sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Rumores de tentativa de golpe na Bolívia


Com preocupação tenho acompanhado as notícias que vem da Bolívia. Mesmo com um referendo de quase 70% dos votos, o presidente da Bolívia Evo Morales continua sendo atacado politicamente em seu país pela elite reacionária que detém o poder em alguns Estados da Bolívia.

Ainda do blog do Mello;

Em notícia publicada nesta madrugada, a Agencia Boliviana de Informacion informa que o presidente Evo Morales já está em La Paz.
Morales emprendió retorno a La Paz cerca de las 22.30 desde
el aeropuerto de la población brasileña de Guajaramerin, cuya pista es asfaltada
y cuenta con iluminación para operaciones aéreas nocturnas. Fue trasladado desde Cachuela Esperanza a esa terminal aérea a bordo de un helicóptero. El Jefe de
Estado abordó la aeronave FAB 026 y utilizó esa pista por razones de seguridad,
ya que en la pista de Bella Vista, población cercana a Cachuela Esperanza, no
cuenta con iluminación ni es asfaltada.
Como na informação do Itamaraty, não há confirmação ou desmentido do golpe de Estado. Mas o fato é que Evo verdadeiramente pediu ajuda às autoridades brasileiras, por estar ilhado em Beni, como confirma a notícia da ABI. Porque estava escuro, é a explicação oficial. Porque o aeroporto foi bloqueado por opositores, é a informação que me foi passada. E a mais próxima da verdade, para qualquer um que venha acompanhando a tentativa da direita racista boliviana de retirar aquele que consideram “índio de mierda” do poder. Mas o golpe segue em marcha. Mesmo com o referendo tendo apontado uma aprovação de 67% do governo Evo Morales. Curiosamente, o mesmo número da votação do presidente Lula. O que acontece na Bolívia, se transportado para o Brasil, seria como se os eleitores de Alckmin ou Serra quisessem derrubar Lula na marra e não apenas via mídia corporativa, juízes e advogados golpistas, como habitualmente.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Itamaraty não confirma golpe na Bolívia, mas também não desmente

Do Blog do Bello

Nota da repórter Jaqueline Paiva, da TV Brasil, publicada às 22h50 na Agência Brasil, afirma que o Itamaraty não fala em golpe na Bolívia, mas confirma que o presidente Evo Morales teve problemas com seu helicóptero, que “fez um pouso forçado em Riberalta, na departamento de El Beni, onde é forte a oposição a ele”.


Um avião militar boliviano King Air chegou a pousar no aeroporto de Guajará-Mirim, em Rondônia, próxima a Riberalta, para resgatar Morales, mas ele preferiu passar a noite na cidade boliviana. Amanhã, o presidente deve voltar a La Paz.


Se fosse apenas um problema de vôo, a notícia já estaria na Agencia Boliviana de Informacion. Como não está e a oposição a cada dia radicaliza mais suas posições, o mais provável é que o golpe esteja em marcha na Bolívia. Conforme informação de fonte fidedigna, que chegou a este blog no início da noite.

domingo, 24 de agosto de 2008

Alienação e Trabalho

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página.

O vídeo é um trabalho universitário que descobri no yutube onde descreve, simplificadamente, através do filme de Chaplin e depoimento no final, a configuração da Alienação e o Trabalho nos tempos modernos em que vivemos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Distribuição de renda


Existem várias interpretações a respeito de qual é a maneira ideal de se fazer a distribuição de renda.

No Brasil, vivemos, entre várias contradições, uma delas é a de sermos um país desigual. Tanta riqueza em meio a uma quantidade enorme de pobresa. Também de miseráveis, já que tem gente que colocam todos no mesmo balaio. O mais interessante desta discussão, e que muitas vezes nossa mídia corporativa tenta esconder, é que a pobreza tem diminuido no Brasil. É fato que um dos diversos programas do governo federal, o Bolsa Família, vem fazendo sua parte. Que é garantir o mínimo de dignidade a quem está numa situação de risco social, mas que em contrapartida, exige responsabilidade de quem se beneficia do programa, exigindo deles que mantenha seus filhos na escola.

O que vemos através das emissoras de tvs, jornais e revistas, é que as coisas não vão bem para os pobres. É fato que no sistema em que vivemos (capitalismo) jamais vai haver justiça social com o princípio da individualidade sendo venerada em detrimento do bem estar coletivo.

Observando melhor alguns sites, pude observar que, apesar do fato ser evidente para vários organismos internacionais em que se reconhece os avanços no combate a concentração de renda, com os programas sociais, o governo Lula continuará sendo constantemente combatido através de ilações de corrupção envolvendo quadros de seu governo ou por omissão de notícias, em matérias que o governo vai muito bem.

Acompanhem abaixo alguns links que podem dar um dimensionamento daquilo que estamos falando;

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PNUD: BOLSA FAMÍLIA NÃO É "BOLSA VAGABUNDO"

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Concentração de Renda Divide o Brasil em 5 Classes

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Concentração de renda no Brasil

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Programa Bolsa Família

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Bolsa Família cresce para combater evasão escolar

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Uma estratégia para o desenvolvimento social

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sábado, 16 de agosto de 2008

Marxismo Socialismo

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página.

O Vídeo mostra em síntese, a definição do que é o marxismo socialismo, com parte do texto retirado da Wikipédia.
Há outras contribuições também, mas de forma bem didática. Creio que se houvesse alguns "frames" em preto e os caracteres fossem brancos, o filminho seria visualmente melhor.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O que é a Teologia da Libertação?

Para ver melhor este vídeo, desligue antes a estação musical, a esquerda da página.

O vídeo assim talvez responda uma questão simples, que para muitos, é tão difícil entender.

VII Congresso Estadual dos Radialistas do Estado de São Paulo

Conhecidos apenas pela função de locutor, radialista é todo trabalhador que desempenha função regulamentada numa empresa de radiodifusão. Operadores de câmera, diretor de Imagens, Coordenador de Programação, Iluminador, Contra Regra, Operador de Máquina de Gerador de Caracteres... são mais de 90 funções regulamentadas no decreto que regulamentou a Lei do Radialista.

Dias 12, 13 e 14 de setembro serão os dias em que acontecerá o Congresso dos Radialistas do Estado de SP. A participação no evento só é destinada aos sócios da entidade que realializa o evento para que a categoria dê rumo as suas lutas políticas através da entidade. Um fator condicionante de poder participar é estar presente em Assembléia de tirada de delegados, que deve ser realizada no próximo dia 23 de agosto, sábado.

Não deixe para última hora, veja se sua condição como associado está normal e esteja presente na assembléia. Se quiser contribuir com teses, faça a sua para que seja distribuída em tempo aos congressistas.


O evento será realizado na cidade de Itanhaém, aproiveitando a estrutura da própria entidade que tem uma colônia de férias na cidade.


Importante repetir; os interessados, em condições de participar, devem estar presente na assembléia do dia 23 de agosto na própria entidade que está localizada na cidade de São Paulo, na Rua Conselheiro Ramalho n. 992, bairro Bela Vista.

Links interessantes;

Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo

Federação dos Radialistas do Brasil (Fitert)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

As feridas abertas da ditadura


Para historiador, impunidade dos que torturaram e assassinaram durante o regime militar criou uma cultura político-policial que legitima na prática a ilegalidade exercitada ainda hoje pelos agentes do Estado


Tatiana Merlino,
da Redação da
Agência Brasil de Fato


A legislação internacional define a tortura como crime contra a humanidade, não sendo possível que o Brasil, que é signatário dos tratados internacionais de direitos humanos, proteja agentes do Estado responsáveis por torturas, seqüestros e assassinatos. A opinião é do historiador Marcelo Badaró Mattos, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), a respeito da demora do país em reconhecer que crimes contra a humanidade, como a tortura, não podem ser anistiados.


