vez na história do país”, como sempre repete o presidente Lula, a sociedade é chamada a discutir o papel dos meios de comunicação, um tema que adquiriu caráter estratégico na atualidade. O vespeiro é grande. É como tratar da reforma agrária, do fim do latifúndio da terra; neste caso, ainda mais complexo e grave, é a luta contra os latifundiários da mídia que está em jogo.

Os barões da mídia, que tanto falam em “liberdade de expressão”, fizeram de tudo para sabotar a convocação da Confecom. Na seqüência, diante do fato consumado do decreto presidencial e das disputas entre as teles e os radiodifusores, eles resolveram se apoderar da comissão organizadora nacional da Confecom – composta por dez representantes do poder público, oito das entidades empresariais e oito da “sociedade civil”. Eles tentaram restringir a pauta do evento, evitando os “temas sensíveis” que emparedam o monopólio midiático, e impor critérios antidemocráticos de representação e de votação (40% dos delegados e 60% de “quórum qualificado”).

Governo se acovarda novamente

Frente à resistência dos movimentos sociais e de setores do próprio governo Lula, os barões da mídia arriscaram um lance ousado e habilidoso. Seis das oito entidades patronais, lideradas pela Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), teleguiada pela Rede Globo, anunciaram sua retirada da comissão organizadora, mas não obrigatoriamente da Confecom. A jogada serviu para acovardar o governo, que passou a defender os critérios antidemocráticos de representação e de votação da Abert para viabilizar a presença empresarial. O clima esquentou. A última reunião da comissão organizadora não chegou a qualquer consenso e o regimento da conferência sequer foi publicado. Nova reunião ocorrerá na próxima semana.

Diante deste quadro embaçado, os movimentos sociais e as entidades que historicamente lutam pela democratização dos meios de comunicação estão diante de uma disjuntiva. Alguns setores se precipitam em afirmar que já aceitam a imposição draconiana, sem espernear nas negociações. Outros setores se apressam em anunciar que não participarão mais da Confecom, que tudo está perdido. Esta não é a melhor hora nem para recuos nem para bravatas. O momento exige firmeza de propósitos e flexibilidade tática para viabilizar uma conferência democrática e massiva. A Confecom é uma vitória histórica dos movimentos sociais, que não pode ser desperdiçada.

Forte pressão e nitidez de objetivos

É preciso colocar o governo na parede, fazendo com que assuma o ônus pelo recuo vergonhoso e desmascarando a postura autoritária e chantagista dos barões da mídia. Nenhuma entidade possui legitimidade para abdicar das exigências das bases, que rejeitaram os critérios antidemocráticos de representação dos empresários e suas tentativas de castrar o temário. Agora é necessária muita pressão para derrotar as manobras patronais e reverter a posição do governo. Toda negociação pressupõe pressão. Mesmo quem deseja a paz deve se preparar para a guerra. Qualquer recuo neste momento seria prejudicial e incompreensível. Ainda é possível obter alguns avanços.

Concluída a negociação, porém, os movimentos sociais deverão reavaliar sua postura. Qualquer bravata agora pode atrapalhar a reflexão madura no futuro, pode fomentar sectarismos estéreis que apenas servem para dividir o campo popular. Não se pode perder a referência do objetivo principal, que é o de garantir um processo amplo e pedagógico de debate na sociedade sobre o tema estratégico da democratização dos meios de comunicação. A Confecom não permite nem ilusões nem omissões. Ela não superará, de uma só vez, a ditadura da mídia – nem na Venezuela, Bolívia e Equador, que vivem processos mais radicalizados de lutas, esta façanha foi alcançada.

