quarta-feira, 26 de maio de 2010

Radialistas de SP se mobilizam em sua Campanha Salarial


"Os patrões estão irredutíveis". Essa frase parece conhecida. E é. Usada como um jargão ou clichê na luta de classes, pelas várias entidades representativas dos trabalhadores, tem se tornado tão comum que não chama mais a atenção. Mas representa o momento em que algumas categorias estão quando entram em suas datas bases e iniciam as negociações para conquistar reajustes, aumento de salários e melhores condições de trabalho. Seria uma coisa tão simples, não fôsse o que muitos chamam de refluxo sindical. Pouca sindicalizados e trabalhadores desmotivados em defender seus interesses. Alguns afirmam que é um momento passageiro. Outros relatam que faz parte da luta. Um fenômeno perigoso, pois deixa os trabalhadores esperando as coisas caírem do céu.

Como sabemos, nada nos foi dado de graça. A carteira de trabalho, com carga horária estipulada, foi fruto de intensa luta dos trabalhadores organizados pelos sindicatos no Estado de SP, no início do Século XX. Graças a essa organização e estas conquistas, foi um referencial para que Getúlio Vargas constitucionalizasse a CLT. Mas para chegarmos até isso, muitos trabalhadores foram espancados, mortos, desempregados e por que não, famílias inteiras desestruturadas economicamente e socialmente.

Como alguns sabem, trabalho no Sindicato dos Radialistas do Estado de SP. Uma entidade de classe combativa que defende os interesses dos trabalhadores que exercem suas atividades profissionais em empresas de Rádio, TV e produtoras de programas de TV e rádio. De jingles e comerciais de áudio e vídeo. E estamos justamente no período da data base dos radialistas. Depois de anos a fio, tentando negociar aumento real de salário e só conseguirmos garantir a reposição da inflação e mais uma esmola, na qual denomiram como "abono" salarial, este ano os patrões de rádio e tv vieram com uma novidade; estão chamando o abono salarial de "Participação nos Resultados (PR). A iniciativa é uma tentativa de burlar a legislação e fugir dos encargos trabalhistas. Mas eles não nos reservaram apenas essa surpresa. Se fôsse apenas a mudança do nome do "benefício", estaria bom. Mas acontece que a proposta apresentada é menor do que os abonos oferecidos no ano passado. O reajuste de salário menor do que a inflação e justamente num setor que tem crescido muito economicamente, devido ao crescimento econômico do país e a expansão dos negócios de diversos setores da economia.

Não ficarmos atento a isso é como abrir mão, de vez, de lutarmos efetivamente por aquilo que nos pertence. Não basta produzirmos a riqueza dos patrões e entregar a eles de mão beijada, agora não podemos desconsiderar que é muita petulância dos patrões em vir oferecer esmola como se estivessem nos fazendo um favor.

O discurso tem se radicalizado e os trabalhadores, em algumas empresas, tem se mostrado a favor de iniciarmos um movimento de enfrentamento dessa intransigência desavergonhada do patronal de Rádio e TV no Estado de São Paulo. Tudo caminha para iniciarmos uma greve em uma das emissoras no Estado de SP e que pode ter o "efeito pipoca"; começa com uma e vai se espalhando por outras no Estado. Alertamos aos trabalhadores para participar das assembléias convocadas pelo sindicato nas regionais do Estado e em sua sede na cidade de São Paulo e também quando houver a assembléia Estadual. É neste campo, em nossa casa, que podemos discutir as estratégias que podem garantir não só o aumento que nos é direito, mas a reconquista de nossa dignidade ao nos organizamos como trabalhadores conscientes da riqueza que produzimos e que nos é expropriada.

Saiba mais acessando o site do sindicato no link abaixo;

Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo

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