O Brasil é o mais atrasado dos países do Cone Sul no que se refere à responsabilização penal de torturadores. A discussão sobre a interpretação da Lei de Anistia, recentemente levantada pelos ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), Paulo Vanucchi, gerou uma reação virulenta dos militares.


No dia 7, os oficiais da reserva organizaram uma reunião no Clube Militar do Rio de Janeiro, onde compareceram, entre eles, Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército, que comandou no início dos anos 70, o DOI-Codi de São Paulo, órgão de repressão do regime. O oficial está sendo acusado pelo Ministério Público Federal pela prática de tortura, seqüestro e assassinatos na época da ditadura e também é réu em duas ações movidas pelas famílias Teles e do jornalista Luiz Eduardo Merlino.


O tom do encontro foi de defesa do regime militar. “Há nomes de terroristas que ensangüentaram nosso país, matando mais de cem pessoas. Em respeito à Lei da Anistia não vou citá-los. Muitos deles estão ocupando hoje cargos públicos”, disse o general da reserva Sérgio de Avellar Coutinho. Realizado para discutir a Lei de Anistia, as falas dos oficiais da reserva foram marcadas por ataques: “Isso faz parte de um revanchismo organizado que começa depois de 1979 no nosso país", disse Coutinho, referindo-se ao ano de promulgação da lei.(Veja a íntegra dos discursos proferidos no Clube Militar).


Em bate-boca com os manifestantes do Grupo Tortura Nunca Mais e da União Nacional dos Estudantes (UNE) que protestavam em frente ao Clube Militar, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), presente ao evento, afirmou: “o grande erro foi ter torturado e não matado".
Em entrevista, Marcelo Badaró rebate a tese de revanchismo, sustentada pelos militares: “A punição dos crimes dos agentes da ditadura não é uma reivindicação apenas dos que lutaram contra a ditadura. Ela é uma necessidade sentida por todos aqueles que querem realmente acertar o compasso da história em nosso país”.


Brasil de Fato – Como o senhor avalia a iniciativa do Ministério da Justiça de promover uma audiência para discutir a punição dos agentes do Estado que cometeram crimes durante a ditadura militar?
Marcelo Badaró – É muito importante que essa discussão aconteça, particularmente por iniciativa de uma instância de primeiro escalão do governo federal. Sabemos, no entanto, que, nos últimos anos, todas as discussões levantadas – mesmo de dentro do governo –sobre os crimes cometidos pelos agentes da ditadura foram logo em seguida esquecidas pela pressão dos militares e dos setores da classe dominante que sustentaram aqueles governos.


Logo após a realização da audiência, os militares e os jornais da imprensa corporativa criticaram o fato de na ocasião não ter se discutido os crimes da resistência armada à ditadura. Qual a sua opinião sobre esse debate que surgiu de, "se vamos responsabilizar os militares, também temos que fazer o mesmo com a esquerda armada"?

Os setores que desenvolveram ações de resistência contra a ditadura – armados ou não – sofreram prisões, exílio, morte, cassação de direitos políticos, aposentadorias e reformas. Foram homens e mulheres que se organizaram para defender a redemocratização do país e, em certos casos, acreditando que a restauração da democracia poderia ser um passo na direção da superação do capitalismo. E sofreram as mais duras punições por isso. Já os agentes do Estado que torturaram e assassinaram militantes de esquerda transgrediram até mesmo a legislação que a ditadura implantou (como a Constituição de 1967 e a Emenda Constitucional de 1969), que definiam a tortura como crime. A comparação, por isso mesmo, é totalmente descabida.


É possível dizer que é revanchismo tentar punir crimes de agentes que praticavam tortura durante o regime militar?
A punição dos crimes dos agentes da ditadura não é uma reivindicação apenas dos que lutaram contra a ditadura. Ela é uma necessidade sentida por todos aqueles que querem realmente acertar o compasso da história em nosso país. A impunidade dos que torturaram e assassinaram em nome do Estado na ditadura civil-militar instalada em 1964 (como antes a dos que torturaram e assassinaram no primeiro governo Vargas) criou uma cultura político-policial que legitima na prática a ilegalidade constantemente exercitada ainda hoje pelos agentes do Estado (polícias, forças armadas, órgãos de informação), quando torturam e executam cidadãos (criminosos ou não), sob o argumento de que estão combatendo o crime. Essa é uma exigência que faço eu, que não tinha idade para lutar contra a ditadura, e faz meu filho, que nasceu depois do fim do regime, porque deve ser assumida como base mínima para a qualificação da democracia no Brasil, longe estando de ser “revanchismo” dos ex-militantes. Até porque basta olhar para constatar que muitos dos que lutaram contra a ditadura agora compactuam com a impunidade dos criminosos.


Um dos argumentos utilizados pelos que defendem os militares é de que eles são protegidos pela Lei de Anistia (essa é a linha de defesa do advogado do coronel Ustra nas ações movidas tanto pelo Ministério Público Federal, quanto pelas famílias Teles e Merlino). No entanto, de acordo com juristas, como Hélio Bicudo e Fábio Comparato, essa lei foi mal interpretada e não protege os agentes do Estado que cometeram crimes. Qual sua opinião sobre o assunto?
A Lei da Anistia define anistia para crimes políticos. Tortura e assassinato são crimes comuns. Além disso, a legislação internacional classifica a tortura como crime contra a humanidade, não sendo possível que a legislação do Brasil, que é signatário dos tratados internacionais de direitos humanos, proteja esse tipo de criminoso.


Enquanto na Argentina e Chile, por exemplo, os responsáveis por torturas, seqüestros e assassinatos durante os regimes militares estão sendo presos, no Brasil existe uma dificuldade até mesmo para processá-los em ações na área cível. Por que o páis é o mais atrasado do Cone Sul em relação a isso?
Podemos explicar esse atraso por diversos fatores. Três deles me parecem mais relevantes. O primeiro é o fato de que os militares brasileiros foram bem sucedidos em deixar o poder mantendo durante um bom tempo a tutela sobre a redemocratização, além de preservarem na Constituição de 1988 a prerrogativa de “defesa da lei e da ordem”, que já havia servido de pretexto para o golpe de 1964.


Um segundo fator decorre do fato de que, no Brasil, o conjunto dos políticos e tecno-empresários que atuaram desde 1964 no interior dos governos ditatoriais também mantiveram seus espaços de poder intocados. Não é pouco perceber que, por exemplo, Reinold Stephanes [ministro da Agricultura] tenha sido diretor do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] no governo Médici [1969-1974], presidente do INPS [Instituto Nacional de Previdência Social] (cargo que tinha status de Ministério) no governo Geisel [1974-1979] e depois do fim da ditadura foi ministro simplesmente de todos os presidentes eleitos – Collor [1990-1992], FHC [1995-2002] e Lula.


Por fim, a ditadura no Brasil foi a primeira a se instalar, a mais longa e a que primeiro aplicou os métodos de “combate ao inimigo interno” aprendidos com os militares americanos (também com franceses), mas, até por isso, foi a que proporcionalmente menos matou entre as ditaduras do Cone Sul. No Chile e na Argentina, o número de mortos, desaparecidos, crianças seqüestradas – e, portanto, de familiares atingidos – foi bem maior e talvez por isso, desde os anos finais das ditaduras, a luta pela punição dos seus agentes criminosos mobilizou significativos setores sociais. Mas, como eu disse, aqui como lá, essa não é uma luta apenas das vítimas dos crimes daquela época, mas de todos nós.


Dias após as declarações de Tarso Genro e Paulo Vanucchi, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a posição de ambos era "isolada" e que não era consenso no governo. Como avalia o comportamento do governo federal em relação ao tema?
Como eu disse na primeira resposta, o governo Lula concretamente fez muito pouco nessa área. Basta lembrar o debate sobre a abertura dos arquivos da ditadura, até hoje incompleta.