A Confecom é apenas o primeiro passo, de muitas batalhas que serão necessárias para se derrotar o monopólio e as manipulações da mídia. Neste sentido, ela cumpre principalmente um papel pedagógico, de envolvimento de amplos setores da sociedade neste debate estratégico – até então restrito a um reduzido e combativo núcleo de “especialistas”. O resultado das negociações com o governo não deve ofuscar este objetivo maior. O momento agora é de pressão, não de recuos, no processo de negociação. Na sequência, os movimentos sociais avaliarão qual a forma unitária de avançar no processo de debate na sociedade contra a poderosa e chantagista ditadura midiática.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Agora é oficial. Empresários se retiram da Confecom


Por Renata Mielli

Na tarde de 13 de agosto a maioria dos representantes das entidades dos donos de veículos de comunicação do país (Abert, ABTA, ANJ, Abranet, Adjori e Aner) reunidos com os minístros Hélio Costa (Comunicações), Franklin Martins (Comunicação Social) e Luiz Dulci (Secretarial Geral) decidiram sair da Comissão Organizadora Nacional da Conferência Nacional de Comunicação. (Leia abaixo a nota dos empresários).

Das oito representações do empresaríado, apenas a Abra (que representa a Band e a Rede TV) e a Telebrasil (que representa os empresários das telecomunicações) não seguiram as demais. Essas entidades vão aguardar a realização de uma nova reunião na próxima segunda-feira (17), que acontecerá com a presença da sociedade, para definir se continuam ou não na Comissão Organizadora.

Esta reunião deverá se debruçar sobre duas das polêmicas que envolvem a definição do regimento interno, que é a questão do percentual da representação dos setores na etapa nacional e o quórum qualificado para a aprovação das propostas.

Empresários fazem cruzada contra a conferência
Os empresários estão ameaçando se retirar praticamente desde o início do processo. Aliás, muito antes da convocação da Confecom, os donos dos veículos procuraram criar mecanismos para evitar a todo o custo a realização da Conferência. Contaram, para isso, com um importante aliado - o próprio ministro das Comunicações, Hélio Costa.

As divisões no interior do governo com respeito a quais políticas adotar no campo das comunicações estão evidentes desde o primeiro mandato. O cenário sofreu alterações com a ofensiva da mídia no caso do mensalão e na tentativa frustrada de evitar a reeleição de Lula.

No segundo mandato, apesar de haver maior convicção por parte do governo de que era preciso desenvolver políticas no sentido de criar um novo campo de comunicação e enfrentar o atual monopólio dos meios de comunicação no Brasil, a demora e as divisões retardaram a convocação da Confecom.

Uma vez convocada, a tentativa de sabotar a sua realização não terminou. Passou a acontecer no interior da comissão organizadora, com uma série de imposições e obstáculos apresentados por parte do empresariado para garantir que eles pudessem ter o mínimo controle da pauta de debates e das propostas aprovadas.

Desmascarar o PIG
Ao perceberem que eles não conseguiriam impor suas premissas, se retiraram do processo. O próximo passo, sem dúvida, será o de deslegitimar a Conferência como espaço de diálogo e discussão de propostas para políticas públicas no campo da comunicação. Bem ao estilo golpista que caracteriza o comportamento da mídia hegemônica.

Os setores do movimento social que estão atuando de forma ativa para divulgar a conferência e construir um campo de debate crítico e propositivo sobre as comunicações no Brasil hoje têm a tarefa de pressionar o governo para garantir que, mesmo sem a presença dos empresários, se mantenha a realização da Conferência.

O debate das comunicações, em razão de sua centralidade no mundo atual, não pode ficar à mercê da veleidade dos empresários. Ao perceberem que poderiam ter arranhada a sua hegemonia, o seu monopólio midiático, se retiraram e irão até as últimas consequências para manter esse poder.

Conferência Já
Nós, do movimento social, também iremos até as últimas consequências na luta por outra comunicação no Brasil. Se até há pouco éramos poucos, hoje já somos muitos. Estamos em todos os estados, em todas as capitais, nos principais municípios, em múltiplos setores sociais. Já acumulamos uma vitória com a convocação da conferência, articulando entidades e organizações em torno do debate da democratização das comunicações. Seguiremos unidos e vamos lutar pela realização da conferência, com ou sem os empresários.

O monopólio da mídia representa um poder político, econômico, cultural, ideológico que precisa ser derrubado. Para aprofundar a democracia brasileira é preciso avançar nesse campo. Esperamos que o governo Lula, em seu final de mandato, perceba isso e não deixe essa agenda inconclusa.

