quinta-feira, 17 de julho de 2008

Alimentos, petróleo e inflação´; onde está a verdade.

Com tantas informações alarmantes sobre a volta da inflação, com o aumento de custos da produção, com a alta do petróleo e de alimentos, acabamos não compreendendo, corretamente, o que de fato vem ocorrendo. Lendo o site da revista Carta Capital, encontrei uma matéria em que, resumidamente, nos explica o que está acontecendo em partes, já que nossa grande mídia corporativa tem muito mais interesse em desinformar, ainda mais nesse período de eleições, do que realmente informar. Para estar vacinado contra os argumentos falaciosos de diversos colunistas de plantão, leiam o texto abaixo e fique por dentro. Nos links posteriores outras opiniões que contribuirão para uma salutar reflexão.



A inflação é a mesma


Estamos diante de uma inflação planetária, gerada principalmente por um desequilíbrio físico entre a oferta e a procura em três setores: alimentos, energia e metais. O aumento da demanda foi produzido por uma aceleração do crescimento econômico e suas conseqüências estruturais nos países emergentes. Um exemplo paradigmático disso é o da China e da Índia, que têm crescido a taxas médias anuais de 10% e 7%, respectivamente, nos últimos cinco anos (o Brasil, apenas 3,8%).


Até meados de 2006, essa rápida expansão mundial foi atendida pelo crescimento da capacidade produtiva (ou pelo excesso de capacidade existente), de forma que a inflação esteve bem comportada. A tabela abaixo revela a taxa de inflação mundial (a inflação de cada país ponderada pelo PIB) nos últimos cinco anos.


As pressões inflacionárias em todos os países vêm do aumento do custo da alimentação e do preço do petróleo, que cresceram no último ano, em dólares, 60% e 102%, respectivamente. A internalização dos aumentos dos preços internacionais na taxa de inflação de cada país depende: 1. Da sua importância (peso) no índice de custo de vida. 2. Da liberdade do comércio. 3. Da valorização da taxa cambial. 4. Da eventual existência de pressões internas autônomas de demanda.


A situação é grave porque se trata de uma mudança de preços relativos das commodities, cuja importância é fundamental e tem influência ubíqua no custo de vida e no custo da produção de todos os países, com ou sem excesso de demanda. A inelasticidade da oferta de petróleo a curto prazo, por exemplo, pode ser apreciada no gráfico Capacidade Global de Refino, que registra a capacidade mundial e a demanda nos últimos 30 anos. É clara a diferença entre a crise de 1979-1980, quando o cartel controlava a oferta, mas tinha capacidade de aumentá-la, com a de 2007-2008, quando a demanda se expandiu e acabou a capacidade ociosa. Como a oferta de tais commodities é inelástica a curto prazo, a eliminação da pressão inflacionária exige um corte da demanda. Isso implica internalizar os preços, mas não corrigir os salários, o que a experiência mostrou ser politicamente muito difícil.


A experiência mundial da primeira metade dos anos 70, quando tivemos o mesmo fenômeno (aumento dramático do preço do petróleo e dos produtos agrícolas) e na segunda metade (novo aumento do petróleo), mostra claramente as dificuldades de manobrar a política monetária para reduzir os seus efeitos, se ela não receber um forte suporte fiscal. Os preços externos estão fora do alcance de tais manobras e a cooperação entre os países é ilusória. Quando ocorre uma crise, cada um trata de se defender como pode. Viola-se a regra básica da convivência internacional: a confiança de cada um sobre a liberdade de comércio dos outros. Isso reduz dramaticamente os resultados da especialização produzida pelas vantagens comparativas. O efeito mais grave no longo prazo é que cada país volta a procurar as três condições para sua sobrevivência: as autonomias alimentar, energética e militar.


Esse é o mundo povoado por riscos e futuro incerto. Em que as nações cuidam dos seus interesses e têm confiança limitada nas outras e onde os preços certos são ignorados, como no caso do etanol de milho nos EUA (porque o objetivo não é o máximo de bem-estar no curto prazo, mas o máximo de autonomia e segurança no longo), que os economistas, se quiserem ser úteis, têm de incorporar aos seus modelos.


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