Após as denúncias do presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos em 2004 – João Luiz Duboc Pinaud – que se demitiu denunciando o descompromisso do governo com o resgate da história do período, houve certo debate público sobre o decreto do fim do mandato de FHC que praticamente blindou a documentação da época. O resultado foi uma medida provisória de Lula, em 2005, criando procedimentos para abrir a documentação que resultou em quase nada, pois pouquíssimos documentos foram abertos para consulta desde então e manteve-se a prerrogativa de fechar o acesso a documentos por 30 anos (renováveis por mais 30), a partir de avaliação de uma comissão toda ela composta por ocupantes de cargos do governo.


Então, não é de estranhar que agora a declaração de Tarso Genro seja logo rebatida – e a tendência, a não ser que produzamos uma mobilização contundente, é de que seja esquecida – pelo ministro da Defesa que, sabemos muito bem, serve na maior parte das vezes como simples porta-voz dos comandantes militares (ou se não servir assim, perde o cargo).






quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Os metralhas e suas reputações


Pouco se divulga pela mídia corporativa os escândalos de corrupção do tucanato brasileiro. Isto porque ela (mídia) está seriamente comprometida com o PSDB e suas principais lideranças. Principalmente com Yeda Crusius no Rio Grande do Sul com o escândalo do Detran gaúcho, onde os principais nomes de seu governo e aliados aparecem envolvidos neste escândalo. Há quem já diz que este governo já é apelidado de governo da vergonha.
O fato é que fica cada vez mais insustentável ficar escondendo tantos casos de corrupção de quem vivia em tempos de mensalão do PT, arrotando pureza infinita.
O PSDB está num dilema político que pode e deve comprometer suas pretenções de chegar em 2010 sendo uma alternativa viável a Presidência da República. Quanto mais se mexe nos indícios, mais distante fica o sonho de retornar ao Planalto.
Leiam o texto abaixo que reproduzo do Blog do Miro. Certamente dará mais conteúdo ao que estou falando.
Yeda Crusius e o inferno tucano


por Altamiro Borges


O PSDB, partido do ex-príncipe FHC e dos presidenciáveis José Serra e Aécio Neves, atravessa um dos piores momentos dos seus 20 anos de vida, completados em junho último. O seu inferno astral se estende por todo o país. Dois governadores tucanos, de Alagoas e da Paraíba, correm o risco de perder seus mandatos, metidos em corrupção e crises. Em São Paulo, o partido chafurda no escândalo da Alstom, multinacional que deu R$ 15 milhões em propina em troca de contratos bilionários com as estatais – e que acaba de fechar nova negociata no valor de R$ 706 milhões.

A crise existencial da social-democracia tupiniquim é abissal e enterrou de vez o cínico discurso da ética. Como reflexo, o PSDB se apresenta para as decisivas eleições municipais de 2008 mais desidratado. Disputará o pleito apenas em 11 capitais e, na maioria delas, sem chances de vitória. Para piorar, os neoliberais tucanos romperam a sua aliança histórica com os oligarcas do ex-PFL. Na estratégica capital paulista, o partido está fraturado, numa briga fratricida entre José Serra, que apóia o candidato do demo, e o seu carma Geraldo Alckmin, adorador do Opus Dei.

O mensalão do PSDB gaúcho
A mídia hegemônica, porém, tem prestado um excelente serviço aos tucanos – talvez saudosa das privatarias do passado. Ela blinda o PSDB, evitando falar das crises e falcatruas deste partido. Os mais poupados são os governadores José Serra e Aécio Neves, reservas estratégicas da burguesia para a disputa presidencial de 2010. O único caso gritante que não conseguiu esconder, apesar das tentativas, é o do Rio Grande Sul. Neste importante estado da federação, as feridas estão abertas e os podres vêem a tona. Hoje a governadora Yeda Crusius é o principal elo fraco dos tucanos.

Há meses, ela sangra e mancha a falsa imagem do PSDB. Mas a governadora, que mais se parece uma aristocrata inglesa, mantém-se arrogante e esbanja inabilidade. No início do purgatório, seu governo foi acusado de desviar R$ 44 milhões do Detran para montar o famoso mensalão da sua base parlamentar. Ela negou, mas conversas gravadas entre seu vice, Paulo Feijó, e seu chefe da Casa Civil, Cezar Busatto, confirmaram o esquema ilícito. Desmascarada, ela disse desconhecer a sujeira e repassou a responsabilidade aos seus auxiliares diretos, exonerando quatro secretários.

Agora, porém, é o empresário Lair Ferst, coordenador da campanha de Yeda Crusius em 2006, que afirma com todas as letras que ela participou ativamente do esquema de corrupção. Réu na ação criminal, junto com outras 39 pessoas, pelo desvio de R$ 44 milhões do Detran, ele garante: “É público e notório que houve o envolvimento da governadora neste processo”. Antes ele havia negado a relação promíscua porque “não achava conveniente servir de munição para a oposição”. Mas, abandonado, ele resolveu falar, o que pode causar a abertura do processo de impeachment.

A suspeita mansão da governadora
Outro caso grotesco afeta ainda mais a ex-vedete tucana. A oposição pediu ao Ministério Público Federal a investigação da compra de uma luxuosa mansão num bairro nobre de Porto Alegre. Há suspeitas de que parte do dinheiro desviado do Detran teria sido usado para a aquisição do novo imóvel, que custou R$ 750 mil, valor bem superior ao patrimônio declarado por Yeda Crusius na Justiça Eleitoral. Diante da grave acusação, ela alegou que adquiriu a mansão com o dinheiro da venda de dois apartamentos, avaliados em R$ 35 mil e R$ 218, e de um carro. Mas a oposição já descobriu que a desculpa é falsa, já que um dos imóveis está penhorado e não pode ser vendido.

Diante de tantos descalabros, que nem a mídia venal consegue esconder, a governadora mantém o velho estilo tucano, fingindo-se de morta. Ela conta com a maioria na Assembléia Legislativa e com a ajuda de alguns jornalistas – também acusados de envolvimento no escândalo do Detran – para abafar as denúncias. Numa prova de total inabilidade, que deve irritar tucanos mais marotos, ela ainda enviou à Assembléia Legislativa pedido de reajuste de 143% nos seus rendimentos, que passaria de R$ 7,1 mil para R$ 17,3 mil mensais. Na mesma semana, ela viajou a Brasília para se contrapor ao piso nacional de R$ 950,00 dos professores proposto pelo governo federal e aprovado na Câmara de Deputados. Se depender de Yeda Crusius, o inferno astral do PSDB não terá fim.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Evo Morales referendado


Não bastasse a intransigência dos governadores da "meia lua", o do Departamento de Cochabamba, opositor ao governo de Evo Morales na Bolívia, se recusa a entregar o cargo, após referendo revogatório ocorrido neste domingo passado, em que foi destituído pela população. Ao contrário, Evo Morales recebeu votação maior do que teve quando se elegeu.

A disputa na Bolívia é a clássica luta de classes. A elite branca e racista boliviana não suporta seus conterrâneos; índios e mestiços. De uma Bolívia rica em recursos, que durante séculos ficou na mão de reacionários, quando este perdem a direção do país para um legítimo representante popular, tentam de todas as maneiras golpear um governo democrático e representativo, à uma Bolívia pobre e miserável que tenta resgatar sua sobernania e auto estima com um legítimo representante da maioria de seu povo.

Acompanhem abaixo mais informações sobre o referendo, que podem ser distorcidas pela mídia corporativa.



Pesquisas apontam que presidente obteve cerca de 60% dos votos nacionais no referendo deste domingo, índice superior aos 53,74% obtidos quando foi eleito em dezembro de 2005. Evo Morales diz que buscará aproximação com as autoridades regionais de oposição e com os movimentos sociais para a aprovação de uma nova Constituição para o país.




Referendo confirma Evo Morales no cargo de presidente

LA PAZ (ANSA) - O presidente boliviano, Evo Morales, e seu vice, Álvaro García Linera, tiveram seus mandatos confirmados, segundo as primeiras pesquisas de boca-de-urna divulgadas após o referendo deste domingo. As primeiras projeções não-oficiais coincidem em afirmar que cerca de 60% dos votos nacionais foram favoráveis ao presidente Evo Morales - mais do que os 53,74% obtidos quando foi eleito em dezembro de 2005, confirmando-o no cargo.