NOTA À IMPRENSA

O Decreto Presidencial de 16 de abril de 2009 convocou a 1ª Conferência Nacional de Comunicação - CONFECOM, a realizar-se sob o tema "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital".

As entidades representativas do Setor Empresarial, que assinam esta, sentiram-se honradas pelo convite para compor a Comissão Organizadora Nacional da Conferência, uma vez que, a seu ver, representava uma boa oportunidade de discussão a respeito dos meios e modos de construção da cidadania na era digital, como determina o Decreto Presidencial.

Por definição, as entidades empresariais têm como premissa a defesa dos preceitos constitucionais da livre iniciativa, da liberdade de expressão, do direito à informação e da legalidade.

Observa-se, no entanto, que a perseverante adesão a estes princípios foi entendida por outros interlocutores da Comissão Organizadora como um obstáculo a confecção do regimento interno e do documento-base de convocação das conferências estaduais, que precedem a nacional.

Deste modo, como as entidades signatárias não têm interesse algum em impedir sua livre realização, decidiram se desligar da Comissão Organizadora Nacional, a partir desta data. Evidentemente isso não impede que os associados decidam, individualmente, qual será sua forma de participação - uma demonstração cabal de nosso ânimo agregador e construtivo em relação a este evento.

Na oportunidade, reiteram os seus agradecimentos ao Governo pelo convite, formulando votos de que a 1ª CONFECOM se realize com sucesso e produza sugestões efetivas ao Legislativo e ao Executivo que, de fato, permitam o aperfeiçoamento do estado democrático de Direito, fortalecendo a liberdade de expressão, a livre iniciativa, a geração de empregos e outros aspectos, na defesa maior dos interesses nacionais.

Brasília, 13 de agosto de 2009.

ABERT - Associação Brasileira de Emissoras de Radio e Televisão
ABRANET - Associação Brasileira de Internet
ABTA - Associação Brasileira de TV por Assinatura
ADJORI BRASIL - Associação dos Jornais e Revistas do Interior do Brasil
ANER - Associação Nacional dos Editores de Revistas
ANJ – Associação Nacional de Jornais
http://renatamielli/renatamielli.blogspot.com/atom.php

domingo, 16 de agosto de 2009

Greve continua na TV Cultura



Numa tentativa deseperada de acabar com a greve a direção da emissora convocou diversos trabalhadores, prestadores de serviço e os funcionários que não aderiram a greve para uma "reunião" na qual seria discutido os rumos da greve. Uma coisa absurda de se fazer, já que os mesmos não estavam em greve.

A reunião aconteceu dentro da emissora, os trabalhadores em greve estavam do lado de fora. Estes foram orientados a não entrar. Sendo então proposto que uma comissão de trabalhadores e alguns membros do comando de greve pudessem entrar e participar da mesma.

Na reunião, obviamente foi propalado apenas a versão da empresa. O comando de greve, bem como alguns membros da comissão, que foram participar desta reunião, foram questionados duramente a respeito da condução do movimento. Não sendo o espaço para fazer esta discussão, os companheiros escutaram a opinião dos contrários e saíram para fazer os encaminhamentos necessários, já que não houve nenhuma nova proposta por parte da direç
ão da emissora.

Sérgio Ipoldo, diretor coordenador do Sindicato dos Radialistas e também funcionário da Fundação Padre Anchieta, que dirige a RTV Cultura, juntamente com a comissão de trabalhadores que entraram para participar da reunião, saíram da emissora e, ao participarem da a assembléia, para informar a respeito do que foi discutido lá dentro, dezenas de trabalhadores, que não estavam em greve, saíram para acompanhar e certamente votar o que poderia ser apresentado. O que seria descabido, já que quem tem direito a voto são os trabalhadores que estão em greve e não aqueles que, confortavelmente, ficam esperando o desfecho do movimento. Diga-se de passagem, esperando sem trabalhar, já que toda a parte operacional da emissora continua parada. Nada se produz sem os radialistas.

