sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Os patrões querem intervir no Sindicato dos Sapateiros de Franca





Com informações do site do PCO


Em Franca, interior de São Paulo, maior pólo industrial do setor de calçados com mais de 20 mil trabalhadores na base, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados  está sofrendo um processo de intervenção.


No dia 31 de dezembro de 1994, um elemento chamado Fábio Cândido, que já havia sido presidente do sindicato, fundou outro sindicato, passando por cima do atual. O processo se estendeu desde então, porém há cerca de dois anos, a disputa ficou mais evidente.

O falso-sindicato fundado pelo pelego, ex-sindicalista, começou a ganhar incentivos dos patrões.



Em entrevista nesta edição de Causa Operária, Sebastião Ronaldo, presidente do sindicato dos trabalhadores, afirma que “até a mensalidade dos trabalhadores associados do nosso sindicato as empresas já não estão descontando mais”. Os patrões estão fazendo abertamente a propaganda do falso-sindicato, no site do sindicato patronal é dada a notícia da “disputa entre sindicatos”, na qual se afirma logo na primeira frase: “os cerca de 20 mil sapateiros de Franca podem ganhar um novo líder”.

O Ministério do Trabalho e Emprego publicou no Diário Oficial, em 21 de julho, a liberação da carta sindical para o falso-sindicato. A liberação é uma manobra da força sindical, que domina o ministério, junto com os empresários da cidade.

Não é à toa que os ataques dos patrões aumentaram de intensidade nos últimos dois anos. A necessidade dos industriais da cidade em atacar a organização sindical dos trabalhadores vem junto com a necessidade de atacar os trabalhadores também economicamente.

Para poder colocar em prática medidas para aumentar a exploração dos trabalhadores, os patrões estão buscando destruir o sindicato, que já existe há 70 anos. Segundo Sebastião Ronaldo “a medida que os empresários têm mais vontade de implantar, nos últimos anos, na categoria, é o Banco de Horas”.

A intervenção é uma maneira dos patrões de controlarem a organização dos trabalhadores, para facilitar a exploração e o abuso nas fábricas e setores de trabalho. No momento em que a crise econômica atinge em cheio os capitalistas, os patrões precisam exercer uma ditadura nos sindicatos para impedir que a luta dos trabalhadores resulte em menores lucros para as empresas.


É necessária a organização de um comitê nacional que reúna os sindicatos de todas as categorias para denunciar e lutar contra as tentativas dos patrões de intervir na organização dos trabalhadores. A defesa da autonomia dos sindicatos em relação aos patrões e ao Estado capitalista deve ser um princípio da luta dos trabalhadores, os únicos que devem decidir sobre os rumos de sua organização.





Obs. Neste sábado (11), um grande ato, junto à categoria, estará sendo realizado por diversas entidades de classe comprometidas com um sindicato legítimo e que de fato represente os interesses da categoria. Estaremos presentes nesta luta, em solidariedade de classe.

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