As votações aconteceram entre as 8h e as 16h (horário local) deste domingo e foram acompanhadas por 300 observadores internacionais e 4 mil locais. Os eleitores bolivianos responderam a duas perguntas. A primeira: "Você está de acordo com a continuidade do processo de mudanças guiado pelo presidente Evo Morales Ayma e por seu vice Álvaro García Linera?". E a outra: "Você está de acordo com a continuidade das políticas, as ações e a gestão do prefeito de seu Departamento?".

Antes da divulgação dos resultados, Morales disse que se continuasse no cargo buscaria o consenso com as autoridades regionais e com os movimentos cívicos e sociais para a aprovação da nova Constituição.

"Se me ratificam, convocarei todas as autoridades ratificadas ou as novas autoridades para buscar consensos junto aos movimentos sociais, sejam sindicais ou cívicos, para que o povo possa aprovar uma Constituição Política do Estado boliviano", declarou o presidente boliviano, segundo publicou a Agência Boliviana de Notícias.
O presidente também insistiu durante as votações que o referendo deve propiciar um momento de "grande reconciliação" entre os bolivianos. Por outro lado, o ex-presidente boliviano Eduardo Rodríguez Veltzé avaliou antecipadamente que referendo traria apenas "mudanças marginais" e seus resultados manteriam "a polarização".

"O referendo poderia ter sido um exercício mais produtivo em termos de submeter à consulta temas substanciais e de maior interesse nacional, como a recondução da Assembléia Constituinte ou um regime de autonomias. Para o Governo será um respiro que permitirá recomeçar suas gestões", afirmou o ex-presidente ao jornal chileno La Nación.

Segundo as pesquisas de boca-de-urna, os principais prefeitos (governadores) da oposição - Rubén Costas (Santa Cruz), Mario Cossío (Tarija), Ernesto Suárez (Beni) e Leopoldo Fernández (Pando) também asseguraram a permanência em seus cargos. As pesquisas mostram também que três governadores tiveram seus mandatos revogados neste domingo. Os governadores opositores dos departamentos de La Paz, José Luis Paredes, e de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, além do governista de Oruro, Alberto Aguilar, foram revogados no referendo, segundo as mesmas pesquisas.

Com informações da Agência ANSA.

Mais informações nos links abaixo;


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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O HOMEM QUE TIROU O BRASIL DAS TREVAS



O texto abaixo é do Azenha, jornalista consagrado que mantém um site na internet (Vi o Mundo) com um conteúdo bem interessante. Seus textos nos leva a refletir e as vezes denunciam o quanto somos vítimas de uma mídia comprometida com outros interesses que não seja a do povo brasileiro.
Boa leitura!

Por Luiz Carlos Azenha
O HOMEM QUE TIROU O BRASIL DAS TREVAS

Foram curiosos os últimos dias. A internet esteve movimentadíssima.
Vimos uma estratégia de defesa se converter, de repente, na defesa de uma causa: a causa da democracia.
Falo das repercussões da Operação Satiagraha.
Os advogados que servem ao banqueiro Daniel Dantas são sofisticados. O próprio já deu muitas demonstrações de sagacidade intelectual. Quando não fez isso diretamente "terceirizou" o discurso para gente bem preparada.
A história é mais ou menos a seguinte: era uma vez um banqueiro cujos únicos defeitos eram a ambição e a fortuna. E ele passou a ser perseguido por um governo. E o governo usou instrumentos de Estado para violar os direitos do banqueiro e, portanto, a própria democracia.
Esse governo, estatista e bisbilhoteiro, usou seus instrumentos de coerção para algemar e prender o banqueiro. Usou de artimanhas para preparar uma armadilha contra o empresário. Enfrentar esse governo, portanto, deixa de ser a tarefa de advogados criminalistas que defendem um acusado de bisbilhotar a vida alheia, de plantar informações e dossiês na mídia, de promover a corrupção política ou de facilitar a sonegação de impostos através de depósitos bancários no Exterior. Defender o banqueiro ganha ares de defesa da causa democrática.
Para que essa "tese" ganhe tração na sociedade é preciso contar com o apoio da mídia. Que não tem faltado. Os advogados do banqueiro - e de todos aqueles que foram acusados com ele - passaram a ser as principais fontes da verdade.



Eu me lembro de quando era repórter da TV Globo e houve uma discussão sobre "dar voz a bandido". Houve um período em que isso foi interpretado como "apologia ao crime" e vetado. Mas nunca valeu, é claro, para os criminosos de colarinho branco que pagam advogados milionários. Ainda mais quando esses acusados convivem com os donos da emissora de televisão.
Aliás, notem no discurso televisivo: acusados pobres, sem condenação definitiva, são chamados de "bandidos".
Hugo Chicaroni, acusado de subornar um delegado da PF, é "professor universitário".

Seqüestrar o discurso de uma causa justa não é novidade na História do Brasil.
E há muitos exemplos dessa tática.
Notem a declaração do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça, Waldemar Zveiter, reproduzida em "O Globo" e feita durante evento de militares da reserva, no Rio de Janeiro, a propósito da polêmica em torno da anistia para torturadores:
"- Vejam os senhores com que responsabilidade está atuando o governo ao tentar reabrir discussões e feridas absolutamente sem qualquer fundamentação jurídica, ética e muito menos moral. O que se pretende é uma imoralidade. Nós estamos num ano eleitoral, eles estão jogando para a platéia. Nós vamos tirar o senhor ministro da Justiça de lá. Ou ele sai pelo voto ou porque nós vamos para a praça pública e para a frente do Palácio do Planalto. Fora com os golpistas. Já tiveram um segundo mandato. Querem um terceiro e não vão levar."
Notem que ele fala em um "segundo mandato" como se tivesse sido uma concessão, não resultado de uma decisão limpa, da maioria, dentro de todas as normas vigentes.

O evento reuniu apoiadores de um regime que cassou, fechou o Congresso, prendeu, censurou a imprensa e governou por atos institucionais. No entanto, um apoiador desse regime de força não se identifica como golpista. "Golpistas" são os outros. Ele é "defensor da democracia".
É disso que estamos tratando aqui.
De doublespeak.
De gente que defende uma "certa democracia" como se fosse a democracia certa.
Por isso, ainda que o frenético ativismo recente do presidente do STF, Gilmar Mendes, tenha sido causado pela prisão do banqueiro, é preciso dar as boas vindas a todas as mudanças que aperfeiçoem a legislação.
Cobremos que os "bandidos" do Jornal Nacional só sejam chamados de bandidos quando tiverem a sentença definitiva. Antes disso são suspeitos, com direito a indenização se forem caluniados.
Cobremos que a polícia não algeme pobres desnecessariamente, que não torture para arrancar confissões, que as cadeias brasileiras não sejam depósitos de presos e que presos que já tenham cumprido pena não sejam mantidos apodrecendo nas prisões.
Cobremos uma apuração transparente e idônea dos crimes atribuídos ao banqueiro.
Coerção física é coisa do século 20.
Estamos na era da coerção intelectual.
Fiquem espertos, que com a ajuda da mídia o banqueiro acusado de formação de quadrilha vai reescrever a História contemporânea, se consagrando como o homem que tirou o Brasil das trevas.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Calando a boca


Já falamos aqui de colunistas reacionários como José Nêumanne Pinto e da colunista mercantil das Organizações Globo, travestida de jornalista/economista Mirian Leitão.


Até poderia dedicar um post inteiro para Diogo Mainardi, mas como o mesmo vive de polêmica, seguindo a cartilha de quem lhe compra, acho que não vale a pena eviodenciá-lo e nem perder tempo. Mas confesso; não resisti. Encontrei algo interessante no site Adital e resolvi reproduzir aqui o conceito de quem se vende, sendo porta voz da revista Veja, bem como para ficar reproduzindo o que nossa elite reacionária tem de tão evidente; o mal caráter.