A emissora em greve não pode demitir e nem contratar novos trabalhadores para substituir os grevistas. Está contemplado essas condições na Lei de Greve. Mas como sempre, a emissora tenta burlar, orientando os prestadores de serviço (PJs), que estão contratados irregularmente e que em partes não aderiram a greve a desempenhar as funções dos trabalhadores em greve. Isso é ilegal o comando de greve já propôs que o Sindicato acione o Ministério do Trabalho, através de seus auditores autue a empresa por mais essa irregularidade.

Greve trasmitida pela internet

Pela primeira vez na história de luta dos trabalhdores no Brasil uma greve foi transmitida em tempo real pela internet. Durante os cincos dias da semana a greve dos trabalhdores da Rádio e TV Cultura foi transmitida pela WebRádio Antena Ligada, do Sindicato dos Radialistas.

Além das transmissões, do que vem ocorrendo durante o movimento, entrevistas com parlamentares e apoios têm sido divulgados. A programação musical segue, sendo interrompida apenas quando se faz o uso do microfone para dialogar nas assembléias com os trabalhadores e nas entrevistas de personalidades que visitam os trabalhadores em greve em frente da emissora.

Uma coisa curiosa que ocorre lá é que todos os trabalhadores acompanham as assembléias, os que não aderiram ficam do lado de dentro, próximo ao portão, já que não tem o que se fazer lá dentro. Há muitos relatos de quem está dentro da emissora de pressão e ameças de demissão, caso aderem ao movimento. Neste final de semana estão sendo discutidas as estratégias para condução da greve. E só para informar, segunda feira, as 15:00 hs na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo estará sendo realizada uma audiência pública com os trabalhdores em greve da RTV Cultura.

Leia o texto abaixo com mais informações a respeito de todo o movimento dos trabalhadores da Rádio e TV Cultura;



Grevistas rejeitam proposta


Pela quarta vez, desde que se iniciou a greve, os trabalhadores da RTV Cultura rejeitaram a proposta de apenas 6,05% de reajuste. O problema não está no índice e sim na falta do abono de 35%.
Ontem a comissão de negociação foi chamada e criou-se uma expectativa que pudesse surgir uma nova proposta, mas o índice era o mesmo e, além disso, a direção se comprometia a estudar como seriam resolvidos alguns problemas internos.

Passeata na Marginal Tietê

Para dar visibilidade ao movimento e demonstrar toda sua indignação e vendo suas reivindicações não serem atendidas, os trabalhadores saíram em passeata e ocuparam 3 faixas da marginal Tietê, foram até a Ponte da Freguesia do Ó e entraram na Marques de São Vicente retornando assim à porta da emissora. Tudo pacificamente e organizadamente.

Markun é derrotado ao defender a proposta

Ao retornarmos à emissora, após a passeata, a direção da Fundação Padre Anchieta havia soltado um comunicado dizendo que caso a proposta, que já havia sido rejeitada pela assembléia, não fosse aceita até as 18:00 horas eles enviariam a greve para julgamento. E o próprio presidente da Fundação, Paulo Markun, queria defender no nosso microfone aos trabalhadores a proposta.

Democraticamente foi posto em
votação se deveríamos abrir o microfone ao presidente e reabrir a discussão, por maioria (apertada) venceu que concederíamos a palavra ao Markun e assim foi feito.
O presidente defendeu a proposta e foi derrotado por esmagadora maioria.

Interdito Proibitório/Liminar

A Fundação Padre Anchieta, como todos já sabem, entrou com processo para enfraquecer o movimento dos trabalhadores e conseguiu a liminar que todos já conhecem. Ontem mesmo o nosso depto jurídico entrou com pedido para cassar essa liminar e está aguardando a resposta do juiz que sairá hoje as 13:00 horas.

Cumprir o Acordo Coletivo é Obrigação

Se a Fundação Padre Anchieta tem uma má gestão e está com um rombo de 19 milhões, o problema não é nosso. Se o Codec não permite que a emissora resolva seus problemas econômicos com seus funcionários, como foi explicado pelo presidente, é um problema de relacionamento deles com o governo Serra.

