domingo, 24 de outubro de 2010

Pra virar o jogo, Serra terá de fazer mais do mesmo; apostar nas sombras.



Acredito que devo dar a impressão que tirei umas férias e estou completamente ausente nessa disputa que acontece através da mídia digital. Não é verdade. A falta de postagem, aqui no Pimentus,  se deve por conta de compromissos profissionais. Passei a semana inteira viajando atrás dos votos na eleição do Sindicato dos Radialistas de SP. Que diga-se de passagem renovou a direção com chapa única, mas com expressiva participação da categoria. Na semana anterior, provas e trabalhos a serem apresentados na faculdade, no curso de jornalismo que estou fazendo, contribuíram para falta de novas postagens por aqui. Mas independente desses compromissos,  nossa mídia golpista não pára.

É com muito desgosto que acompanho o que se tem produzido para favorecer o candidato das elites que é o candidato do PSDB, José Serra. A mídia digital tem ocupado seu espaço em apenas reproduzir o que a mídia televisiva e a impressa vem fazendo; criar factóides para outros veículos terem pautas para repercutir nos dias subsequentes. Em termos de disputa eleitoral, através da telinha e internet, podemos constatar que quase é uma luta inglória para o PT e aliados,pois não só tem de responder as mentiras, veiculadas no horário eleitoral pelo adversário, mas dar uma resposta aos brasileiros pelos factóides criados e remexidos pelo jornalismo esgoto praticado pelos meios de comunicação aqui no Brasil.

A mídia impressa, televisiva e radiofônica faz o seu trabalho; blindam o candidato do PSDB e maculam a candidatura de Dilma e do PT. Para comprovar isso, basta ver todas as capas de jornais e revistas que nos são servidas como produto "da verdade". A estória do bolinho de papel atirado na careca do candidato Serra virou até sarcasmo na internet. Mas para quem está fazendo Jornalismo, como eu, interessante são as informações colhidas pelo jornalista Rodrigo Vianna, que mantém contatos em diversos meios de comunicação e que tem um blog onde coloca essas informações, com exclusividade. Abaixo um destes posts, que certamente fará não só os estudantes de jornalismo, mas também vc leitor, que caiu aqui por acidente, possa fazer uma analogia do tipo de jornalismo na qual estamos sendo vítimas. São informações reveladoras do que acontece nos bastidores de quem em vez de produzir matérias jornalísticas, amparada na ética e na verdade, joga no lixo o objetivo principal de um veículo de comunicação, que é relatar o fato, sem fazer distorções. Acompanhem abaixo;



O dia em que até a Globo vaiou Ali Kamel

publicada sexta-feira, 22/10/2010 às 17:58 e atualizada sábado, 23/10/2010 às 19:43

O chefe conduz a equipe para a vergonha
Passava das 9 da noite dessa quinta-feira e, como acontece quando o “Jornal Nacional” traz matérias importantes sobre temas políticos, a redação da Globo em São Paulo parou para acompanhar nos monitores a “reportagem” sobre o episódio das “bolinhas” na cabeça de Serra.
A imensa maioria dos jornalistas da Globo-SP (como costuma acontecer em episódios assim) não tinha a menor idéia sobre o teor da reportagem, que tinha sido editada no Rio, com um único objetivo: mostrar que Serra fora, sim, agredido de forma violenta por um grupo de “petistas furiosos” no bairro carioca de Campo Grande.
Na quarta-feira, Globo e Serra tinham sido lançados ao ridículo, porque falaram numa agressão séria – enquanto Record e SBT mostraram que o tucano fora atingido por uma singela bolinha de papel. Aqui, no blog do Azenha. você compara as reportagens das três emissora na quarta-feira. No twitter, Serra virou “Rojas”. Além de Record e SBT, Globo e  Serra tiveram o incômodo de ver o presidente Lula dizer que Serra agira feito o Rojas (goleiro chileno que simulou ferimento durante um jogo no Maracanã).
Ali Kamel não podia levar esse desaforo pra casa. Por isso, na quinta-feira, preparou um “VT especial” – um exemplar típico do jornalismo kameliano. Sete minutos no ar, para “provar” que a bolinha de papel era só parte da história. Teria havido outra “agressão”. Faltou só localizar o Lee Osvald de Campo Grande. O “JN” contorceu-se, estrebuchou para provar a tese de Kamel e Serra. Os editores fizeram todo o possível para cumprir a demanda kameliana. mas o telespectador seguiu sem ver claramente o “outro objeto” que teria atingido o tucano. Serra pode até ter sido atingido 2, 3, 4, 50 vezes. Só que a imagem da Globo de Kamel não permite tirar essa conclusão.
Aliás, vários internautas (como Marcelo Zelic, em ótimo vídeo postado aqui no Escrevinhador) mostraram que a sequência de imagens – quadro a quadro – não evidencia a trajetória do “objeto” rumo à careca lustrosa de Serra.
Mas Ali Kamel precisava comprovar sua tese. E foi buscar um velho conhecido (dele), o peritoRicardo Molina.
Quando o perito apresentou sua “tese” no ar, a imensa redação da Globo de São Paulo – que acompanhava a “reportagem” em silêncio – desmanchou-se num enorme uhhhhhhhhhhh! Mistura de vaia e suspiro coletivo de incredulidade.
Boas fontes – que mantenho na Globo – contam-me que o constrangimento foi tão grande que um dos chefes de redação da sucursal paulista preferiu fechar a persiana do “aquário” (aquelas salas envidraçadas típicas de grandes corporações) de onde acompanhou a reação dos jornalistas. O chefe preferiu não ver.
A vaia dos jornalistas, contam-me, não vinha só de eleitores da Dilma. Há muita gente que vota em Serra na Globo, mas que sentiu vergonha diante do contorcionismo do  “JN”, a serviço de Serra e de Kamel.
Terminado o telejornal, os editores do “JN” em São Paulo recolheram suas coisas, e abandonaram a redação em silêncio – cabisbaixos alguns deles.
Sexta pela manhã, a operação kameliana ainda causava estragos na Globo de São Paulo. Uma jornalista com muitos anos na casa dizia aos colegas: “sinto vergonha de ser jornalista, sinto vergonha de trabalhar aqui”.
Serra e Kamel não sentiram vergonha.

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