Obs; o título do post se refere ao processo judicial que o jornalista Paulo Henrique move contra o mesmo. Mais detalhes nos links abaixo deste texto ou clicando no título do post.

Diogo Mainardi, o pitbull da Veja


Altamiro Borges *
Adital -


O presidente interino do PT e ex-coordenador da campanha presidencial de Lula, Marco Aurélio Garcia, deu a resposta que estava entalada na garganta de muitos brasileiros. Na semana passada, o "colunista" Diogo Mainardi, o pitbull da revista Veja, solicitou por e-mail uma entrevista exclusiva com o dirigente petista. "Eu gostaria de entrevistá-lo por cerca de quatro minutos para um podcast da Veja. O assunto é a imprensa. Eu me comprometo a não cortar a entrevista. Ela será apresentada integralmente", apelou.A resposta de Marco Aurélio foi direta: "Sr. Diogo Mainardi, há alguns anos - da data não me lembro - o senhor dedicou-me uma coluna com fortes críticas. Minha resposta não foi publicada pela Veja, mas sim, a sua resposta à minha resposta, que, aliás, foi republicada em um de seus livros. Desde então decidi não falar com a sua revista. Seu sintomático compromisso em não cortar minhas declarações não é confiável. Meu infinito apreço pela liberdade de imprensa não vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista".


Reacionário e preconceituoso convicto
Há tempos que as estripulias deste badalado jornalista da mídia hegemônica mereciam este tipo de reação. Expressão do que há de mais reacionário e preconceituoso na imprensa brasileira, este direitista convicto colecionou inúmeros adversários desde que deixou de escrever banalidades sobre cultura e passou a tratar de temas políticos na sua coluna semanal da revista Veja, na qual escreve desde 1999. Seus cinco livros - um deles sugestivamente batizado de "Contra o Brasil" - e dois filmes nunca tiveram maior repercussão, mas os seus comentários rancorosos na mídia excitaram a direita nativa. Mais recentemente, ele também substituiu outro renomado elitista, Arnaldo Jabor, no programa Manhattan Connection, da Rede Globo.


Provocador contumaz, ocupou estes espaços midiáticos regiamente pagos para satanizar o governo Lula - "sou um conspirador da elite, quero derrubar Lula, só não quero ter muito trabalho" (Veja, 13/08/05) - e tudo o que possua alguma conotação progressista. Não poupa o MST, o sindicalismo, os intelectuais e as lideranças de esquerda no país e no mundo. Apóia o genocídio dos EUA no Iraque e odeia Fidel Castro, Evo Morales e Hugo Chávez. Prepotente e egocêntrico, ele chegou se gabar de "quase ter derrubado o presidente Lula" e ficou furioso com os milhões de votos dados para a sua reeleição. A exemplo de outro ícone da "nova direita", Reinaldo Azevedo, faz questão de explicitar a sua aversão e nojo ao povo.


"Difamador travestido de jornalista"
No meio jornalístico, Mainardi é visto como um aventureiro, um troglodita, em busca de fama e dinheiro. Também é chamado de fascista por ter criado o seu "tribunal macartista mainardiano", no qual promove uma cruzada leviana contra vários profissionais da imprensa. "Minha maior diversão é tentar adivinhar a que corrente do lulismo pertence cada jornalista", explicou ao anunciar a estréia do seu "tribunal" na Veja em dezembro de 2005. "Tereza Cruvinel é lulista. Dessas que fazem campanha na rua. Outro dia mesmo ela foi vista em Brasília distribuindo santinhos do PT. Paulo Henrique Amorim pertence a uma outra raça de lulistas. Ele é da raça dos lulistas aloprados, dos lulistas bolivarianos. Ele acha que a primeira tarefa do lulismo é quebrar a Globo e a Veja", afirmou recentemente em sua coluna.


Esta atitude fascistóide já resultou em vários processos na Justiça de jornalistas como Mino Carta e Paulo Henrique Amorim. Mas também lhe rendeu dividendos entre os barões da mídia e a direita. No caso mais famoso e execrável, Mainardi precipitou a demissão do jornalista Franklin Martins da Rede Globo. Na guerra pública travada entre os dois, iniciada após a inclusão do segundo na lista "macartista" da Veja, a poderosa emissora preferiu ficar com o estrume da direita - uma opção de classe. Mas Franklin Martins não levou desaforo para casa. Desafiou publicamente "o difamador travestido de jornalista" a comprovar a "estapafúrdia história de que eu teria uma cota pessoal de nomeações no serviço público", publicada na revista Veja de abril de 2006. Vale a pena reproduzir alguns trechos deste documento:


"Não tem compromisso com a verdade"


"Se qualquer um dos 81 senadores ou senadoras vier a público e afirmar que o procurei pedindo apoio me sentirei sem condições de seguir em meu trabalho como comentarista político. Pendurarei as chuteiras e irei fazer outra coisa na vida. Em contrapartida, se nenhum senador ou senadora confirmar a invencionice do Sr. Mainardi, ele deverá admitir publicamente que foi leviano e, a partir daí, poupar os leitores da Veja da coluna que assina na revista. O Sr. Mainardi topa o desafio? Se não topar, o Sr. Mainardi estará apenas confessando que não tem compromisso com a verdade e deixando claro que não passa de um difamador".


"Nos últimos meses, semana sim, semana não, pelo menos duas dúzias [de jornalistas] foram vítimas de investidas absolutamente desrespeitosas, carregadas de insinuações capciosas contra as suas atividades e carreiras. Mas como ninguém deu pelota para os arreganhos do rapaz - nem os jornalistas, que simplesmente não o levam a sério, nem os leitores da Veja, que já se cansaram de ver um anão de jardim querendo passar-se por um gigante da crônica política -, o Sr. Mainardi decidiu aumentar o calibre de seus ataques. E partiu para a difamação pura e simples".


"Vivemos numa democracia, felizmente. Todos têm direito a defender suas idéias, mesmo os doidivanas, e a tornar públicas as suas posições, mesmo as equivocadas. Em compensação, todos estão obrigados a aceitar que elas sejam criticadas livremente. O Sr. Mainardi, por exemplo, tem a prerrogativa de dizer as bobagens que lhe dão na telha, mas não pode ficar chateado se aparecer alguém em seguida dizendo que ele não passa de um bobo. Pode pedir a deposição do presidente Lula, mas não pode ficar amuado se alguém, por isso, chamá-lo de golpista. Pode dizer que o povo brasileiro é moralmente frouxo, mas não pode se magoar depois se alguém classificá-lo apenas como um tolo enfatuado. Ou seja, o Sr. Mainardi pode falar o que quiser, mas não pode querer impedir que os outros falem".


"Cota social de tolices e o bobo da corte"
"Mais ainda: o Sr. Mainardi é responsável pelo que fala e escreve. Enquanto permaneceu no terreno das bobagens e das opiniões disparatadas, tudo bem. Faz parte da democracia conviver com uma cota social de tolices e, além disso, presta atenção no bobo da corte quem quer. Mas quando o bufão passa a atacar a honra alheia, substituindo as bobagens pela calúnia e as opiniões disparatadas pela difamação, seria um erro deixá-lo prosseguir na sua torpe empreitada. No Estado de Direito, existe um caminho para os que consideram que tiveram a honra atacada por um detrator: recorrer à Justiça. É o que farei nos próximos dias".