O que não pode acontecer é não ser cumprido o Acordo Coletivo da categoria, pois ele tem força de Lei. Historicamente somos radialistas e desde 1962 (data da greve geral dos radialistas) recebemos o nosso acordo coletivo. Agora não podemos ser tratados como funcionários do governo como o Serra/Codec quer, somos radialistas e todas as emissoras do Estado de SP honraram o acordo. O governo tem dinheiro e condições de pagar, o que falta é vontade política.

Pressionar o Governo é preciso Na assembléia foi tirada uma visita ao palácio dos Bandeirantes, que deveremos fazêla logo. Também está sendo providenciada uma audiência com Aluisio Nunes Ferreira ao qual o Codec presta “contas”. Devemos pressionar o governo, pois ele é mantenedor da Fundação e é responsabilidade dele provir os recursos necessários para que ela funcione normalmente, isto inclui pagar nossos salários e honrar o nosso acordo.

Cumpra-se o Acordo Coletivo

Nossa greve reivindica apenas que o nosso acordo seja honrado, somos radialistas e não funcionários públicos e assim devemos ser tratados. Queremos o que é nosso de direito: 5,83% de reajuste e o Abono de 35%. Governo Serra e Fundação Padre Anchieta paguem o que nos devem!


Só a Luta muda a vida!
Nenhum Direito a Menos!


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Radialistas entram em greve na TV Cultura


Os trabalhadores da RTV Cultura que estão em greve desde a zero hora de segunda-feira (10/08), fizeram uma passeata na marginal Tietê.

A assembleia do meio dia decidiu, em represália à falta de proposta da direção da emissora e do governo Serra, dar visibilidade ao movimento e a pararam a marginal por cerca de 30 minutos.

CUMPRIR O ACORDO COLETIVOS
Radialistas estão parados para que a Fundação Padre Anchieta cumpra o acordo coletivo de 2009 assinado, em maio, pelos sindicatos (tem força de LEI) e que todas emissoras do estado de SP honraram, menos a RTV Cultura.


REIVINDICAÇÕES
Acordo coletivo prevê índice de reajuste de 5,83% e mais um abono de 35%. A parte ao acordo coletivo, os trabalhadores pedem também 12% que lhes foi subtraído em 2003, justamente pelo não cumprimento do acordo coletivo daquele ano e que está na justiça desde então.

MÁ GESTÃO DO GOVERNO SERRA
Se o problema é de má gestão do governo Serra ou da Fundação Padre Anchieta tanto faz!O acordo coletivo foi assinado e tem que ser cumprido.É isso que exigem os trabalhadores da rádio e TV Cultura.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Realizado pré-Conferência Paulista de Comunicação


Tive a oportunidade de participar da 1º pré-Conferência Paulista Comunicação em São Paulo neste final de semana. Quase trezentas pessoas discutiram que rumo nossa Comunicação deve tomar no Brasil. Destaque para a Deputado Luiza Erundina - PSB, que faz parte do Conselho de Comunicação Social e que denunciou que o empresariado tem emperrado o avanço da organização da Conferência Nacional de Comunicação. Segundo ela, na elaboração do regimento interno, os ditos cujos querem discutir até as vírgulas, com o único intento de inviabilizar as pré-conferências regionais e estaduais no resto do país, já que dependem do regimento interno, elaborado pelo conselho como guia para realizar seus eventos nos respectivos estados. Em consequência disto é a inviabilidade da realização da Conferência Nacional.

Além de algumas autoridades, entidades sindicais, movimentos populares e diversos organismos não governamentais estiveram presentes, discutindo e propondo alternativas para melhorar esse setor tremendamente concentrado nas mãos de uma parcela ínfima de nossa sociedade e que têm interesses políticos e econômicos distintos da maioria da população.

Fazer parte da construção das propostas, que serão levadas ao seu gênero nacional, garantirá que a Comunicação em nosso país seja tratada como política de Estado e não simplesmente como um negócio.

Se organize, entre em contato com a Comissão Nacional pré-Conferência de Comunicação e garanta a participação da sociedade na qual está incluído.