"Desde já, adianto que, se a Justiça fixar indenizações por dano moral, o dinheiro será doado à Federação Nacional dos Jornalistas e à Associação Brasileira de Imprensa. Não quero um centavo dessa causa. Não dou tanta importância a dinheiro como o Sr. Mainardi, que já definiu seu próprio perfil: ‘Hoje em dia, só dou opinião sobre algo mediante pagamento antecipado. Quando me mandam um e-mail, não respondo, porque me recuso a escrever de graça. Quando minha mulher pede uma opinião sobre uma roupa, fico quieto, à espera de uma moedinha’. Prefiro ficar com Cláudio Abramo: ‘O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter’. Mas, para tanto, o Sr. Mainardi está incapacitado. Não porque lhe seja escassa a inteligência; simplesmente falta-lhe caráter. A história da moedinha diz tudo".


"Mainardi envergonha os jornalistas"
O "macartismo mainardiano" já causou certa revolta no meio jornalístico - infelizmente, muito aquém do necessário. Um abaixo-assinado foi encaminhado à Central Globo de Jornalismo manifestando "o nosso protesto e preocupação com a demissão do jornalista e comentarista político Franklin Martins, um dos mais qualificados e respeitados profissionais do país. Acusado levianamente por um articulista, cuja missão ‘do momento’ parece ser unicamente agredir profissionais e intelectuais com relevantes serviços prestados ao aperfeiçoamento democrático do país, Martins não teve direito de resposta. Esperamos que a Justiça obrigue esse veículo a atender este preceito básico do jornalismo: ouvir o contraditório".


O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal também teve a honradez de acioná-lo na Justiça por sua defesa escancarada do assassinato de Hugo Chávez, feita durante o programa Manhattan Connection de setembro de 2005. "Se o pastor protestante dos EUA, Pat Robinson, quiser realmente matar o presidente Chávez, eu ajudo", bravateou. "Este deplorável episódio exige reflexões severas sobre o papel dos meios de comunicação e dos comunicadores sociais. Diogo Mainardi envergonha os jornalistas brasileiros com essa campanha homicida e revela a natureza intelectual, a estatura moral e o caráter de certa oposição aos dirigentes que empreendem transformações sociais no continente", explicou a nota do sindicato.


A postura leviana de Diogo Mainardi gerou críticas até de Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, que costuma fazer o papel de advogado de defesa da mídia venal. Em texto recente, ele foi duro na crítica: "Diogo Mainardi é, na feliz expressão de Luís Nassif, um parajornalista. Um dos muitos revelados nestes meses de crise. Ouviram falar de Carlos Lacerda e imaginaram que basta indignação e nenhum senso de responsabilidade para ganhar o respeito dos leitores. Seus colegas na direção da Veja ofereceram-lhe um isca e ele, faminto de reconhecimento, a abocanhou com voracidade. Quanto mais se entrega ao delírio mais se enreda na armadilha. Há poucos meses puxava o cordão dos que mais recebia mensagens; agora nem aparece no esfarrapado Oscar semanal. O leitor da Veja já não agüenta tanta fanfarronada".


* Jornalista, editor da revista


Mais links interessantes;


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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A nacionalização do Banco de Venezuela



por Alan Woods - tradução do artigo publicado em http://www.marxist.com/1º de agosto de 2008

No dia 31 de julho em um programa de televisão transmitido para todo o país, o presidente Chávez anunciou a nacionalização do Banco de Venezuela, banco venezuelano propriedade da multinacional bancária espanhola Grupo Santander. “Vamos nacionalizar o Banco de Venezuela. Faço um chamado aos senhores donos para que venham e comecemos a negociar”.

E acrescentou: “Há alguns meses nos interamos, graças a fontes de inteligência, de que os proprietários espanhóis iriam vender o banco, que esteve privatizado durante anos; que existia um acordo assinado entre o Grupo Santander e um banco privado venezuelano, o banqueiro venezuelano precisava da permissão do governo para comprar o banco, não se trata de operação pequena (...), então enviei uma mensagem ao banqueiro espanhol e ao venezuelano, para dizer-lhes que o governo queria comprar o banco, queremos recuperá-lo. Então um dos proprietários disse: ‘não, não queremos vendê-lo! ’. Então eu disse: ‘Não, comprá-lo-ei, quanto custa? Vamos pagar por ele e vamos nacionalizar o Banco de Venezuela’”. O presidente continuou: “A partir desse momento começará a campanha dos meios de comunicação espanhóis e internacionais. Dirão que Chávez é um autocrata, que Chávez é um tirano, não me importa, apesar de tudo, vamos nacionalizar o banco”. “Os cães ladram, mas a caravana passa”, disse, citando o Dom Quixote.

“Existe algo de obscuro nisso tudo, seus donos estavam, a princípio, desesperados para vender o Banco de Venezuela, inclusive tentaram me pressionar. Agora, de repente, não querem vendê-lo. Mas agora estou interessado em comprá-lo e vamos nacionalizar o Banco de Venezuela para colocá-lo a serviço do povo venezuelano”. Acrescentou que o banco controla milhões de bolívares que pertencem ao “povo venezuelano e também ao governo venezuelano”.

“Necessitamos de um banco deste tamanho. Porque este é o Banco de Venezuela, este banco gera grandes lucros, mas estes se vão para o exterior”.

Chávez também assegurou que os depósitos dos poupadores estão garantidos assim como os empregos dos trabalhadores, cujas condições melhorarão “como aconteceu com a nacionalização de Sidor”.

Chávez agradeceu aos administradores privados do banco por tê-lo convertido em uma instituição muito eficiente, mas acrescentou que o banco deixará de ser um banco capitalista para tornar-se um banco socialista: “o lucro não será de um grupo, e sim será investido no desenvolvimento social-socialista. O socialismo, cada dia com mais força!”.

Super lucros
O Banco de Venezuela é um dos bancos mais importantes da Venezuela, detém 12% do mercado de empréstimos e obteve um lucro de 170 milhões de dólares no primeiro semestre de 2008, 29% maior em relação ao mesmo período de 2007, e depois dos lucros já terem aumentado cerca de 20%. Possui 285 agências e três milhões de clientes.

O Banco de Venezuela foi nacionalizado em 1994 depois de uma generalizada crise bancária que provocou a quebra de 60% do setor bancário, só para ser privatizado em 1996 e comprado pela multinacional bancária Grupo Santander por apenas 300 milhões de dólares. Em apenas nove meses, o Grupo Santander recuperou seu investimento inicial. Os ativos do banco estão calculados, hoje, em cerca de 891 milhões de dólares. Em 2007, apenas, obteve um lucro de 325,3 milhões de dólares, mais do que aquilo que haviam pagado pelo banco em 1996.

Este não é o único exemplo de negócios escandalosos por parte dos banqueiros espanhóis na Venezuela. O Estado venezuelano também adquiriu o Banco Provincial em 1994 e depois o vendeu em 1996 à multinacional bancária espanhola Grupo BBVA. Como resultado destas operações, o setor bancário venezuelano está dominado por quatro grupos: duas multinacionais espanholas, BBVA e Santander, e dois bancos venezuelanos, Mercantil e Banesco. Hoje, o espanhol Grupo Santander é o maior banco da América Latina com 4.500 agências; um terço dos lucros do Grupo Santander, em 2007, foram oriundos da América Latina. Este é só um exemplo de como as multinacionais estrangeiras saqueiam os recursos do continente.

Hipocrisia
Este é um excelente exemplo da hipocrisia dos defensores das grandes empresas. Como estes cavalheiros podem falar da suposta eficiência dos banqueiros privados, quando todo mundo sabe que os grandes bancos, nos EUA e em outros países, há décadas estão implicados em uma generalizada e criminosa especulação, que levou ao colapso um grande banco após o outro nos últimos doze meses, ameaçando colapsar o sistema financeiro mundial?

Não faz muito tempo o Federal Reserve (o banco central americano) de Nova Iorque teve que ceder 29 bilhões de dólares à Bear Stearns Companies Inc., um importante banco de investimento estadunidense, para assim facilitar sua compra por parte de outro grande banco, JP Morgan Chase & Co. Este é um exemplo da “eficiência” dos banqueiros privados, que obtiveram lucros fabulosos durante anos de especulação criminosa no mercado imobiliário norte-americano, e que agora pedem a ajuda do Estado para que lhes dê bilhões de dólares do dinheiro dos contribuintes. Ao invés de mandá-los para cadeia por seus crimes, que só no mês de maio provocou o despejo de 77.000 famílias estadunidense, estes ricos parasitas são generosamente recompensados por seus amigos da Casa Branca e de Wall Street.

Quando o presidente Chávez anuncia a nacionalização de um banco é acusado de cometer um crime contra a propriedade privada. Mas os governos burgueses de EUA e Europa têm nacionalizados bancos também. O Federal Reserve, depois de ter enviado quantidades absurdas de dinheiro aos bolsos dos banqueiros, como no caso de Bear Stearns, agora nacionalizou dois gigantes das hipotecas, Fannie Mae e Freddie Mac, às custas do dinheiro dos contribuintes norte-americanos, cedendo outros 25 bilhões de dólares. George Bush e sua administração não têm dinheiro para a saúde nem para a previdência, mas têm muito dinheiro para encher a burra de seus amigos ricos. Nas palavras do famoso escritor estadunidense Gore Vidal, é um exemplo de “socialismo para o rico e livre empresa para o pobre”.

O que nos diz este exemplo sobre a “eficiência” dos banqueiros privados nos EUA? Fannie Mae e Freddie Mac, que são responsáveis por 50% de todas as hipotecas dos EUA, emitiram cinco trilhões de dólares em dívidas e títulos hipotecários. Deste total, mais de três trilhões estão em poder de instituições financeiras norte-americanas e mais de 1,5 trilhões de dólares estão nas mãos de instituições estrangeiras. A aplicação massiva desses recursos em especulação e fraudes representa uma séria ameaça para a estabilidade da economia global. Por isso as autoridades americanas tiveram, na prática, que nacionalizá-las. Porém, ninguém pôs estas operações em dúvida.

Observamos exatamente a mesma coisa ano passado em Grã-Bretanha, onde o quinto maior banco, Nothern Rock, foi nacionalizado pelo governo para impedir seu colapso. Estes banqueiros privados eram tão eficientes que causaram a primeira crise de um banco britânico em mais de 150 anos, formou-se longas filas de poupadores preocupados, que, literalmente, dormiram na fila do banco para retirar seu dinheiro. A nacionalização de Northern Rock custou aos contribuintes britânicos 20 bilhões de libras (40 bilhões de dólares). Ao mesmo tempo, o primeiro ministro Gordon Brown diz aos trabalhadores britânicos que não há dinheiro para aumentos salariais e que todos devem fazer sacrifícios, todos... exceto os banqueiros privados!

Quanto mais se come, maior o apetite
Os trabalhadores venezuelanos e de todo o mundo darão as boas vindas à nacionalização do Banco de Venezuela. Compreenderão que os ataques e calúnias lançados contra Hugo Chávez estão ditados pela hipocrisia, mesquinharia e ódio à revolução venezuelana. Os banqueiros espanhóis, que saquearam e saqueiam vergonhosamente a Venezuela, estavam dispostos a vender o Banco de Venezuela a um banqueiro privado venezuelano, ou seja, um companheiro de crime, mas não estavam dispostos a permitir que o banco viesse a ser recuperado pelo Estado e utilizado para os interesses do povo venezuelano.

Para os marxistas, a questão da compensação por si só não é uma questão de princípios. Há tempos Marx defendeu a compensação aos capitalistas britânicos como uma maneira de minimizar sua resistência a nacionalização, Trotsky contemplou uma possibilidade similar com relação aos EUA. Contudo, a idéia dos reformistas de que a propriedade dos capitalistas deve ser comprada a preços de mercado é totalmente falsa e impossível na prática. Nossa política deve ser: uma compensação mínima somente em caso de necessidade comprovada. Em outras palavras, consideraríamos a compensação para os pequenos acionistas de classe média, pensionistas, etc., mas, de modo algum, enormes somas de dinheiro para os super-ricos que já obtiveram grandes fortunas oriundas do saque a países como Venezuela. O Grupo Santander comprou o Banco de Venezuela pelo preço ridiculamente baixo de 300 milhões de dólares. Esta soma de dinheiro foi recuperada com sobras, não há nenhuma justificativa para pagar a estes um bolívar sequer.

Não obstante, a questão real aqui não é o tamanho da compensação. É o fato de um grande banco ser retirado de mãos privadas. O que realmente temem os capitalistas e os imperialistas é que a tendência da revolução venezuelana a realizar ofensivas contra a propriedade privada torne-se irresistível. A crise do capitalismo significa que um número cada vez maior de bancos e outras empresas privadas entrarão em crise e fecharão nos próximos meses, provocando um profundo aumento do desemprego. Na Venezuela o investimento privado caiu demasiadamente. A economia venezuelana só se mantém graças à inversão do Estado e ao setor público. Isto representa uma ameaça séria para a revolução e pode ter resultados adversos nas eleições de novembro, especialmente se nos atemos ao aumento da inflação.

O argumento de reformistas e estalinistas de que a revolução deve formar uma “aliança estratégica com a burguesia nacional” é uma estupidez perigosa. Todo mundo sabe que a burguesia é o inimigo da revolução e do socialismo. Não é possível formar uma “aliança estratégica” com a burguesia nacional progressista porque ela não existe. Os reformistas e estalinistas gostariam de criar uma burguesia nacional com dinheiro público. Que lógica há nesta proposta absurda? E ainda a apresentam como suposto realismo. Ao invés de mandar dinheiro para os capitalistas privados que o enviariam imediatamente a contas bancárias em Miami, o Estado deveria tomar em suas mãos as forças produtivas e utilizar seus recursos para criar uma economia planificada verdadeiramente socialista. A condição prévia é que as forças produtivas deveriam estar nas mãos do Estado e o Estado deveria estar nas mãos da classe trabalhadora.

Apesar de todas as exortações, os capitalistas não investirão na Venezuela. A única maneira de avançar é a nacionalização. A expropriação de Sidor no início deste ano foi o resultado do movimento dos trabalhadores a partir de baixo. A ameaça de fechamentos de fábricas nos próximos meses, sem dúvida, levará a uma nova onda de ocupações de fábricas e exigências de nacionalizações. A nacionalização do Banco de Venezuela dará um novo impulso à reivindicação dos trabalhadores de expropriação e controle operário. Quanto mais se come, maior o apetite! Por isso os proprietários do Banco Santander querem, a qualquer custo, evitar que sua propriedade passe as mãos do Estado, mesmo tendo o presidente se oferecido a pagar por ele.

No programa de televisão onde o presidente Chávez anunciou a nacionalização do Banco de Venezuela, mencionou Marx e Engels, fez referência à importância da redução da jornada de trabalho, e também analisou a crise mundial do capitalismo. Disse que somente com o socialismo as sociedades podem conseguir sua emancipação. Isso é absolutamente certo. Mas o socialismo só é possível quando a classe trabalhadora toma o poder em suas mãos, expropria os banqueiros, latifundiários e capitalistas, quando começa a administrar a sociedade em linhas socialistas.

A revolução venezuelana começou a tomar medidas contra a propriedade privada. Os marxistas darão as boas-vindas a cada passo em direção a nacionalização. Ao mesmo tempo, chamamos a atenção: as nacionalizações parciais não são suficientes para resolver os problemas fundamentais da economia venezuelana. A nacionalização de todo o setor bancário e financeiro é uma condição necessária para o estabelecimento de uma economia socialista planificada, junto com a nacionalização da terra e de todas as grandes empresas privadas, sob o controle e gestão dos trabalhadores. Isto nos permitirá mobilizar todos os recursos produtivos da Venezuela para resolver os problemas mais urgentes da população.

Portanto, saudamos a nacionalização do Banco de Venezuela como um passo adiante. Mas o objetivo principal ainda não foi alcançado: a eliminação do poder econômico da oligarquia e o estabelecimento de um verdadeiro estado operário socialista. A batalha continua.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Financiamento público eleitoral, adote esta idéia


A corrida eleitoral já começou. Não importa o lugar do Brasil, é "santinho", carro de som, muro pintado e cabos eleitorais afinados com o discurso do candidato. Não bastasse isso, devido a conveniência de quase todos, letrinhas de partidos que antes não se bicavam, agoram andam de braços dados. Grandes inimigos já alguns anos, PSDB e PT em diversos lugares se enamoram. Talvez pq o objetivo fale mais alto, mesmo que o discurso e a prática não sejam o mesmo. Ou é?!
O mais interessante dessa história é que as eleições municipais é um preâmbulo das eleições nacionais daqui há dois anos. Se o PT conseguir atingir seus objetivos e eleger as mais de 80 cidades, que acreditam ser importantes, sua direção acredita que o presidente Lula irá fazer seu sucessor. Estarão conquistando as bases para a pavimentação até o planalto novamente. Se não o fizer, seu principal adversário (PSDB) poderá chegar com força total. Contando também com o apoio tradicional da mídia corporativa. Que quando não está ocupada em impingir toda desgraça ao atual governo, se preocupa em esconder o rabinho de elefantes dos tucanos em diversas paragens.


O processo eleitoral brasileiro não me parece tão democrático assim. Como dizem alguns amigos marxistas, a democracia burguesa é uma espécie do "reino do faz de conta". Os candidatos remaqueiam os discursos manjados (corrupção, moralismo, hora de renovar, etc.) Mas se embrenham a procurar financiamento para suas candidaturas, justamente com quem sempre tirou proveito desse sistema. Os capitalistas. De empresários a latifundiários. Todos tem a seu dispor, da esquerda moderada aos direitistas tradicionais.
Com o pires nas mãos, rodeiam os corruptores a procura de recursos financeiros. No final, o discurso e a defesa de um sistema democrático, onde se busca mais isenção do homem público frente aos seus deveres perante a sociedade, são completamente esquecidos. Principalmente quando procurados pelos seus financiadores querendo, obviamente, sua parte no cunhão.


O financiamento público de campanhas eleitorais iria diminuir consideravelmente essa promíscuidade entre o candidato e seus finaciadores. Primeiro pq estes financiadores estariam proibidos de financiá-los. Segundo, devido a natureza dos recursos, não só a sociedade, mas os próprios adversários estariam se fiscalizando mutuamente. Tentando garantir que ninguém mais utilize aquilo que lhes foi deixado disponível para usar durante a campanha.
Acompanhem um pouco mais sobre este assunto nos links abaixo.


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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sinal de alerta nas contas externas, por Altamiro Borges


Segue abaixo o artigo de Altamiro Borges, que aborda um assunto preocupante a respeito do aumento de nossa vulnerabilidade econômica. Segundo ele, isso decorre devido a ação das empresas multinacionais que fazem o envio de recursos obtidos aqui.

Sem um controle eficaz, dos recursos obtidos aqui, o país seguirá enfrentando este dilema capitalista; proteger sua economia ou destruí-la, se adequando ao liberalismo econômico.




Sinal de alerta nas contas externas



Principal responsável pela péssima notícia, o Banco Central anunciou nesta semana que as contas externas do Brasil tiveram um déficit de US$ 17,402 bilhões no primeiro semestre do ano, o pior desempenho já registrado no período. O resultado negativo se refere às transações correntes, que incluem todas as negociações de bens e serviços com outros países. A acelerada deterioração das contas externas decorreu, principalmente, da remessa de lucros e dividendos ao exterior, o que evidencia o aumento da vulnerabilidade do país e o risco de novas freadas na economia nacional.

Sugando as nossas riquezas, as multinacionais enviaram às suas matrizes US$ 18,99 bilhões em lucros, um crescimento de 94% em relação ao mesmo período do ano passado. Montadoras de veículos e bancos responderam por quase 52% do total das remessas. Até os economistas mais ortodoxos, adoradores do deus-mercado, ficaram surpresos com a velocidade do crescimento do déficit. Afinal, no primeiro semestre de 2007, o saldo das contas externas foi positivo em US$ 2,4 bilhões. Num curto espaço de tempo, o festejado superávit derreteu. Para piorar ainda mais este quadro, todos os indicadores apontam que esta sangria vai crescer nos próximos meses.


Multinacionais sangram o país
Segundo pesquisa de Valdo Albuquerque, do jornal Hora do Povo, a ausência de controle sobre a remessa de lucros das multinacionais tem penalizado duramente o país, sendo o principal fator de aumento do déficit. Nos últimos cinco anos, em pleno governo Lula, os dólares enviados ao exterior quintuplicaram: US$ 5,7 bilhões em 2003; US$ 7,3 bilhões em 2004; US$ 12,7 bilhões em 2005; US$ 16,4 bilhões em 2006; US$ 22,4 bilhões em 2007. “Agora, em apenas seis meses, as remessas de lucro se aproximam do que foi enviado durante todo o ano passado. O BC estima, conservadoramente, como sempre, que até o final do ano elas atinjam US$ 29 bilhões”.

Enquanto as remessas de lucros quintuplicaram, os badalados investimentos estrangeiros diretos (IED) – via privatização das estatais, desnacionalização das empresas nacionais e instalação das multinacionais –, apenas triplicaram e estão se retraindo no último período. Em 2003, entraram US$ 10,1 bilhões; no ano passado, foram US$ 34,6 bilhões. “Somente para frisar: enquanto as remessas de lucro quintuplicaram, as entradas de investimento direito estrangeiro foram apenas pouco mais do que o triplo”, aponta o atento jornalista. Para ele, isto somente comprova que está em curso uma criminosa sangria das riquezas nacionais e do esforço produtivo dos trabalhadores.
“Nunca houve nação alguma do mundo em que o desenvolvimento nacional se fizesse com base no capital estrangeiro. Ele pode dar alguma contribuição – desde que esteja submetido a limites que, inclusive, disciplinem a remessa de lucros ao exterior, ou seja, desde que esteja legalmente subordinado ao interesse nacional do desenvolvimento. Mas jamais ele pode ser a base desse desenvolvimento. Até porque, se fosse a base da economia, acabaria fazendo as leis, dominando o parlamento e o governo – para não falar da mídia – em interesse próprio, que não é o de desenvolver o país no qual se instala, mas enviar lucros para a sede. Em suma, remeter recursos da filial para a matriz. Para isso servem as filiais – e por isso têm esse nome”, conclui o autor.

Aumento da espoliação imperialista
No mesmo diapasão, Umberto Martins, assessor da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), alerta que esta sangria tem efeitos altamente destrutivos. “A riqueza enviada pelas multinacionais ao exterior é extraída do trabalho excedente (que Marx chamava de mais-valia) produzido pelos trabalhadores. É uma parte expressiva da poupança nacional que deixa de ser canalizada para os investimentos internos ao ser transferida para outras plagas. As remessas do capital estrangeiro constituem, por isto, sério obstáculo ao crescimento da economia. A análise crítica do balanço de pagamentos revela uma espoliação silenciosa e invisível da poupança ou do excedente do trabalho. Transparece nas estatísticas do BC o aumento da espoliação imperialista”.

Apesar da gravidade do problema, o BC insiste em manter o tripé neoliberal que ameaça o frágil crescimento da economia nativa – política monetária recessiva dos juros recordes; política fiscal contracionista do superávit primário; e libertinagem financeira e cambial. Além disso, o governo mantém a atitude complacente diante da gula das multinacionais. Caso não encare com coragem tais gargalos, o governo Lula poderá ser responsável por um novo “vôo de galinha” da economia, com a retração do crescimento e duros apertos aos trabalhadores. E isto às vésperas da sucessão presidencial, o que deverá ser motivo de alegria para tucanos, demos e seus patrões no exterior.

Altamiro Borges
São Paulo, São Paulo, Brazil
Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil, autor do livro “Sindicalismo, resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi)